26 de Agosto, 2014
James Wright Foley, foto jornalista americano raptado a 22
de Novembro de 2012 no noroeste da Síria, foi decapitado a 19 de Agosto
passado e as imagens de “uma mensagem à América” divulgadas no You
Tube circularam por todo o mundo.
Em Julho deste ano, Barack Obama autorizou uma operação de resgate com base num conjunto supostamente sólido de informações que levavam os serviços secretos americanos a acreditar que ele e outros reféns, todos jornalistas, estavam detidos em Ragga, no Leste da Síria.
A operação envolveu operações especiais dos vários ramos das Forças Armadas, o 160 º Regimento de Operações Especiais da Aviação, a célebre Força Delta, helicópteros e aviões de asa fixa. As forças americanas entraram em combate em território sírio contra forças do autoproclamado Estado Islâmico do Levante que sofreu, segundo o Pentágono, elevadas baixas.
Todavia a operação gorou-se, porque os reféns haviam sido mudados de local e aparentemente os “drones” usados nesta operação e sua preparação não deram pela mudança dos prisioneiros. Os raptos têm sido uma excelente fonte de financiamento para os extremistas islâmicos. Desde jornalistas a camionistas os resgates têm sido pagos. Desta vez foi um jornalista americano cuja família não tinha possibilidade de pagar os cem milhões de dólares exigidos e o Governo manteve-se firme na sua política (discutível) de não negociar com terroristas (o que parece não ser inteiramente verdade).
Outros Governos têm negociado libertações com sucesso. Mas a questão que aqui importa sublinhar é a transformação dos jornalistas de veículos de informação em alvo de rapto, o que aparentemente dá na sua fase final bem mais publicidade que as negociações de bastidores ou o relato de uma verdade que nem sempre agrada a um dos lados.
Os Estados Unidos têm agora, mesmo que não quisessem, de intervir. Porém Obama parece estar a considerar um ataque no Norte da Síria sob “controlo” do Estado Islâmico de consequências duvidosas.
Atacar o que é agora a rectaguarda dos extremistas é bem mais inútil que cortar-lhe as linhas de abastecimento e manter um apoio aéreo consistente às forças curdas que defendem o Curdistão iraquiano com escassos meios. Durante toda a semana os F-19 do porta aviões George H. Bush (pai de George W.) fizeram centenas de saídas a partir do Golfo Pérsico, onde o navio se encontra desde 31 de Julho. O problema americano é ter agido tarde demais, e não poder pedir à Turquia, sem a envolver no conflito sírio, o uso da base de Tikrit, o que colocava os F-18 e aviões de apoio mais perto do alvo e permitia um uso mais eficiente da aviação.
O apoio aéreo contra o Estado Islâmico do Iraque e da Síria (Califado Islâmico do Levante), ironicamente tem sido feito pela aviação síria que tem atacado posições do Estado Islâmico em território curdo.
Nas últimas horas, enquanto se prolonga sem fim à vista o conflito na Palestina, o ministro dos Estrangeiros iraquiano encontrou-se inesperadamente em Teerão com o seu homólogo iraniano. Do encontro não houve declarações oficiais, transpirando apenas uma hipotética ajuda iraniana ao Iraque se os EUA levantassem as sanções, o que significa que Teerão estaria na disposição de pressionar dentro da fraca influência que tem no Califado do Levante para uma solução negociada entre a minoria xiita e os sunitas, maioria da população e que controla o Governo. Nada é menos certo que Washington aproveite esta oportunidade para reatar o diálogo com o Irão.
Nada é também menos certo que as imagens da Palestina mudem e seja encontrada, pelo menos, uma trégua prolongada que permita um diálogo. Não enquanto Israel responder a um fogacho de morteiro com as bombas e mísseis dos F-16 e outras aeronaves.
Se o prazo de três anos dado esta semana pelo Papa Francisco, para cumprir a sua missão ou ver resultados, se prende com estes dois conflitos, para não falar na Ucrânia e nos conflitos de baixa intensidade um pouco por todo o lado, então definitivamente Francisco está a prazo.
A Igreja tem muitos problemas por resolver e tem de os resolver apesar da oposição interna. Francisco tem apostado muito na política internacional, nas chamadas de consciência. Porém os políticos que gostam tanto de sublinhar que foram à missa não lêem as declarações do herdeiro de Pedro.