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sábado, 18 de junho de 2016

Os direitos as liberdades e a sua violação


Benjamim Formigo
18 de Junho 2016

Longe de Orlando, Florida, do outro lado do Atlântico Norte, quinta-feira passada almoçava com um amigo, colega de profissão e cúmplice na defesa dos Direitos, incluindo a Independência, as Liberdades, incluindo a de pensamento, de escolha religiosa ou outra discutíamos por entre a estupefação e a indignação o assassínio em massa ocorrido numa discoteca daquela cidade.


As vitimas foram essencialmente negros, gays, ou seja pessoas iguais a quaisquer outras e com os mesmos direitos que durante décadas lhes foram negadas. Como se isso não fosse razão de sobra para a condenação política e social da acção de um psicopata o Mundo assistiu incrédulo, pela primeira vez, à utilização de um homicídio em massa, uma acção terrorista, independentemente da sua origem a um aproveitamento politico da obscenidade da morte violenta.


Era para nós, como para milhões de outros Humanos inacreditável que de bandeja um candidato presidencial, Donald Trump, tivesse a estupidez de não só atirar com as culpas para o auto proclamado exército islâmico, como de acusar Obama de apoiar o terrorismo islâmico. Dentro do Partido Republicano ninguém foi capaz de defender, mesmo que por omissão o já candidato de direita. Mas Trump não o fez por estupidez. Fê-lo por puro calculismo politico. Com uma opinião publica bestificada graças à propaganda disseminada por Trump via Twitter ou Facebook as pessoas deixaram de pensar para “partilhar” uma “opinião” grosseira embrulhada em vestes intelectuais. Só isso explica que as sondagens na ocasião tivessem dado a Trump apoios superiores às intenções de voto.


Muito se poderia dizer sobre o papel negativo das redes sociais na vida politica global e como estão a afectar os valores positivos porque as gerações dos anos 50, 60, 70 e 80 do século passado lutaram. Ganham os neoliberais, o capitalismo selvagem, o neoesclavagismo, entre outros.


O massacre de Orlando leva-nos a interrogar se podemos confiar ou até onde podemos confiar nos americanos. Não necessariamente nos políticos que atravessaram, e combateram na Segunda Guerra Mundial ou até no Vietname. Hoje o poder em Washington, que tanto é criticado pelo homem comum, como os europeus criticam o poder de Bruxelas, é controlado por oportunistas que viram nesse descontentamento a porta de entrada do poder. Com uma diferença: Washington está sob cerco de um Trump perigoso porque tem os meios e está à frente de uma Federação. Bruxelas tem um poder disperso cujas asneiras podem apenas levar a um “Brexit”, ou “Grexit”, sabe-se lá que mais, incluindo uma federação do Sul ao contrario dos EUA que incorporaram o Sul vencendo uma Guerra Civil.


No final do almoço, como era de esperar não havíamos chegado senão a uma conclusão: o Mundo está a ficar um Mundo demasiado perigoso para chamar a Donald Trump “líder do mundo livre”.


Resta, como já aqui escrevi mais de uma vez: a união entre Hillary Clinton e Bernie Sanders. Misturar azeite e água. Quem sabe...mas o melhor é esperar pelo pior.
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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Tudo em nome da pax democrática


Benjamim Formigo|
23 de Junho, 2014

Se nos últimos anos, e em particular desde Janeiro, não fosse cada vez mais evidente que o clima mundial se ia tornar cada vez mais tenso, até podíamos pensar numa sinistra conspiração determinada a fazer vir ao de cimo o que de pior existe nas relações entre homens e nações.
Não é infelizmente assim. Incúria, incompetência ou um plano cuidadosamente elaborado trouxeram-nos ao ponto a que chegámos. A Guerra Fria acabou, viva a Guerra Fria.
Na última semana o Papa Francisco, na senda do que vem sendo o seu posicionamento público, não deixou dúvidas sobre os receios com que encara o futuro e as reservas que tem face ao actual sistema. A entrevista transmitida na íntegra pela estação portuguesa SIC Notícias deu uma visão mais política que teológica daquilo que o Mundo enfrenta. Pouco habituados que estamos a ver os homens da igreja, de qualquer igreja, a olhar o Mundo como ele é e não como se espera que por intervenção divina venha a ser, o Vigário de Cristo não escondeu o receio da quase inevitabilidade de as condições económicas e do peso da economia sobre a política se tornarem catastróficas. A economia, disse Francisco, deve preocupar-se com o Homem, tê-lo como o centro dos seus interesses e não um servo deles como sucede. As declarações de um homem que não se assume como político, sentado na cadeira de Pedro onde se fez política desde a Idade Média até à Idade Contemporânea quando igreja e capital se tornaram, excepção feita a alguns representantes de Pedro, mais discretamente cúmplices, são de facto uma lufada de ar fresco nos corredores do Vaticano.
Ouvir as declarações do novo Papa não é um acto religioso, é ouvir a verdade que deveria ser veiculada por homens como o Secretário Geral da ONU que, sem poder nem carisma e muito menos fiéis, optam por um silêncio cúmplice com os desmandos deste período que se pensava ser de transição para um Mundo mais calmo. Um Mundo que de calmo nada tem e onde a riqueza se concentra cada vez mais, onde o desemprego dos jovens se torna em desespero e os Velhos são esquecidos. Como disse Francisco, um Mundo que desperdiça a força de uma juventude e a sapiência dos Velhos. Ouvir o Papa jesuíta é um acto político quase subversivo.
Deixemos para lá os desmandos neoliberais que trouxeram apenas instabilidade social, e ainda estamos para ver o que vem aí. Deixemos mesmo de lado a crise financeira para a qual o FMI voltou esta semana a chamar a atenção um pouco na linha dos diagnósticos menos maus e das terapêuticas desastrosamente desajustadas. Atentemos apenas na linha moral dos dirigentes, dos líderes do Mundo Ocidental e por definição democrático e civilizado. Em nome dos Direitos Humanos propiciaram uma onda demolidora com a chamada primavera árabe que está longe de acabar. Provavelmente está a abrir um novo ciclo ainda mais complicado. O arco do Mediterrâneo está como o conhecemos, com uma pequena nuance, sejamos discretos ao menos, o tal arco já está no Paquistão, passa pelo Afeganistão, reacende-se no Iraque, inflama-se na Síria, salpica a Europa, corre ao longo do Norte de África, vai até à Nigéria, passa através da África Central para se estender da Somália ao Quénia e ao Sudão, incluindo o recém independente Sudão do Sul. E nem vale a pena falar no caldinho que se vai cozinhando no arco Ásia Pacífico onde a história é outra.
A Europa, como é evidente, não escapa com uma crise que parece estar mesmo a fugir ao controlo tanto dos burocratas de Bruxelas que olharam para a Ucrânia como um mercado esquecendo que é uma posição geoestratégica fundamental para a Rússia, esquecendo mesmo por inépcia ou a pura arrogância dos ignorantes que a União Europeia tem também interesses estratégicos que coincidem com Moscovo. Fazer da Ucrânia uma vítima? De modo algum; fazer da Ucrânia um actor na Europa Central sem hostilizar o vizinho com quem se tem excelentes relações económicas apesar de subsistirem divergências que o diálogo ia resolvendo. Se alguém pensa que houve políticos experientes envolvidos nesta alhada desiluda-se. Andam por aí uns pequenos que sabem tudo excepto as questões essenciais da Guerra Fria, já para não falar no espanto com que devem ter olhado para o desperdício de dinheiro no 70º aniversário do desembarque na Normandia. É assim, eles olham para essa época como uma imensa oportunidade de negócio da construção civil e da indústria de Defesa e de resolução de crises económicas e financeiras. Claro que é um exagero mas já me passaram pelas mãos estagiários de Relações Internacionais que pensavam que o Presidente da Junta Argentina que desencadeou uma guerra no Atlântico Sul em 1982 era membro do Politburo do PCUS. Não, parece mas não é anedota.
Eleito um novo Presidente da Ucrânia, devidamente convidado pelos dirigentes europeus para as celebrações do dia D, fez-se a tal diplomacia discreta. Não se contava que o génio já estivesse fora da garrafa. Os separatistas russófonos mesmo pressionados por Putin não querem depor as armas e o Presidente ucraniano não pode perder a face. E agora? Agora resta a esperança, essa que morre sempre no fim, de uma solução de 23ª Hora, muita paciência de Putin e muito empenho da Sr.ª Merkel.
Mas não acaba aqui. No Iraque ignorara-se os sinais de risco que se acentuavam desde Janeiro e temos os sunitas, expulsos do poder pelos americanos, às portas de Bagdade e a controlarem importante parte do petróleo iraquiano com satisfação dos “marchands” que esquecem que na frágil conjuntura financeira um aumento substancial do crude pode ser a recessão mundial. Na Europa já existem sinais de deflação que a consolidarem-se vão ter um impacto global. Mas também não acaba aqui. Barack Obama, que não deve ter a menor ideia de como vai ficar na História, já está a ver a retirada do Afeganistão comprometida, ou no mínimo uma embrulhada para o seu sucessor, e fala no envio de 300 não combatentes para o Iraque, uma ajudinha a um Governo xiita que já pediu apoio aéreo a Washington. Leia-se uns “dronezinhos” para ajudar a suster os maus da fita, homens da facção religiosa de Saddam Hussein. Mas para os drones serem eficientes têm de dispor de informação que os conduza aos alvos. Daí ao envolvimento operacional dos tais 300 formadores é um passo. E enquanto isso na Síria o Governo sente-se livre para pisar o risco, o grupo do Estado Islâmico Iraque Síria vai complicando a situação no Curdistão iraquiano, zona rica em petróleo, aumentando a influência na Síria eventualmente sem benefícios para o Irão – que podia exercer uma influência interessante neste momento.
Tudo em nome da PAX democrática, sacrossanto sistema.
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