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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Internet a nova cultura-maravilha aterradora

Benjamim Formigo |
26 de Janeiro, 2010

No século passado, na década de 70 e inícios de 80 era um instrumento dos cientistas e um divertimento incipiente. A sua origem não está claramente definida; uns reclamam que a Internet começou como uma rede militar norte-americana para o caso de uma guerra nuclear, outros atribuem a sua invenção aos cientistas europeus do CERN. A verdade de momento é irrelevante.
A Internet não tem direitos de autor, é livre de ser usada por qualquer um que tenha acesso a uma simples linha telefónica, tornou-se cada vez mais atraente até que insidiosamente se tornou indispensável.
A “Net” é sem duvida a forma mais anti-social de estar na vida – se a nossa vida correr em volta dela -, ou a forma potencialmente mais social se for usada como um instrumento de trabalho e comunicação. Os jovens são os mais atraídos pela “Net” mas aumenta o numero de “crescidos” que não a largam.
Primeiro eram os PC’s ou os MAC’s, depois os portáteis, e finalmente os telemóveis sendo o expoente máximo o iPhone da Apple que bateu toda a concorrência na ligação à “Net”. A livraria on line norte-americana Amazon.com, onde se encontram todos os livros imagináveis, lançou um leitor de livros, um instrumento em plástico com um monitor em formato A-5 reactivo ao sol. Através desse aparelho ligado à internet um livro como Guerra e Paz é transferido em formado digital dos EUA ou onde quer que seja que a Amazon tenha o seu servidor destinado a esta finalidade, para a nossa “biblioteca electrónica” em poucos segundos. Biblioteca electrónica porque na sua versão base permite armazenar alguns milhares de livros. Este dispositivo lançado há pouco tempo já está em vias de ficar desactualizado por uma segunda geração a cores e com suporte de imagem e maior capacidade de armazenamento.
Na realizada em escassos 15 anos passámos do “mega” ao “terá” com os preços sempre a descer. Quando nós jornalistas dispúnhamos de um portátil 286 SX 25 com 4 Mb de RAM e 25 a 40 MB de disco rígido estávamos ou ao serviço de um grande jornal ou investíamos do nosso bolso numa máquina super-rapida. Os modems, a 4 mbps eram o supras sumo ao transmitiram através de uma linha telefónica para um PC na redacção uma reportagem. Hoje comunicamos por e-mail, a velocidades de 24 Mb e usamos máquinas dual Pentium com pelo menos 4 Gb de RAM e no caso vertente um disco de 500 Gb a 7.200 rpm (ainda por cima Mac). Para que temos realmente necessidade de uma máquina destas? A resposta crua e dura é para 0,001 por cento do nosso trabalho.
Com os telemóveis o fenómeno é semelhante. A realidade é que – mesmo nos países mais desenvolvidos – 98 por cento dos utilizadores não faz recurso a 80 por cento das funcionalidades do seu aparelho. O telemóvel topo de gama acabou por se tornar um escritório ou computador portátil que também faz chamadas telefónicas.
Na Internet os utilizadores querem velocidades cada vez mais rápidas. Que não usam a maior parte do tempo. Tornou-se uma espécie de vontade de ter um Ferrari para não passar dos 120 Km/h nas auto-estradas, a não ser esporadicamente.
Claro que em termos de trabalho a velocidade permitida pela banda larga, tecnologia ADSL, 3G ou 3,5G nunca é inferior aos 6 Mb em ADSL, com linha de cobre em mau estado nem aos 2 Mb na tecnologia 3G. Empresas ou utilizadores intensivos da internet jogam pelo menos no ADSL 16 Mb e muito frequentemente 32 Mb. A rapidez com que pesquisar na “Net” é a rapidez com que compila a informação e é a capacidade de aceder a um maior volume de informação. Que muitas vezes fica em arquivo para uso futuro pois num dado trabalho ela já é excedentária.
O negocio é bom para os ISP (Internet Service Provider) – fornecedor de serviços – pois se as assinaturas são cada vez mais baixas as taxas de download aumentam e o pagamento a partir do limite gratuito também. Ou em alternativa os serviços começam a ser rentabilizados pela publicidade que corre nos portais dos ISP’s.
Para ultrapassar a velocidade ADSL nesta corrida louca surge a fibra óptica ligando o utilizador às centrais. São fornecidos serviços 2Net” a 100 Mb e ainda telefone gratuito em determinado horário e TV digital de alta resolução e interactiva.
Os velhos livros com folhas bolorentas e malcheirosas substituídos por monitores LCD ou plasma lá ficam pelas prateleiras de novos ricos mostrando uma biblioteca real. Mas a verdadeira leitura é feita no tal monitor digital, ah, esqueci-me e que ainda por cima pode ler-nos os livros – desde que seja em inglês, por enquanto – tirando-nos o trabalhão de voltar atrás umas páginas e reler deleitados um texto delicioso impresso num material de tacto inigualável como o papel.
O Casablanca já é visto em minúsculo monitor no UTube. Já imaginaram, ou viram, a grandeza desse velho filme passado de um ecrã de cinema para os 15 cm do buraco do UTube no browser? Ou o “Fausto” num ecrã de 13 polegadas? Claro que inevitavelmente, se gravados digitalmente no disco rígido, em especial nos MAC’s se torna, peças de alta definição de imagem e pureza de som. Mas são peças falsificadas, retiradas do tempo, lançadas na corrente dos dígitos, código binário onde em vez de colcheias se tornam insípidos 01100010110001 (não me perguntem o que quer dizer, foi inventado, este código é meramente ilustrativo).
Como Galileu tenho porém de reconhecer que no entanto “se muove”.
De tal forma que hoje entrou no léxico: printar, seivar, scanar, etc...Deixaram de se escrever cartas para se enviar e-mails. Se alguém recebe uma carta tem 98 por centoi de probabilidades de ser uma conta. E “googla-se”, ou seja procura-se no super motor de busca Google toda a informação. Quase todos nós temos lá os nomes e informações a nosso respeito. O Facebook e similares são ainda piores. O Facebook recentemente vendeu o seu ficheito a agencias publicitárias. Com as redes sociasi surgiu uma nova forma de publicidade orientada. Mas as nossas vidas perdem cada vez mais privacidade. Alguém quer voltar atrás ou aceita o risco? Liberdade de informação? Ou informação controlada? As perguntas sucedem-se e aqui procura-se apenas suscitar as perguntas as dúvidas e um uso cuidadoso da “Net” se queremos manter alguma privacidade.
Que maravilhoso mundo novo. Nós não podíamos sobreviver sem isso.
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