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\/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        28 de Fevereiro, 2016\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         Às primeiras horas de ontem entrou\u0026nbsp; em vigor na Síria um  cessar-fogo que  deve estender-se a partir das zonas de melhor  comunicação para o  interior durante este fim- de- semana.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EA cessação de hostilidades – após o fracasso da  passada semana – enquadra-se num esforço de última hora entre os EUA e a  Rússia que durante toda a semana torceram vários braços para conseguir o  acordo. Como dissemos a semana passada não podia haver movimentos em  falso e daí o silêncio que as várias partes envolvidas mantiveram.\u003Cbr \/\u003ENa  última sexta-feira diplomatas dos Estados Unidos e da Rússia preparavam  ainda uma fórmula que garantisse a suspensão das\u0026nbsp; hostilidades nas  zonas previstas, bem como os mecanismos de verificação e fiscalização do  cessar-fogo. EUA e Rússia trocavam mapas sobres as áreas excluídas – as  dominadas pelo autoproclamado “estado islâmico” e o Jabhat al-Nusra,  movimento afiliado da Al Qaeda. Apesar de o Governo de Bashar al-Assad  ter dado o seu acordo bem como parte dos movimentos que lutam contra  ele, o principal agrupamento da oposição, que agrega 97 facções, apoiado  pelos sauditas, só a meio de sexta-feira anunciou a sua concordância.\u003Cbr \/\u003EDa  trégua estavam desde sempre excluídos os movimentos considerados  terroristas contra os quais tanto EUA e seus aliados, como a Rússia  poderão continuar as operações militares. Não estava contudo claro ao  final do dia de sexta-feira se as tropas governamentais apoiadas pela  Rússia e pelo Irão, quer directamente quer através do Hezbollah e da  Guarda Revolucionária iraniana, bem como os grupos que se opõem a Assad,  poderão tomar parte nas acções antiterroristas. Outro dos problemas  ainda em aberto horas antes de o cessar-fogo entrar em vigor era a  delimitação das áreas sob controlo das várias partes. Quem controla o  quê é um dos problemas que estava na mesa nas últimas horas e que é  bastante caro a todos os lados já que na última semana, apesar de um  abrandamento da actividade aérea russa, registou-se um aumento da  actividade militar governamental.\u003Cbr \/\u003EOs Estados Unidos e a Rússia  parecem dispostos a recuar o apoio aos rebeldes e a Assad,  respectivamente. Washington deixou claro, no que foi visto como um aviso  aos sauditas e outros aliados do Golfo, que não quer mísseis terra-ar  nas mãos dos grupos oposicionistas, por recear que eles acabem em  poder\u0026nbsp;\u0026nbsp; do “EI” ou do Jabhat al-Nusra. Um avião abatido na região, em  particular neste momento, poderia ter consequências muito para além do  conflito regional. Contudo nem Moscovo nem Washington escondem o receio  com a carta fora do baralho que é a Turquia, em oposição a qualquer  cessação de hostilidades que inclua as milícias curdas. John Kerry está  consciente das dificuldades que esse seu aliado, mesmo que a contragosto  de todos, é absolutamente imprevisível.\u003Cbr \/\u003EAinda estavam por definir,  ontem, as consequências de uma violação da trégua, como lhe chamou  Vladimir Putin, e a desconfiança explícita do Pentágono relativamente ao  Kremlin não ajuda. \u003Cbr \/\u003EA única coisa que neste momento importa é que,  com ou sem atraso, as hostilidades cessem - como realmente cessaram -\u0026nbsp;  para que a diplomacia possa encontrar uma solução política. Neste  particular é um facto que graças aos russos Assad está em muito melhor  posição que em Junho, quando quase parecia derrotável pela força, o que o  pode tornar mais receptivo a uma solução. Qual? Provavelmente estamos  ainda longe de saber mas não é de excluir um exílio. Importa porém  esperar que, se e quando Assad se retire, não se repitam as asneiras  feitas no Iraque que destruíram a máquina militar e administrativa do  país deixando o imenso caos de onde ainda não saiu mas que aproveitou, e  bem, ao autoproclamado “estado islâmico”."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1810564591908932861"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1810564591908932861"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2016\/02\/um-cessar-fogo-duvidoso-na-guerra-da.html","title":"Um cessar-fogo duvidoso na guerra da Síria"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-533639699785609976"},"published":{"$t":"2016-02-21T18:38:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2016-03-22T18:39:07.734+00:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Síria"}],"title":{"type":"text","$t":"A Síria no momento crítico"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        21 de Fevereiro, 2016\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         Como se esperava, na sequência dos desenvolvimentos da  semana, a  sexta-feira 19 de Fevereiro não foi o dia do cessar-fogo na  Síria,  acordado em Munique uma semana antes entre os Estados Unidos, a  Rússia e  respectivos aliados.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003ENão falta quem critique Moscovo, e até com alguma  razão, mas com o avanço governamental sobre Aleppo e al-Shaddad,\u0026nbsp; a 50  quilómetros de Raqqa, a autoproclamada capital do não menos  autoproclamado “Estado Islâmico” pelos combatentes curdos, liderando a  força governamental, a Rússia não ia cessar o apoio aéreo que permitiu  estes avanços. \u003Cbr \/\u003EAo mesmo tempo os curdos, aliados dos EUA contra o  “Estado Islâmico”, e apoiados pela Rússia, foram atacados no seu  território nativo pela artilharia e mais tarde a aviação turca que alega  apoiar “actos terroristas” do PKK – Partido dos Trabalhadores, que se  bate há décadas por um Estado curdo no Sul da Turquia e se aliou ao YPG  (Forças Democráticas Sírias) no combate ao “Estado Islâmico”.\u003Cbr \/\u003EA  situação criada pelo conflito entre o Governo turco, receoso da  capacidade militar curda, e os curdos que combatem o “Estado Islâmico”  e, ocasionalmente, outras forças opositoras ao presidente Assad criou a  maior das confusões no terreno e um imbróglio diplomático e político  onde toda a cautela é pouca. \u003Cbr \/\u003ENo fundo, estamos perante um país  membro da OTAN, a Turquia, que por razões políticas internas ataca  repetidamente um aliado dos EUA (outro país da OTAN) sem que a Aliança  Atlântica faça o mínimo: advertir o presidente Erdogan de que poderá  ficar só se provocar um conflito com a Rússia, o que ele parece estar a  tentar, e os EUA o pressionem com o corte de apoio militar se não cessar  os ataques aos curdos – a única força que se tem mostrado eficiente no  combate ao “Estado Islâmico”. \u003Cbr \/\u003EDo outro lado, está a intervenção  militar de Moscovo, que alargou o seu âmbito declarado para apoiar  ostensivamente o regime sírio, conseguindo não só aliviar a pressão  sobre Assad como fazer\u0026nbsp; recuar a oposição, seja a dita oposição  democrática, seja o “Estado Islâmico”.\u003Cbr \/\u003EA complicar ainda mais a  situação estão a Arábia Saudita, os Emiratos Árabes Unidos e o Qatar,  que dividem os seus apoios entre a “oposição democrática” e o “Estado  Islâmico”. Existe mesmo uma decisão de Riade e dos Emiratos Árabes  Unidos de enviar tropas especiais para trabalharem sob o comando dos  EUA. \u003Cbr \/\u003EOs três Estados do Golfo têm materialmente apoiado a oposição,  com dinheiro e armas, mas o “Estado Islâmico” tem também recebido a sua  parte, além, obviamente, do material de guerra norte-americano que  capturou às tropas iraquianas. \u003Cbr \/\u003EE se algum destes Estados, como  sucedeu no Afeganistão durante a ocupação soviética, fornecer alguns dos  sofisticados mísseis terra-ar que recebeu dos EUA? E se esses mísseis  forem usados para abater aviões russos? A escalada da guerra será  inevitável e imprevisível. \u003Cbr \/\u003EComo anteriormente aqui escrevemos,  Vladimir Putin tem um objectivo paralelo ao combate ao terrorismo:  colocar o seu aliado Assad numa posição minimamente confortável para as  conversações, designadamente, retomando o controlo de Aleppo,  al-Shaddadi e, se possível, Raqqa. Essa ambição, porém, coloca a  oposição politicamente correcta numa posição de fraqueza e, por isso,  torna ainda mais difícil o cessar-fogo. E que fazer aos curdos, que,  certamente, pretendem estabelecer um Curdistão da Turquia ao Iraque e  Irão? \u003Cbr \/\u003EO uso de poder militar para confrontar a Rússia e fazer Putin  recuar na sua estratégia é, obviamente, impensável dado o risco de um  confronto directo entre os EUA e a Rússia. Confronto que Erdogan parece  procurar sob o chapéu de chuva da OTAN considerando os actos e  declarações de hostilidade face a Moscovo, mas que os aliados europeus,  provavelmente à excepção da Polónia e de um ou outro país de Leste,  estão pouco interessados. \u003Cbr \/\u003EA União Europeia, neste momento bem mais  preocupada com a ameaça de saída do Reino Unido e em plena crise  económica, estaria, eventualmente, desejosa de levantar as sanções  impostas à Rússia por causa da Ucrânia, onde tudo continua a correr mal.\u003Cbr \/\u003EO  conflito tem de desescalar o mais breve possível e permitir o  estabelecimento de um cessar-fogo. A alternativa é entrar num processo  de negociação contínua de uma solução política na Síria, mesmo enquanto  os combates decorrem. Não é impossível, mas podemos contar com um  recrudescimento das acções militares e um espiral que facilmente se pode  descontrolar. \u003Cbr \/\u003EDe positivo, temos a abertura, pelo menos temporária  ou pontual, de alguns corredores humanitários para socorro de  populações, previstos nos acordos de Munique. A zona de interdição aérea  no Norte da Síria e Sul da Turquia, proposta por Angela Merkel é  consideravelmente difícil de pôr em prática no estado em que as coisas  estão no terreno. Uma zona neutra onde as populações possam encontrar  segurança não seria tão difícil, mas provavelmente teria de se situar em  território curdo, o que daria aos curdos o embrião do seu Curdistão,  mas enfrentaria uma posição feroz de Ancara.\u003Cbr \/\u003EEm síntese: todos  deixaram a situação ir longe demais, todos se envolveram no conflito,  dando apoio político e mesmo militar, condenando Assad e exigindo a sua  partida. Todos ignoraram a realidade. Neste momento, a única coisa a  fazer é uma diplomacia extremamente cautelosa, calar a grandiloquência  das declarações vazias e irrealistas, agarrar o acordo de cessar-fogo de  Munique e aproveitar a primeira oportunidade, por pequena que seja,  para conseguir, no mínimo, um cessar-fogo parcial. \u003Cbr \/\u003EJá morreram  pessoas a mais naquela guerra onde todos querem matar todos e o  autoproclamado “Estado Islâmico” quer mesmo matar todos os outros, e até  os que sobrarem. O controlo verbal, material, político e a moderação  entre os actores principais e a imposição de moderação aos seus clientes  serão factores essenciais para travar a espiral de violência. Já basta."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/533639699785609976"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/533639699785609976"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2016\/02\/a-siria-no-momento-critico.html","title":"A Síria no momento crítico"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-1264439890444427749"},"published":{"$t":"2015-12-21T18:51:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2016-03-22T18:51:53.176+00:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Síria"}],"title":{"type":"text","$t":"Passo em frente no conflito da Síria"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        21 de Dezembro, 2015\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         Como sempre é mais fácil dizer do que fazer, em Nova Iorque o  Conselho  de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma proposta de  resolução  avançada pelos EUA com apoio da Rússia prevendo um  cessar-fogo na Síria  dentro de um mês, conversações em Janeiro e  eleições 18 meses depois.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EPara este acordo ficou de lado o papel ou destino do  Presidente Bashar Al-Assad, a definição de quem pode participar nas  conversações de paz, como obter o cessar-fogo e como o monitorar.  Contudo, seria cínico não admitir que foi um importante passo em frente.  Um passo que não teria sido possível sem o acordo e apoio de Moscovo e  de Teerão, que provaram ser incontornáveis neste processo.\u003Cbr \/\u003EA questão  em aberto mais sensível, depois do futuro de Al-Assad, é a definição de  “terroristas maus” e “terroristas bons”, conforme as palavras do  ministro russo dos Estrangeiros Sérgio Lavrov. Acordo só houve  relativamente à exclusão do autoproclamado “Estado Islâmico” e da frente  Al-Nostra, um grupo afiliado da Al-Qaeda. Estes estão excluídos das  conversações que se quer iniciar em Janeiro. Todavia, não existe um  acordo claro sobre a definição de alguns dos restantes grupos dispersos  da oposição armada. Decorre daí que o trabalho de conseguir um  cessar-fogo, que não abrange territórios ocupados pelo “Estado Islâmico”  ou a Al-Nostra, considerados grupos terroristas para além de quaisquer  dúvidas. \u003Cbr \/\u003EDurante toda a semana passada o secretário de Estado John  Kerry fez uma maratona pela Europa, Médio Oriente e em especial Moscovo,  onde Vladimir Putin fez questão de mostrar o peso da Rússia no  processo, recebendo e debatendo directamente com Kerry, depois das  reuniões deste com o ministro Labrov. \u003Cbr \/\u003EO Irão deu o seu acordo prévio  à proposta norte-americana baseada no comunicado de Genebra de há três  anos, da qual decorreu um roteiro para a paz assinado em Viena a 14 de  Novembro, um documento em princípio consensual, retomado e adaptado como  proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU. Horas antes do  debate no Conselho de Segurança Kerry reuniu-se com diplomatas dos  países que apoiam a oposição síria, os cinco membros permanentes, a  Arábia Saudita, Irão, Turquia e União Europeia, para garantir um apoio  consensual ao documento. \u003Cbr \/\u003EOs Estados mais problemáticos são a Turquia  e a Arábia Saudita, que lidera a frente do Golfo, bem como o Irão, que  tem tropas no terreno. De Teerão não se esperavam, porém, grandes  problemas, nem devem surgir se a resolução for implementada com base em  consensos obtidos passo a passo, todavia a rivalidade da Arábia Saudita  face ao Irão e a forma como o Qatar têm interferido e financiado quase  indistintamente a oposição síria levam a uma especial atenção. \u003Cbr \/\u003ENa  reunião, que se saiba, não participaram representantes dos movimentos  que tentam derrubar Assad, o que nos deixa sem saber se eles estão à  partida na disposição de abrir um diálogo construtivo. Por outro lado, a  Turquia está sob pressão dos EUA para que retire completamente as  tropas que tem em território do Iraque e tome medidas no sentido de  propiciar um desanuviamento com Moscovo. \u003Cbr \/\u003EPutin ainda recentemente  ameaçou sem rodeios que qualquer ataque contra meios russos será objecto  de retaliação imediata. Advertência feita publicamente após uma reunião  do presidente russo com os seus chefes militares. Ora, a margem de  manobra de Putin tem vindo a aumentar, apesar das sanções, que se  mostraram um erro, já que prejudicam mais quem as impõem do que a  Rússia. O presidente russo, apesar da oposição, tem os mais elevados  níveis de popularidade, tendo despertado o orgulho dos russos com as  suas posições.\u003Cbr \/\u003EA exigência contida na resolução de um governo de  transição com plenos poderes parece ter sido pressionada por Moscovo e  foi anunciada por Lavrov numa conferência de imprensa conjunta com  Kerry. \u003Cbr \/\u003EO ministro russo deixou bem claro que não se podem repetir na  Síria os erros da intervenção norte-americana na Líbia. Não pode haver  vazio de poder que beneficie os grupos melhor organizados, em especial o  “Estado Islâmico”. A este propósito os serviços secretos alemães,  apesar da sua proverbial discreção, deixaram saber que na sua análise o  autoproclamado “Estado Islâmico” funciona de forma organizada, como um  Estado e não um grupo terrorista, o que, a ser verdade, e os alemães  costumam ser fiáveis, o torna um risco demasiado elevado.\u003Cbr \/\u003EA  disponibilidade da oposição para participar nas conversações de paz,  coincidentes, no mínimo, com o cessar-fogo, está agora nas mãos dos seus  apoiantes. Os europeus decidiram dizer basta, Washington parece  secundar esta posição. A maior dúvida coloca-se\u0026nbsp; nos Estados árabes. \u003Cbr \/\u003EPor  seu turno, Assad não se manifestou, que se saiba, mas está neste  momento dependente dos russos e dos iranianos, ambos decididos a duas  coisas: não deixar cair o seu aliado. Por isso não é\u0026nbsp; de admirar se a  Rússia aumentar a sua actividade militar para, com apoio iraniano, criar  maior espaço de manobra a Bashar Al-Assad para as negociações e levar o  processo de paz avante, sublinhando assim a sua importância regional.\u003Cbr \/\u003EOutros  problemas ficam. Como obter o cessar-fogo e o fiscalizar, como já se  disse, mas também como criar condições em 18 meses para levar a cabo  eleições sob a égide e verificação da ONU num país devastado pela guerra  onde ninguém parece preocupado com a vida de civis. \u003Cbr \/\u003EPara não falar  já do direito de participação eleitoral, previsto na resolução aprovada,  dos refugiados sírios, qual o papel de Assad e como manter a  integridade territorial da Síria, uma exigência russa contemplada também  nesta resolução. Ano e meio para tudo isto e garantir que a violência  não regresse? Por experiência, todos sabemos que é mais fácil falar do  que fazer."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1264439890444427749"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1264439890444427749"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2015\/12\/passo-em-frente-no-conflito-da-siria.html","title":"Passo em frente no conflito da Síria"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-3575819498409820440"},"published":{"$t":"2015-11-02T19:13:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2016-03-29T19:14:15.267+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Síria"}],"title":{"type":"text","$t":"O recomeço das conversações sobre a Síria "},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        2 de Novembro, 2015\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         A estratégia russa na Síria parece ter dado os incentivos necessários ao arranque de novas conversações de paz para o país.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EDesde o início, a intervenção russa foi objecto de  críticas dos norte-americanos e seus aliados no Golfo, bem como de  alguns países europeus, em particular da França. \u003Cbr \/\u003EMoscovo não se  lançou na intervenção em apoio “de facto” de Bashir Al Assad, a pretexto  do combate ao autoproclamado “estado islâmico”, sem uma estratégia  diplomática e um objectivo bem definido. \u003Cbr \/\u003EO objectivo é manter,  consolidar e se possível aumentar a sua posição no Médio Oriente, e isso  passa por uma estratégia que, combatendo o grupo terrorista, apoie  também Assad a reequilibrar a sua força face à chamada oposição moderada  síria. \u003Cbr \/\u003EO primeiro resultado foi a cimeira de sexta-feira em Viena,  onde apesar de Serguei Lavrov e\u0026nbsp; John Kerry “concordarem em discordar”,  os participantes (Arábia Saudita, EUA, França, Grã-Bretanha, Irão,  Qatar, Rússia e Turquia) decidiram explorar as possibilidades de um  cessar-fogo em todo o país, solicitaram à ONU que supervisione uma nova  Constituição, com vista a eleições, e apesar de não haver um calendário,  fixaram nova reunião para meados de Novembro.\u003Cbr \/\u003EPela primeira vez, o  Irão foi convidado para as conversações, como o havíamos previsto há  alguns meses nestas páginas, tornando-se, tal como a Arábia Saudita,  incontornável numa solução duradoura. \u003Cbr \/\u003EO maior problema que se  colocou até agora aos russos parece ser a incapacidade do Exército  regular sírio em tirar partido do apoio aéreo russo ou da janela de  oportunidade após os ataques com mísseis de cruzeiro “SSN-30”, de longo  alcance, usados pela primeira vez. \u003Cbr \/\u003ENote-se que a máquina de  propaganda russa divulgou alguns vídeos através dos Media sociais e,  designadamente, do YouTube, mostrando a elevada cadência de lançamento  destes sistemas e até explicando as trajectórias para, a partir do Mar  Cáspio, atingirem a Síria, depois de sobrevoarem o Irão e o Iraque,  muito perto da Turquia. \u003Cbr \/\u003EPara suprir as dificuldades das tropas  governamentais num avanço contra rebeldes, que receberam da Arábia  Saudita (com autorização dos EUA) novo equipamento anti-tanque  norte-americano, o Irão enviou abertamente uns milhares de homens da  elite da Guarda Revolucionária. A estratégia russa estava em marcha.  Equilibrar as forças no terreno para fazer avançar a diplomacia.\u003Cbr \/\u003ENesta  última reunião, nem Assad nem os rebeldes estiveram presentes, e tudo  foi decidido por eles pelos russos e iranianos, de um lado, e os EUA e  seus aliados, do outro. De notar que Washington vê com alguma reserva a  entrega de armamento muito sofisticado à oposição armada síria, pois não  é possível ignorar a força do “Estado Islâmico”, e existem receios de  que este grupo se possa apoderar dessas armas, como o fez com os  blindados norte-americanos entregues ao Exército iraquiano.\u003Cbr \/\u003EO facto  de não existir uma calendário é, apesar de tudo, positivo. Moscovo e  Teerão insistem em que Assad, bem como os alauitas, tenham um papel na  transição. Os EUA e seus aliados opõem-se. Resta saber a posição de  Pequim que, segundo algumas notícias não confirmadas, terá despachado  para o Mediterrâneo uma força de apoio às tropas russas. Mesmo sem  tropas no teatro, Pequim tem apoiado as posições do Kremlin de forma  consistente. O diálogo entre os actores externos não se afigura fácil,  ainda por cima com a França em bicos de pés, a defender de modo  fundamentalista o afastamento de Assad. \u003Cbr \/\u003EBerlim, que se mantém à  margem, não esconde, através da própria chanceler Ângela Merkel, que  prefere o diálogo com Bashir Al Assad, do mesmo modo que favorece o  diálogo com Moscovo.\u003Cbr \/\u003ESem calendário, apesar de não existir pressão,  existe margem de manobra para todos os lados, pacientemente, debaterem a  questão, em especial os actores externos que inevitavelmente terão de  impor a solução aos que morrem no terreno. \u003Cbr \/\u003EComo é evidente, o tempo  corre a favor de Assad, se as suas tropas conseguirem, com o apoio  iraniano e do Hezbollah, aproveitar a intervenção russa, que até agora  tem procurado mais abrir espaço ao longo da costa com ataques ocasionais  ao autoproclamado “Estado Islâmico”. O risco: se as partes, todas elas,  não forem capazes de se entender, o conflito tem o potencial para se  transformar num confronto indirecto entre os EUA e a Rússia, que todos  procuram, de momento, evitar."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/3575819498409820440"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/3575819498409820440"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2015\/11\/o-recomeco-das-conversacoes-sobre-siria.html","title":"O recomeço das conversações sobre a Síria "}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-8306675067367534673"},"published":{"$t":"2014-08-26T20:11:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-03-29T20:13:14.345+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"jornalismo"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Síria"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Terrorismo"}],"title":{"type":"text","$t":"A morte do jornalista James Foley"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        26 de Agosto, 2014\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         James Wright Foley, foto jornalista americano raptado a 22  de Novembro  de 2012 no noroeste da Síria, foi decapitado a 19 de Agosto  passado e as  imagens de “uma mensagem à América” divulgadas no You  Tube circularam  por todo o mundo.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EO vídeo não mostrava o assassínio em si mesmo, mas o  seu corpo depois de ele ter lido uma mensagem claramente decorada ou  lida de um teleponto qualquer. Pela primeira vez, fora da América  Central dos anos 80, um jornalista é assassinado publicamente. Uma vida  por um resgate, os duros recusaram negociar com terroristas ao contrário  de alguns dos seus parceiros, ninguém se irá lembrar que a quantia paga  não sustenta a guerra nem admitir que não fica diminuído por negociar.\u003Cbr \/\u003EEm  Julho deste ano, Barack Obama autorizou uma operação de resgate com  base num conjunto supostamente sólido de informações que levavam os  serviços secretos americanos a acreditar que ele e outros reféns, todos  jornalistas, estavam detidos em Ragga, no Leste da Síria. \u003Cbr \/\u003EA operação  envolveu operações especiais dos vários ramos das Forças Armadas, o 160  º Regimento de Operações Especiais da Aviação, a célebre Força Delta,  helicópteros e aviões de asa fixa. As forças americanas entraram em  combate em território sírio contra forças do autoproclamado Estado  Islâmico do Levante que sofreu, segundo o Pentágono, elevadas baixas. \u003Cbr \/\u003ETodavia  a operação gorou-se, porque os reféns haviam sido mudados de local e  aparentemente os “drones” usados nesta operação e sua preparação não  deram pela mudança dos prisioneiros. Os raptos têm sido uma excelente  fonte de financiamento para os extremistas islâmicos. Desde jornalistas a  camionistas os resgates têm sido pagos. Desta vez foi um jornalista  americano cuja família não tinha possibilidade de pagar os cem milhões  de dólares exigidos e o Governo manteve-se firme na sua política  (discutível) de não negociar com terroristas (o que parece não ser  inteiramente verdade). \u003Cbr \/\u003EOutros Governos têm negociado libertações com  sucesso. Mas a questão que aqui importa sublinhar é a transformação dos  jornalistas de veículos de informação em alvo de rapto, o que  aparentemente dá na sua fase final bem mais publicidade que as  negociações de bastidores ou o relato de uma verdade que nem sempre  agrada a um dos lados.\u003Cbr \/\u003EOs Estados Unidos têm agora, mesmo que não  quisessem, de intervir. Porém Obama parece estar a considerar um ataque  no Norte da Síria sob “controlo” do Estado Islâmico de consequências  duvidosas. \u003Cbr \/\u003EAtacar o que é agora a rectaguarda dos extremistas é bem  mais inútil que cortar-lhe as linhas de abastecimento e manter um apoio  aéreo consistente às forças curdas que defendem o Curdistão iraquiano  com escassos meios. Durante toda a semana os F-19 do porta aviões George  H. Bush (pai de George W.) fizeram centenas de saídas a partir do Golfo  Pérsico, onde o navio se encontra desde 31 de Julho. O problema  americano é ter agido tarde demais, e não poder pedir à Turquia, sem a  envolver no conflito sírio, o uso da base de Tikrit, o que colocava os  F-18 e aviões de apoio mais perto do alvo e permitia um uso mais  eficiente da aviação. \u003Cbr \/\u003EO apoio aéreo contra o Estado Islâmico do  Iraque e da Síria (Califado Islâmico do Levante), ironicamente tem sido  feito pela aviação síria que tem atacado posições do Estado Islâmico em  território curdo.\u003Cbr \/\u003ENas últimas horas, enquanto se prolonga sem fim à  vista o conflito na Palestina, o ministro dos Estrangeiros iraquiano  encontrou-se inesperadamente em Teerão com o seu homólogo iraniano. Do  encontro não houve declarações oficiais, transpirando apenas uma  hipotética ajuda iraniana ao Iraque se os EUA levantassem as sanções, o  que significa que Teerão estaria na disposição de pressionar dentro da  fraca influência que tem no Califado do Levante para uma solução  negociada entre a minoria xiita e os sunitas, maioria da população e que  controla o Governo. Nada é menos certo que Washington aproveite esta  oportunidade para reatar o diálogo com o Irão. \u003Cbr \/\u003ENada é também menos  certo que as imagens da Palestina mudem e seja encontrada, pelo menos,  uma trégua prolongada que permita um diálogo. Não enquanto Israel  responder a um fogacho de morteiro com as bombas e mísseis dos F-16 e  outras aeronaves.\u003Cbr \/\u003ESe o prazo de três anos dado esta semana pelo Papa  Francisco, para cumprir a sua missão ou ver\u0026nbsp; resultados, se prende com  estes dois conflitos, para não falar na Ucrânia e nos conflitos de baixa  intensidade um pouco por todo o lado, então definitivamente Francisco  está a prazo. \u003Cbr \/\u003EA Igreja tem muitos problemas por resolver e tem de os  resolver apesar da oposição interna. Francisco tem apostado muito na  política internacional, nas chamadas de consciência. Porém os políticos  que gostam tanto de sublinhar que foram à missa não lêem as declarações  do herdeiro de Pedro."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/8306675067367534673"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/8306675067367534673"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2014\/08\/a-morte-do-jornalista-james-foley.html","title":"A morte do jornalista James Foley"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-2250052204976295102"},"published":{"$t":"2014-02-18T14:52:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2016-03-31T14:52:19.639+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Síria"}],"title":{"type":"text","$t":"Estratégia negocial errada para Síria"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo|\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        18 de Fevereiro, 2014\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         O regresso periódico dos colunistas à questão síria mostra   manifestamente a urgência de conseguir uma solução para um conflito,   porventura gerado ou fomentado do exterior e que há três anos castiga o   povo sírio sem que se vislumbre de novo uma saída.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EApós uma segunda ronda de negociações em Genebra,  parece ser evidente que a estratégia adoptada pelo mediador da ONU,  Lakhdar Brahimi, sob pressão mais ou menos discreta dos Estados Unidos,  não está a resultar, como não está a resultar a transposição do que  parece ser a Terceira Guerra Fria, entre os EUA e a Rússia, para o  terreno no Médio Oriente e a mesa das conversações.\u003Cbr \/\u003EEvidente, após o  encontro da última semana, é que procurar discutir um governo de  transição para a Síria sem a existência de um “road map” para uma  solução do confronto é uma não-solução.\u003Cbr \/\u003E\u0026nbsp;O Governo sírio aceitou, por  proposta de Moscovo, a entrega para destruição das suas armas químicas,  de todo o seu arsenal, que neste momento está a bordo de um navio  norte-americano ao largo de Espanha para destruição no mar. Ao fazê-lo,  abriu as portas a um processo negocial que deveria ser abordado de um  modo internacionalmente abrangente e tendo em conta a delicadeza das  questões que estão em cima da mesa – a mais difícil das quais é a  substituição, exigida pela oposição síria com apoio dos EUA, do  Presidente Assad e do Governo. Todavia, mais importante do que uma dança  de cadeiras é a segurança do povo sírio protagonista e vítima deste  conflito. \u003Cbr \/\u003EOra verifica-se em Genebra que, em nome do povo sírio, se  procura o acordo para a constituição de um governo de transição sem que  se tenham primeiro respondido a questões fundamentais como um  cessar-fogo em todo o território, o apoio aos refugiados e deslocados e,  muito em especial, um acordo entre as várias facções que combatem o  Governo, ao mesmo tempo que se combatem umas às outras. Perante um  cenário destes, não é fácil nem o trabalho de Lakhdar Brahimi nem a  obtenção de um acordo consequente para os sírios. O governo de transição  deveria ser o último ponto a incluir na agenda, mas deveria existir uma  agenda, o tal “road map”, que definisse, à partida das conversações,  qual o caminho a seguir, começando pelo fim da violência, para acabar na  eventual escolha de um novo Presidente e Governo. \u003Cbr \/\u003ENesta segunda  ronda verificou-se uma insistência inusitada na abordagem de um governo  de transição, em detrimento de todas as outras, designadamente, o  desarmamento e neutralização de grupos armados não representados pelo  Conselho Nacional Sírio e com ligações à Al Qaeda. Se não cabe,  obviamente, aos observadores encontrarem e proporem soluções  alternativas, nada impede, porém, que apontem que este caminho está  errado. Existem, no passado, experiências que se revelaram dramáticas  por as pretensas soluções políticas serem postas em prática sem que o  desarmamento tivesse lugar. É, sabe-se comprovadamente, a receita do  fracasso. Como é de fracasso uma solução que pugne desde logo pelo  suicídio político de uma das partes, como se está a fazer face a Assad. \u003Cbr \/\u003EA  Rússia assume com alguma consequência o seu papel, procurando  pacientemente uma solução sem falar em governos de transição e apoiando  os representantes governamentais nas conversações quando recusam  discutir esse tema. A influência que o Kremlin pode ter sobre o Governo  de Damasco não tem paralelo, contudo, com a tentativa norte-americana de  liderar ou mostrar que está a liderar o processo em muito pouco  contribui para que se encontre uma saída política para a guerra. \u003Cbr \/\u003EO  afastamento do Irão por exigência dos Estados Unidos, porventura  influenciados por Israel, também não contribui para a abrangência  internacional conveniente ao processo de Genebra II. Teerão tem vindo a  fazer sentir a presumíveis dirigentes da Al Qaeda que estavam no país  que deveriam sair. O egípcio Thirwat Shihata, adjunto do actual líder da  organização Ayman al-Zawahiri, abandonou a semana passada o Irão na  sequência de uma onda de partidas de líderes extremistas estrangeiros  que desde o 11 de Setembro estavam no país. \u003Cbr \/\u003ECom esta política Teerão  procura por um lado mostrar a sua boa fé num novo relacionamento com o  Ocidente, aliviar as pressões externa e interna, sem contudo perder  totalmente a influência sobre alguns grupos que apoia. Israel nem quer  ouvir falar da influência iraniana e muito menos de aproximação do Irão  aos EUA e Europa. Contudo, Teerão pode ter influência não negligenciável  sobre alguns extremistas que põem em causa qualquer acordo de paz na  Síria. \u003Cbr \/\u003EBarack Obama, terminada em impasse esta segunda ronda sem que  um terceiro encontro tenha ficado desde já agendado (outo erro), pediu  aos seus assessores que encontrem alternativas. Mas a agenda interna do  Presidente dos Estados Unidos limita as alternativas, pelo menos as  aceitáveis."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/2250052204976295102"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/2250052204976295102"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2014\/02\/estrategia-negocial-errada-para-siria_18.html","title":"Estratégia negocial errada para Síria"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]}]}});