16 de Abril, 2015
Na Cidade do Panamá a Cimeira das Américas foi a ocasião
oportuna para Barak Obama e Raul Castro se sentarem frente a frente e
discutirem o futuro das relações entre os dois países que conheceram
uma nova fase quando a 17 de Dezembro os dois Presidentes anunciaram
uma nova fase nas relações após a Casa Branca ter levantado algumas das
restrições que sufocavam Cuba.
Cuba ainda está na lista dos EUA dos países que alegadamente apoiam o terrorismo. Uma inclusão um pouco difícil de entender pois nunca houve noticia de que Havana desse guarida, apoio, treino ou financiasse o terrorismo. Uma daquelas coisas que só realmente os americanos sabem fazer. Esperemos agora para ver até onde Obama consegue ir com um Congresso republicado determinado em ganhar eleições em detrimento dos interesses dos EUA e dos seus aliados, seja em Cuba ou no Irão.
No Irão o ayatollah Ali Khamenei afirmou que não haverá acordo em final de Junho se as sanções não forem levantadas. As declarações do líder religioso iraniano são vistas mais como uma manobra para manter os radicais à distancia enquanto as conversações prosseguem mas ao mesmo tempo não deixa de ser um alerta sobretudo para os aliados europeus de Washington, pouco dispostos a continuar as sanções, e um apelo à Rússia e China, partes do grupo de contacto e com direito de veto no Conselho de Segurança.
Enquanto os sinais de desanuviamento surgem do outro lado do Mundo, no Médio Oriente, vivem-se duas situações dramáticas transformadas já em desastres humanitários: Síria e Iémen.
No Iémen a aviação saudita tem uma interpretação demasiado lata de danos colaterais e os seus ataques contra a guerrilha houthi, apoiada pelo Irão, atingem indiscriminadamente civis, numa tentativa de impedir o controlo do Golfo de Aden pelos houtis e a queda da capital. O Iémen está literalmente cercado, bloqueado por terra e mar pelos sauditas e seus aliados do Golfo e sob intensos bombardeamentos que impedem a retirada ou o socorro aos civis encurralados por terra e ar. O Irão tem na região vários navios de guerra sob o pretexto de exercícios navais em águas internacionais mas não é de esperar que se envolva num confronto directo com os sauditas neste momento em que negoceia o levantamento das sanções.
O Paquistão, ou melhor o Parlamento paquistanês teve o bom senso de manter o país fora daquele conflito uma vez que o envio de tropas iria causar uma tensão fronteiriça com o Irão e demonstrar que Teerão tem razão ao pretender armas nucleares, não para atacar Israel, mas para equilibrar forças com o seu vizinho paquistanês detentor de armas nucleares.
Como será possível sair da situação criada no Iémen é uma incógnita tão grande como saber como vai ser possível suster os grupos armados do autoproclamado estado islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) que se encontram às portas de Damasco. Grupos que atacaram e tomaram um imenso campo de refugiados palestinianos a pouco quilómetros da capital.
Desta vez não houve apoio aéreo americano aos grupos que procuravam suster o avanço do (EIIL). A verdade porém é que é suicida aceitar que o EI tome conta da Síria, então sim a ameaça a Israel seria bem real e grave. O EI tem vindo a massacrar populações, aldeias inteiras na sua campanha de terror. Ninguém quase se opõe aos homens de negro que decapitam os resistentes ou simplesmente decapitam e torturam sem outro motivo que infundir o terror.
Quem criou este monstro em nome da renuncia e/ou queda do Governo de Bashir Al Assad? Agora é tarde para voltar atrás e suspender os auxílios a uma chamada oposição moderada que deixou que vários grupos radicais se apoderassem de armas e financiamentos e se viessem a juntar a um bando de radicais que nem a Al Aqueda aceita.
Isolar o campo palestiniano. Com que custos humanos? Negociar com quem não quer negociar? Responder com a força à custa da vida de centenas ou milhares de civis inocentes parece ser o preço a pagar (por outros) pelos erros das democracias ocidentais. Resta esperar que alguém com imaginação encontre um plano de cortar a retaguarda ao EI e de o enfraquecer ou descubra uma facção moderada disposta a negociar. Isso ou um crescendo de violência.