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terça-feira, 22 de maio de 2012

Regresso à cena económica e procura de consenso


Benjamin Formigo
22 de Maio, 2012

O regresso do G-8 à cena económica internacional, embora não implique o abandono da importância que vinha sendo dada ao G-20, traduz o reconhecimento de que a crise económica internacional tem de ser ultrapassada através da dinamização das economias dos oito mais industrializados do mundo.
O regresso do G-8 à cena económica internacional, embora não implique o abandono da importância que vinha sendo dada ao G-20, traduz o reconhecimento de que a crise económica internacional tem de ser ultrapassada através da dinamização das economias dos oito mais industrializados do mundo.
Uma crise financeira nascida nos Estados Unidos há uns bons cinco anos acabou por se repercutir no resto do mundo. O liberalismo instalado permitiu e até fomentou a transformação dessa crise numa crise económica global.
A crise económica na Europa, em particular a Europa do euro dominada por uma visão financeira, mesmo económica, paroquial, persiste sem saída à vista com o pacto financeiro recentemente aprovado sob pressão alemã e francesa. Não só persiste como se agrava à medida que aumenta o desemprego, fecham empresas e, consequentemente, diminuem as receitas fiscais dos Estados e aumentam as suas despesas sociais.
Sendo o maior mercado do Mundo, a União Europeia, em especial a zona euro em contracção tem reflexos negativos que são globais e preocupam os Estados Unidos, em ano de eleições, o Japão e até a Rússia, ambos grandes exportadores para a zona euro. Claro que esta crise tem consequências a prazo nas economias dos restantes doze países do G-20, mas a inversão da tendência recessiva tem de começar dentro dos oito, em particular na Europa.
A eleição de François Hollande após uma campanha a favor do estímulo ao crescimento criou demasiadas expectativas mas também embaraços a governantes que têm imposto “in absurdum”.
Para Barak Obama a eleição na segunda economia europeia de um líder favorável ao estímulo da economia, e menos encantado com o rigor orçamental e a austeridade que o seu antecessor, aconteceu em óptima altura. Com as eleições este ano e a economia a crescer lentamente, mas gerando pouco emprego, os Estados Unidos têm necessidade de uma Europa economicamente mais dinâmica.  A reunião entre Obama e Hollande, antes do encontro do G-8 correu da melhor maneira para o Presidente americano, que pode mesmo ter obtido um compromisso francês quanto ao Afeganistão. Hollande quer retirar todas as forças operacionais do país, porém, parece estar em aberto uma missão de treino o que corresponderia à continuação da presença militar francesa.
Durante o encontro do G-8 a principal preocupação diplomática de todos os participantes era evitar o confronto com a chanceler alemã, Ângela Merkel. Obama não escondia a sua simpatia pela posição de François Hollande, sendo sabido que a Itália e a Grã Bretanha também entendem ter chegado o momento de estimular o desenvolvimento, posição que é partilhada pelo Japão e Canadá; numa posição menos clara estava a Rússia, para quem o desenvolvimento na União Europeia se traduz no aumento de exportações, designadamente, no sector energético.
O facto é que a Alemanha estava isolada e a chanceler alemã tem problemas domésticos com a sua política restritiva. A senhora Merkel perdeu as eleições em Schleswig-Holstein e arrisca uma derrota bem mais pesada na Renânia Norte–Vestefália com 18 milhões de habitantes. Na mesma altura em que se preparava para a reunião do G-8, em Berlim e outras cidades multiplicavam-se as manifestações contra a política de austeridade.
Importava, porém, encontrar uma fórmula de compromisso que no fundo não se afastou muito do que tem vindo a ser dito desde que Hollande entrou no Eliseu: promover o crescimento económico através do investimento na Educação e infra-estruturas, um investimento público que se pensa poder trazer algum estímulo às economias. A importância desta variante à austeridade vem de ter sido um compromisso assumido ao nível dos oito países mais desenvolvidos. Este estímulo, que nos EUA acompanha um pacote fiscal, deveria criar emprego que a prazo compensasse o défice da receita pública, tornando, progressivamente, a austeridade orçamental uma medida complementar e não a central das políticas económicas que dominam a Europa.
Pela primeira vez nas cimeiras do G-8 a criação de emprego foi considerada “imperativa”. Finalmente a cimeira, embora comprometendo-se com a redução dos défices, entendeu que tanto os défices como as metas de redução da despesa devem ser analisados numa “base estrutural” – o que permite às economias mais fracas ou mais atingidas pela crise acumularem défices diferentes em função da conjuntura económica.
Claro que resta saber como vão os europeus por em prática estes compromissos e recomendações, numa altura em que nem sequer existe a solidariedade institucional necessária para rever a situação grega, quando o país está a um passo de ter de abandonar o euro, o que a suceder seria extremamente grave.
No dia seguinte à cimeira do G-8 a OTAN reuniu em Chicago. A terceira reunião da Aliança Atlântica em território norte-americano desde a sua fundação, teve uma agenda bem repleta, desde a retirada faseada do Afeganistão ao sistema antimíssil na Europa, passando pelo Irão e pelos cortes que os parceiros europeus dos EUA têm introduzido nos respectivos orçamentos de Defesa.
Os franceses não podem alterar a promessa eleitoral de François Hollande de retirar as tropas combatentes do Afeganistão, contudo, a meio da reunião, altura em que esta crónica é escrita, esperava-se que se mantivessem em missões de treino.
Hollande retribuiu também o apoio americano fazendo declarações conciliatórias para Moscovo. O novo Presidente francês manifestou-se sobre o escudo antimíssil europeu salientando que em nada ameaçava a Rússia, cujo Presidente, Vladimir Putin, se fizera representar na véspera pelo primeiro-ministro Dimitri Medvedev na reunião do G-8. As relações entre Paris e Moscovo  sempre se mantiveram a bons níveis, mesmo durante a Guerra Fria e François Hollande, como Barak Obama, esperam tirar disso algum partido.
Cortes orçamentais à margem os europeus irão aumentar a contribuição para a sua defesa permitindo a Washington uma redução suplementar. Por saber publicamente ficou a análise que a OTAN deve ter feito da crescente influência da China em sectores estratégicos de países membros da Aliança.
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