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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Movimentos terroristas desafiam os líderes mundiais


Benjamim Formigo |
13 de Janeiro, 2015

A iniciar o ano, terroristas aparentemente ligados à AlQaeda do Iémen passaram o ano com uma sequência de ataques em França, culminando no assassínio de jornalistas e polícias do “CharlieHebdo” e, em simultâneo ao cerco dos dois terroristas que atacaram este jornal satírico francês, a tomada de reféns num supermercado frequentado por uma maioria judaica.
Um estudo levado a cabo pela BBC e o King’sCollege, de Londres, concluiu que só no mês passado 16 grupos jihadistas causaram mais de cinco mil mortes civis, a maior parte das quais no Iraque, Nigéria, Afeganistão, Síria e Iémen. Para agravar, o BokoHaramassassinou na sexta-feira cerca de duas mil pessoas perto da cidade nortenha de Baga.
Infelizmente, nem todas as regiões do Mundo recebem a mesma atenção dos media, deixando o sentimento falso de que o terrorismo é um problema europeu e norte-americano. A Europa é o palco privilegiadodo que parece ser uma luta de influência entre o autoproclamado “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” e a AlQaeda, cuja influência se contrai para a península arábica, em especial para o Iémen e para a província paquistanesa dos Territórios do Norte.
Os movimentos terroristas espalham-se do grande Médio Oriente, ao longo da costa oriental de África, descendo do Iémen para a Somália e o Quénia. Na costa oriental, seguem o Mediterrâneo, agora travados pelo novo regime egípcio e a resistência periclitante da Tunísia, passam ao lado da Argélia – que se tornou o único bastião anti-jahidista – para contactarem e conquistarem grupos dissidentes da República Centro-Africana, Camarões e Chade, conjugando forças com os nigerianos do BokoHaram.
O ano de 2014 termina sem que tenha trazido soluções para os problemas herdados de 2013 e os que acresceram em 2014. Pelo contrário, agravaram-se várias situações, de África ao Médio Oriente, e até se abriram novas crises bem complicadas na Europa, para não falar da crise económica que está a atingir, agora com maior impacto, as economias emergentes que nalguns casos se achavam imunes à crise euro-americana. Se por um lado a economia entra em crise, por outro sobressaem os problemas sociais onde os extremistas islâmicos encontram terreno fértil de recrutamento.Já não se trata de um movimento radical xiita contra o Ocidente. Os sunitas que gozaram da tolerância ocidental levantam-se agora, após a guerra do Iraque e as “primaveras árabes”, contra a preponderância xiita e perda da influência e poder sunita.
As armas ocidentais enviadas para as tais “primaveras” ou o Iraque cairam nas mão do caldeirão em que o “Califado” se tornou recrutando etnias e religiões diferentes. O Irão, que apoiou a revolta xiita, levou agora o Hezbollah a acompanhar Teerão na condenação dos actos criminosos de Paris e os que ocorrem na Síria, sendo de admitir que o Hamas venha a fazer o mesmo – uma janela de oportunidade para relançar um diálogo suspenso há muito.
Mas não se pense que só por si resolver a questão palestiniana retira o terreno de recrutamento jihadista. Ele estendeu-se pela Europa e até os EUA.
À medida que a crise social e económica avança e se mantém um vazio de liderança politica, mundial ou regional, sobem os ódios raciais e religiosos e aumentam as possibilidades de recrutamento.
Nos últimos 12 meses verificámos que novas crises se acentuaram de forma gravosa mas não totalmente imprevisível: República Centro-Africana, Sudão do Sul, Uganda, Sudão, Somália. A “primavera árabe” abriu as portas ao avanço terrorista no Níger, Nigéria, RCA, causando danos colaterais no Chade, Costa do Marfim, Libéria e por aí fora. A situação na Líbia não melhorou, apenas se modificou para que as petrolíferas pudessem retomar o seu trabalho. No Egipto, os militares tiveram de intervir para acabar com o domínio da Irmandade Muçulmana, interrompendo um processo onde democracia se traduziu numa eleição de um presidente vindo da Irmandade que se aproveitou para fazer ascender a sua ala radical.
Na África Ocidental, uma epidemia de ébola causou o número mais elevado de vítimas, fazendo o mundo desenvolvido acordar quando europeus e americanos foram contaminados e transportaram a doença para fora de África. Um soro e uma vacina experimentais e os media puseram de lado o drama africano, como se ele tivesse milagrosamente desaparecido. Continuam a morrer pessoas com ébola e não há notícias de que as vacinas estejam prontas e em distribuição. Apenas não se fala no assunto.
Este é o ano que se juntam os problemas que ficaram e os que já se desenham, bem com os que nem se adivinham.
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