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     7 de Abril, 2010\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         \u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv align=\"justify\"\u003EO dia não podia ter sido mais bem  escolhido pelos militares da Guiné-Bissau: 1º de Abril! No dia das  mentiras os militares guineenses decidiram sair à rua mais uma vez para  uma incompreensível fantuchada que em nada prestigia o país africano e  cria ainda mais dificuldades ao que pretendem ajudar.\u003Cbr \/\u003ESe o termo  “fantuchada” pode parecer forte ou inapropriado para esses actos, a  verdade é que chegou o momento de chamar as coisas pelos seus nomes. \u003Cbr \/\u003EA  CPLP e a sua missão exploratória, a missão da União Africana, e da  Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) estão em  Bissau desde a primeira hora a tentar perceber o que se passou e como  ajudar o Governo guineense, nas palavras quer do Secretário Executivo da  CPLP quer do embaixador de Portugal proferidas após reuniões com o  Primeiro-Ministro e o Presidente da Republica.\u003Cbr \/\u003EOs militares saíram à  rua pela “enésima” vez desde a independência. Prendem o  Primeiro-Ministro, libertam o Primeiro-Ministro, destituem o Chefe do  Estado-Maior das Forças Armadas e autoproclamam um novo chefe, não  conseguem explicar o seu objectivo mas reiteram que respeitam o Poder  Politico, o próprio Primeiro-Ministro vem falar em normalidade, o  Secretário Executivo da CPLP de outros membros da missão dizem que tudo  está longe de ser normal. É um facto.\u003Cbr \/\u003EA explicação para esta atitude  dos militares existe seguramente. Mas, mais do que encontrar uma  explicação para este novo “golpe” (“por assuntos internos dos  militares”, de acordo com o cabecilha do grupo) é altura da Comunidade  Internacional dizer basta!\u003Cbr \/\u003EUm país não é governável no ambiente que a  Guiné-Bissau tem vivido desde a independência e a mensagem tem de ser  passada não só aos militares guineenses como aos países fronteiriços que  sempre gostaram de se imiscuir nos assuntos internos do país. Porém,  esta mensagem tem de ir bem mais além, tem de chegar aos cartéis da  droga que, segundo agências da ONU e serviços de inteligência  internacionais elegeram a Guiné-Bissau como um ponto de trânsito entre a  América do Sul e a Europa.\u003Cbr \/\u003EA combinação de factores que parecem  entrecruzar-se num dos países mais pobres de África, desestabilizando o  seu caminho, o seu povo e criando-lhe a reputação de um Estado sem lei  onde o assassínio político se banalizou ou esconde outro tipo de motivo  que nada tem de político.\u003Cbr \/\u003EAo lado do chefe insurrecto que depois de  prender e libertar o Primeiro-Ministro, ameaçar a Presidência, e dizer  que respeita o poder politico, António Indjai, estava o almirante José  Américo Bubo Na Tchuto, que os “revoltosos” foram buscar às instalações  da ONU onde se encontrava refugiado à espera de ser entregue às  autoridades por alegado envolvimento noutra tentativa de golpe militar.  Almirante que, por coincidência, é apontado como um dos homens ligados  aos cartéis da droga.\u003Cbr \/\u003EDe acordo com o diário francês “Le Monde”, a  droga é transportada a partir da América do Sul, designadamente da  Venezuela, e largada na zona dos Bijagós. \u003Cbr \/\u003EAí é recolhida por embarcações que a encaminham depois para a Europa.\u003Cbr \/\u003EA  confirmarem-se as alegações que múltiplas agências de combate à droga  têm feito relativamente aos militares e até políticos guineenses, o  problema deixa de ser uma questão interna da Guiné-Bissau para passar a  ser da Comunidade Internacional. Se a estas alegações se acrescentarem  as conhecidas rivalidades no partido do poder e as ambições entre os  militares, estamos a ter um quadro sinistro do futuro do país.\u003Cbr \/\u003EAs  várias missões podem procurar encontrar as explicações para o que se  passa e exprimir-se na labiríntica linguagem diplomática. Permanece uma  questão de fundo: os direitos do povo guineense que lutou pela sua  independência e luta pelo seu futuro.\u003Cbr \/\u003EAo contrário do que afirmou o  Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o  guineense Domingos Simões Pereira, após um encontro com o  Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior, uma força de manutenção de paz da  CPLP tem plena justificação. Os povos têm o direito a ser defendidos  mesmo dos que detêm o poder nos seus países. Os políticos têm  divergências até quando estão no mesmo partido, é por isso que são  políticos e têm obrigações com os seus povos, a primeira das quais a  defesa. Sem estabilidade não pode haver auxílio económico nem planos de  desenvolvimento. O turismo, uma boa fonte de rendimento do país, vai-se.  Os turistas não gostam de tiros nem de instabilidade. Normalmente  nestas circunstâncias mesmo os mais liberais dizem “um charro? Não  obrigado!” Por tudo isso é altura de dizermos: Basta!\u003C\/div\u003E"},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/2404559447077707797"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/2404559447077707797"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2010\/04\/tentar-compreender-o-incompreensivel.html","title":"Tentar compreender o incompreensível"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]}]}});