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\/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo|\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        2 de Março, 2011\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         \u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EA euforia que se apoderou de muitos intelectuais e  até políticos europeus e americanos começou a dar lugar à reserva e à  preocupação. Afinal construir um país e definir e implementar reformas é  bem mais difícil do que derrubar o Governo.\u003Cbr \/\u003EA Tunísia, o primeiro  país a derrubar um Presidente através de um movimento popular, viu o  sucessor de Bem-Ali demitir-se no domingo dada a incapacidade de  responder às pressões populares que se mantinham na rua.\u003Cbr \/\u003ENo Egipto a  situação não é melhor, com as massas na rua a exigirem as reformas que  levam tempo, consomem meios e necessitam de estabilidade.\u003Cbr \/\u003ENa Líbia,  porém, a situação torna-se mais enigmática. Todos os movimentos foram  anunciados como espontâneos, convocados por SMS ou via Internet.  Todavia, à medida que Kadhafi resistia surgiam notícias de que parte das  Forças Armadas desertavam e subitamente começaram a surgir as notícias  de acções concertadas dos grupos revoltosos.\u003Cbr \/\u003EOra, uma comunicação e  concertação operacional entre os diferentes grupos, mesmo com o apoio de  militares dissidentes, não é coisa que se consiga em meia dúzia de  dias. O que não deixa de levantar algumas dúvidas sobre o carácter  espontâneo das manifestações.\u003Cbr \/\u003EA disseminação deste movimento, a que  se chamou \"pró-democracia\", trouxe consigo um fenómeno especulativo  sobre os preços do petróleo.\u003Cbr \/\u003EMesmo depois da Arábia Saudita ter  anunciado que ia suprir a produção do crude líbio, os preços continuaram  a subir. Na Líbia, os 2 por cento da sua quota na produção mundial  pararam, não por causa directa de distúrbios, mas porque as petrolíferas  retiraram de imediato o pessoal essencial à produção.\u003Cbr \/\u003EOs receios  centram-se no Irão e na Arábia Saudita. De novo o petróleo faz tremer os  países desenvolvidos.\u0026nbsp;A especulação entre investidores coloca cenários  devastadores que de facto têm consequências negativas nas economias dos  Estados Unidos e da União Europeia, mas também na Ásia, designadamente  na Índia e China. Se os gigantes asiáticos retraírem o consumo,  designadamente o privado, juntando-se ao que sucede nos Estados Unidos  desde o \"burst\" provocado pela especulação financeira, e na União  Europeia com a crise da dívida, então haverá problemas para as economias  em desenvolvimento.\u003Cbr \/\u003EHá dias escrevi sobre a necessidade de  reflectir. Essa reflexão e o debate em torno dela são essenciais para  que não se escorregue para situações hoje apenas hipotéticas, mas que se  alguma vez se tornarem reais terão graves consequências.\u003Cbr \/\u003EA confusão  que se está a gerar, metendo no mesmo saco situações em que os Governos  não haviam sido eleitos, com a de Governos eleitos democraticamente  (como é inevitável Hugo Chavez está na lista), se misturam lutas entre  minorias religiosas no poder e maiorias fora dele, quando se tomam as  reivindicações na Jordânia por uma contestação inexistente ao rei ou a  exigência de uma monarquia constitucional na Arábia Saudita com o  derrube do regime, algo está definitivamente mal e até talvez  intencionalmente distorcido.\u003Cbr \/\u003EA verdade, passado o tempo sobre a  partida dos presidentes tunisino e egípcio, é que as tais massas  continuam a reivindicar para já o que leva tempo a construir.\u003Cbr \/\u003EO Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e a União Europeia estão a tomar medidas avulsas e de eficácia rebatível.\u003Cbr \/\u003EO  fundo das questões não está a ser abordado. E o fundo das questões  passa pela correcção das desigualdades e das fracturas provocadas por  uma crise financeira sem fim à vista."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/6757179033280734514"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/6757179033280734514"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2011\/03\/a-euforia-da-lugar-as-reservas_2.html","title":"A euforia dá lugar às reservas "}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-1453620035583646274"},"published":{"$t":"2011-01-18T18:28:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2016-03-15T18:28:54.512+00:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Tunísia"}],"title":{"type":"text","$t":"Fundamentalistas espreitam a crise na Tunísia"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo|\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        18 de Janeiro, 2011\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         \u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EAquilo que se temia fosse o pior desfecho para a  crise interna que nas últimas duas semanas assolaram a Tunísia acabou  por se confirmar: o presidente, Ben Ali, foi obrigado a sair do país à  pressa entregando o poder a quem primeiro dele se aproximou. Neste caso  um incrédulo e muito contestado primeiro-ministro.\u003Cbr \/\u003ENa verdade a forma  como Ben Ali abandonou o poder que manteve nos últimos 23 anos revela  toda a sua incompetência para compreender aquilo que o povo  verdadeiramente reivindicava nas ruas: a garantia de aplicação de uma  nova política social.\u003Cbr \/\u003EO mais surrealista de tudo é que, um dos  principais alvos da ira popular não era propriamente o presidente da  República mas o seu primeiro-ministro, precisamente o homem a quem,  trémulo, temeroso e apressado, Ben Ali decidiu entregar o poder.\u003Cbr \/\u003ENum  raro rasgo de inteligência política (e também para tentar salvar a  própria pele), o incrédulo primeiro-ministro tratou de se antecipar à  fúria popular e entregou esse mesmo poder ao presidente da Assembleia, o  qual, por sua vez e para desfazer dúvidas, anunciou de imediato que  iria accionar os mecanismos previstos na Constituição do país para a  realização de eleições no prazo de 60 dias.\u003Cbr \/\u003EPara o mundo árabe o  desfecho privisório do resultado do levantamento popular carrega dois  problemas fundamentais. O primeiro, não mais nem menos grave que o  segundo, é a possibilidade de vir a ocorrer um efeito de contágio  noutros países onde as governações são igualmente alvo de muita  contestação, como o Egipto e a Argélia.\u003Cbr \/\u003EO segundo é que a alternativa  aos actuais poderes, tanto na Tunísia como nos dois outros países  referenciados, é a entrada em acção do fundamentalismo islâmico que  nunca necessita de eleições para assumir o poder, bastando-lhe ficar à  espreita para apelar aos sentimentos religiosos das populações  oferecendo-lhes um \"paraíso terrestre\" que todos sabemos não existir.\u003Cbr \/\u003EO  mundo ocidental, raramente atento às particularidades do mundo árabe,  tenta sempre aplicar as mesmas receitas com que vai curando as maleitas  resultantes de crises internas esquecendo-se que se tratam de realidades  opostas.\u003Cbr \/\u003EEnquanto na esmagadora maioria dos países ocidentais as  diferenças de opinião são debatidas em fóruns próprios, como os  parlamentos e as páginas dos jornais, no mundo árabe essas divergências  são quase sempre resolvidos através do recurso à violência, seja à bala,  ao cacetete ou à bomba.\u003Cbr \/\u003EE, ao longo de 23 anos, foi à cacetada, à  bala e à bomba que o agora fugitivo presidente da Tunísia conseguiu  impedir que o fundamentalismo islâmico vivesse dias de felicidade num  país que, pela tranquilidade assim conseguida, fazia as delícias de  turistas ocidentais que, também eles, foram agora obrigados a abandonar o  país às pressas não sabendo sequer se algum dia lá podem voltar.\u003Cbr \/\u003EEssa  postura de Ben Ali, muitas vezes alvo de duras críticas por parte do  Ocidente, custou-lhe numerosos inimigos internos que o acusavam,  precisamente, de estar a praticar uma política que agradava às grandes  potências e retirava à nação árabe a sua própria identidade.\u003Cbr \/\u003EÉ  precisamente na busca e na afirmação dessa \"identidade árabe\" que os  fundamentalistas islâmicos baseiam a sua propaganda espreitando e  aproveitando todas as oportunidades para se apoderarem do poder sendo o  Iraque um dos mais pragamáticos exemplos desta realidade.\u003Cbr \/\u003EDesta forma  a contestação popular que nas últimas semanas manchou de sangue as ruas  da Tunísia, desencadeada por pessoas que estavam cheias de boa vontade  para ver melhoradas as suas condições de vida e apoiada pelos principais  países ocidentais, corre sérios riscos de se transformar na via para a  instalação no poder de um regime fundamentalista.\u003Cbr \/\u003ENeste momento e  ainda na ressaca dos mais recentes acontecimentos, ninguém na Tunísia  acredita no sucesso de um processo eleitoral que terá que decorrer no  prazo de 60 dias. Este cepticismo resulta da pouca experiência dos  partidos políticos na participação em sufrágios e, igualmente, do facto  da camada mais pobre da população e que esteve na origem do início das  contestações estar particularmente vulnerável perante os apelos que lhes  vierem a ser feitos pelos clérigos islâmicos que sempre mantiveram com  Ben Ali uma relação de mera conveniência.\u003Cbr \/\u003EA procura de uma solução  não é tarefa fácil e Ben Ali era mais um problema do que uma solução  para o conflito tunisino. As coisas ainda estão frescas, mas sem uma  vigorosa ajuda internacional e sem a necessária maturidade política dos  seus principais líderes a Tunísia pode vir a conhecer momentos de cólera  que a transformarão de um quase paraíso terrestre num autêntico  inferno.\u003Cbr \/\u003EO que falta agora saber é se a classe política tunisina, que  no tempo de Ben Ali nunca teve grandes oportunidades para se mostrar  tem a maturidade suficiente para evitar que os fundamentalistas cheguem  ao poder. Disso depende o futuro da Tunísia e, quem sabe, também do  Egipto e da Argélia."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1453620035583646274"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1453620035583646274"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2011\/01\/fundamentalistas-espreitam-crise-na.html","title":"Fundamentalistas espreitam a crise na Tunísia"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]}]}});