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\"eurodiktat\""},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        22 de Agosto, 2015\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         A crise grega voltou a acentuar-se após a negociação e  aceitação do  terceiro pacote de auxílio económico aprovado pela  eurozona há semanas,  cuja primeira fatia foi paga nos últimos dez dias.  Alexis Tsipras, o  primeiro-ministro eleito numa plataforma  anti-austeridade apresentou a  sua demissão.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EUm terço dos deputados do seu partido, o Syriza,  votou contra o euro-pacote ou absteve-se para que pudesse ter aprovação  parlamentar com o apoio do restante partido e parte da oposição.\u003Cbr \/\u003EA  demissão não foi totalmente inesperada. Tsipras estava em posição  enfraquecida depois de ter convocado um referendo que recusou as medidas  de austeridade que o euro-pacote implicava. Pressionado pela situação  financeira, designadamente, da banca grega estrangulada pela falta de  financiamento do Banco Central Europeu (BCE), certamente concertada com o  Eurogrupo, não restava outra alternativa a Tsipras que não a de  aceitar, com algumas alterações cosméticas, o euro-pacote. Para  prosseguir com alguma tranquilidade um caminho que o FMI considera  “impossível” Alexis Tsipras necessita de um mínimo de estabilidade. O  euro-pacote teve a oposição alemã e de outros parceiros europeus e ainda  se desconhece a verdadeira extensão das pressões dos Estados Unidos  sobre a Alemanha e outros aliados europeus. Para Washington, Atenas  aproximava-se demasiado de Moscovo e a Grécia tem para a OTAN uma  localização estratégica. \u003Cbr \/\u003EA resistência grega foi fútil contra o  “eurodiktat”. O Eurogrupo quis, o Eurogrupo impôs. Os gregos não queriam  abandonar o euro e Tsipras teve de conciliar o inconciliável. O  espantoso é que apesar das críticas do FMI e dos seus alarmes  relativamente à sustentabilidade do euro-pacote, os neoliberais do  Eurogrupo mantiveram a ortodoxia já comprovadamente uma receita de  fracasso. Os casos da Irlanda e de Portugal não são casos de sucesso da  receita, apenas eram menos complicados. A Grécia tem problemas  estruturais que se reflectem na sua despesa pública e dívida externa  (muita com origem privada). O FMI fez saber que se mantinha fora deste  pacote de auxílio se não houvesse uma reestruturação da dívida, mais  claramente um perdão parcial considerável. A manter-se a presente  situação, segundo o FMI, uma fatia do resgate ia para a capitalização da  banca grega, a austeridade iria contrair ainda mais o consumo e  aumentar o desemprego, provocando uma diminuição das receitas fiscais do  Estado e o aumento da despesa social. \u003Cbr \/\u003EA dívida nas condições  impostas não é, para o FMI, sustentável, ou seja, pagável. O  “eurodiktat”, contudo, fez orelhas moucas aos alertas do FMI, seguindo o  princípio definido pela Alemanha de que no zona euro não pode haver  perdões de dívida. Há quem sustente que Angela Merkel poderia estar  disposta a debater o assunto, mas que tem a oposição absoluta do seu  ministro da Finanças, Wolfgang Schauble, a que se junta Jeroen  Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças holandês. \u003Cbr \/\u003ECom  a atenção focada exclusivamente no euro e sua sobrevivência é evidente  que a solução é distorcida, alheia à realidade e arrisca a ser causa  permanente de focos de crise. Claro que o “eurodiktat” tem,  inconfessadamente, subjacente o receio de que em Espanha, França ou  Itália, a situação financeira se possa complicar, apesar de Espanha e  Itália estarem a seguir medidas de austeridade e terem, de facto, de  forma camuflada, a complacência equivalente aos programas de  austeridade. Não se percebe muito bem como é que o Eurogrupo fiel ao seu  “eurodiktat” vai realizar o resgate à Grécia sem o apoio do FMI. Como  resta saber se o FMI pode ficar de fora sem afectar a sua credibilidade.  Para já, os efeitos deste início de crise grega não se estão a sentir  no euro, que se está a valorizar face ao dólar, invertendo (pelo menos,  temporariamente) uma tendência de queda, mas a verdade é que a  valorização do euro tem mais a ver com a política das taxas de juro do  Reserva Federal americana e o impacto da crise asiática nos EUA do que  com a solidez financeira da eurozona. Resta também saber se a eurozona  pode sobreviver ao “eurodiktat”. Se o euro quer ser mais do que uma  construção política à medida dos países mais ricos, a União Europeia tem  de recentrar as suas prioridades. Sobretudo, não tomar a sua própria  propaganda pela realidade."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1024921111247596247"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1024921111247596247"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2015\/08\/eurozona-ou-eurodiktat_22.html","title":"Eurozona ou \"eurodiktat\""}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-7280734398309330685"},"published":{"$t":"2015-07-12T19:30:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-03-29T19:30:48.856+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Crise económica"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Europa"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Grécia"}],"title":{"type":"text","$t":"As consequências da crise grega"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjami Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        12 de Julho, 2015\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         O resultado do referendo de domingo na Grécia só foi  surpresa para quem  queria andar distraído. Os gregos pronunciaram-se e a  bola passou para  os parceiros europeus, em particular os do Eurogrupo.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EA decisão não é técnica. Implica fundamentos técnicos  mas essencialmente será uma decisão política se a União Europeia não  quer de facto pôr em causa as economias dos seus parceiros comerciais,  em geral dos Estados com quem tem relações de natureza económica. Em  última análise pode atingir a própria estabilidade do sistema financeiro  que há demasiado tempo está suspenso à espera que a poeira assente na  Europa.\u003Cbr \/\u003EOs gregos pronunciaram-se pelo óbvio, não é possível viver  num regime de austeridade já lá vão cinco anos e não ter perspectivas de  recuperação. O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) o reconhece  num relatório que, surpreendentemente, na semana passada, em plena  campanha do referendo, divulgou considerando a dívida grega impagável e  abordando a necessidade de um perdão parcial. \u003Cbr \/\u003EO relatório teve pouca  divulgação na Europa, à excepção claro da Grécia. Sendo o FMI um dos  maiores críticos de Tsipras e em larga medida responsável pela actual  ruptura, é lícito interrogarmo-nos sobre o “timing”. Para muitos, a mão  dos EUA esteve por trás desta publicação. Washington tem manifestado  repetidamente preocupação com uma eventual saída grega do euro ou mesmo  da União Europeia. Daí as conversas de Obama com Merkel e Hollande e do  presidente da Reserva Federal com os governadores dos bancos centrais e  até mesmo do Banco Central Europeu (BCE). Não porque a Casa Branca tenha  particular simpatia por Tsipras, mas porque a Administração  norte-americana não está mesmo nada disposta a enfrentar uma nova crise,  e muito menos uma aproximação de Atenas a Moscovo. \u003Cbr \/\u003EAs maiores  dificuldades a um acordo entre a Grécia e os seus credores vêm dos seus  parceiros europeus. Tsipras pretendeu recomeçar negociações na  segunda-feira manifestando assim disponibilidade negocial e empenho no  euro, mesmo que domingo, quando o primeiro-ministro grego fez este  anúncio não se conhecesse qualquer proposta em apreciação. \u003Cbr \/\u003EAngela  Merkel, tal como François Hollande, Jean-Claude Junker ou o radical  ministro das Finanças holandês que preside ao Eurogrupo mantiveram-se em  silêncio apesar de um porta-voz do Governo alemão fazer coro com o  presidente do Eurogrupo, rematando de novo a bola para o campo grego ao  afirmarem que cabia a Atenas apresentar novas propostas. \u003Cbr \/\u003EMerkel  limitou-se a deixar saber que entendia não estarem reunidas as condições  para uma reestruturação da dívida grega. Na verdade, nestas  circunstâncias quanto menos se falar melhor. O clima de tensão entre a  Grécia e os seus parceiros europeus subiu demasiado e é necessário que  os ânimos arrefeçam, e quanto mais depressa melhor. \u003Cbr \/\u003EOs partidos  europeus tradicionais nesta fase do campeonato já se deviam ter  apercebido de que os eleitores estão abertos a novas propostas  alternativas – veja-se o que sucedeu na Grécia com a vitória do Syrisa,  em Espanha com a votação no Podemos, em Itália ou em França, onde a  extrema direita isolacionista ganha terreno dia-a-dia. Possivelmente  ainda não perceberam.\u003Cbr \/\u003EA verdade é que se a Grécia está entre a espada  e a parede com o esgotamento do dinheiro e pode ter de cair numa saída  do euro, não é menos verdade que o Eurogrupo, deixando isso suceder,  está a dar um sinal de fragilidade que tem consequências graves bem para  lá da Europa. Do ponto de vista estratégico, já o escrevemos várias  vezes, está a favorecer Moscovo, um contra-senso numa União que, com a  sua política face à Ucrânia, parece ter feito da Rússia um adversário à  semelhança dos EUA. Sem esquecer claro que existe uma sobreposição entre  membros da OTAN e da União Europeia. \u003Cbr \/\u003EPortanto, se a Grécia está  numa posição difícil, o resto da União Europeia não está menos. Pagar  pela permanência da Grécia ou pagar os custos da sua saída basicamente é  a escolha que o Eurogrupo, sob liderança alemã, tem de fazer. Pagar  reestruturando a dívida grega, levar Atenas a concordar com a fuga à  evasão fiscal e os gregos a contribuir para a sua própria economia  transitando da economia paralela para a institucional é outro caminho.  Não serve de nada injectar na economia grega biliões apenas para pagar  dívidas antigas e juros, o dinheiro futuro tem de entrar na economia  real, propiciar o desenvolvimento e o crescimento e deste modo reduzir o  desemprego e aumentar as receitas fiscais. \u003Cbr \/\u003EA alternativa é deixar  cair a Grécia facilitar ou estimular a sua saída do euro e quiçá da  União Europeia. Neste caso essa União Europeia terá de enfrentar as  consequências da crise que vai abrir. Uma crise que vai atingir o euro  e, portanto, reduzir o poder de compra do mercado europeu, afectando as  economias de fornecedores de matérias-primas, pela contracção de  importações desses mercados, ao mesmo tempo que o valor da moeda  europeia estimula as importações de bens europeus. \u003Cbr \/\u003ENão é necessário especular muito para recear as consequências."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/7280734398309330685"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/7280734398309330685"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2015\/07\/as-consequencias-da-crise-grega.html","title":"As consequências da crise grega"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-3910023309867850846"},"published":{"$t":"2015-06-22T19:32:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-03-29T19:32:34.947+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Crise económica"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Grécia"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Putin"}],"title":{"type":"text","$t":"Grécia e ameaça de Putin"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        22 de Junho, 2015\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         A crise grega está para ficar, depois de, no final da semana, os credores terem adiado para esta semana uma solução.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EEnquanto o Eurogrupo se reunia sexta-feira e sábado  em Bruxelas, Alexis Tsipras prorrogava a sua estada em Moscovo e as suas  conversações com Vladimir Putin. \u003Cbr \/\u003EOs credores não conseguiram chegar  a acordo com os gregos em Bruxelas, mas Alexis Tsipras e Vladimir Putin  parecem ter concordado num novo traçado de gasoduto com o terminal  situado na Grécia e, quem sabe, uma possível extensão no futuro.\u003Cbr \/\u003EEm  primeiro lugar, é bom esclarecer que os patrões do euro passaram os  últimos anos a transferir a dívida grega dos bancos privados, muitos  deles alemães, para as instituições financeiras internacionais, o Fundo  Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e outros  órgãos ligados à Comissão Europeia. \u003Cbr \/\u003EIsto significa que, se a Grécia  não pagar, se decidir abandonar o euro e, eventualmente, até a União  Europeia, as instituições financeiras privadas não vão perder um  cêntimo, porque a dívida aos privados foi paga com empréstimos  institucionais. \u003Cbr \/\u003EPortanto, a Grécia deve aos contribuintes europeus,  que foram metidos neste filme com a finalidade de “salvar” os bancos  comerciais de problemas sérios.\u003Cbr \/\u003EEm segundo lugar, não é evidente que Atenas e os gregos tenham a perder com uma saída do euro ou mesmo da União Europeia. \u003Cbr \/\u003ESe  os gregos resolverem dizer que não pagam nem têm medo de ninguém e,  calmamente, forem introduzindo o velho dracma (antiga moeda grega) no  sistema financeiro, a única coisa que as instituições credoras – o Fundo  Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a União  Europeia podem fazer é fechar a torneira à economia grega, desvalorizar  brutalmente o dracma e cortar o crédito institucional. Isto não  significa que as instituições financeiras privadas façam o mesmo.\u003Cbr \/\u003EEm  terceiro lugar, a economia grega não depende substancialmente de  exportações, excepto, claro, o turismo considerado como tal, e portanto o  impacto nos gregos pode não ser mais dramático do que a austeridade  adicional que se lhes pretende impor. \u003Cbr \/\u003EClaro que nem tudo é assim tão linear, mas a tese ganha corpo entre muitos economistas europeus, incluindo alemães.\u003Cbr \/\u003EUm  terminal de gasoduto russo junto de um porto grego é mais um acesso de  Moscovo ao Mediterrâneo. É mais um ponto de venda do gás russo e,  porventura, uma alternativa de distribuição de gás à Europa através do  flanco Sul, beneficiando alguns países que não integram a União Europeia  e não estão ligados ao gasoduto que atravessa a Ucrânia e dá à Alemanha  e seus vizinhos o combustível que tem cuidadosamente sido mantido fora  das sanções impostas pelos Estados Unidos e a União Europeia, apesar da  relutância de Berlim. \u003Cbr \/\u003EEvidentemente que a Grécia beneficiaria  financeiramente dessa infra-estrutura e as indústrias de ambos os países  beneficiariam com a sua construção. \u003Cbr \/\u003EMas como em política não há  coincidências, os encontros russos, a forma como Tsipras ignorou  ostensivamente a reunião do Eurogrupo (a que não tinha protocolarmente  de estar presente) para prorrogar as suas conversas com Vladimir Putin,  dão que pensar. \u003Cbr \/\u003ETalvez a\u0026nbsp; Rússia não esteja com os problemas financeiros que o Ocidente pretende fazer crer. \u003Cbr \/\u003EA  resposta de Moscovo à intenção norte-americana de reforçar o flanco  Norte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e os arsenais  posicionados na Europa Central, nos antigos países do Pacto de Varsóvia,  foi algo demolidora. \u003Cbr \/\u003EO Presidente Vladimir Putin anunciou a  modernização do arsenal nuclear russo e um investimento de centenas de  milhões de dólares em armamento convencional. \u003Cbr \/\u003EEste tipo de anúncios por parte de Moscovo surgem normalmente quando a sua industria de defesa já está em movimento. \u003Cbr \/\u003EPor  outro lado, tal como com nos Estados Unidos, o estímulo da indústria  militar tem repercussões no relançamento da economia e do crescimento. \u003Cbr \/\u003EMas  uma coisa os russos podem ter por certa: as sanções não são eternas e a  situação de crise económica na Europa pressiona o seu levantamento,  muito em especial o impacto quem têm na economia alemã, onde as  exportações para a Rússia representam uma fatia não negligenciável.\u003Cbr \/\u003ECorrendo  o risco de nos repetirmos, a dívida grega tornou-se uma questão  geoestratégica e a Alemanha é um dos principais interessados. Ângela  Merkel só espera um sinal grego que permita salvar a face a todos os  envolvidos, os mais radicais dos quais são curiosamente os que mais  sustentam as posições de Berlim, e começam a tornar-se um incómodo. \u003Cbr \/\u003EBerlim,  como Bona no tempo da República Federal da Alemanha (RFA) e da  República Democrática Alemã (RDA) não quer o seu território envolvido no  teatro de operações europeu. \u003Cbr \/\u003EKiev já recebeu de Angela Merkel os  recados suficientes e sabe que a Ucrânia passou a ocupar o duvidoso  estatuto de tampão face a uma propalada ameaça russa, como se  estivéssemos a regressar ao “hard core” da Guerra Fria. \u003Cbr \/\u003EMas ainda  permanece um problema que Berlim quer ver resolvido: a amortização da  dívida grega e a permanência da Grécia na União Europeia. Mas a  aproximação de Atenas a Moscovo parece um facto consumado com o Governo  de Alexis Tsipras.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E"},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/3910023309867850846"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/3910023309867850846"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2015\/06\/grecia-e-ameaca-de-putin.html","title":"Grécia e ameaça de Putin"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-1057150996074209856"},"published":{"$t":"2015-06-19T19:33:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-03-29T19:33:33.517+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Crise económica"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Grécia"}],"title":{"type":"text","$t":"Uma crise na linha da frente"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        19 de Junho, 2015\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         A aparentemente inesgotável crise grega e a ameaça da saída  do euro ou,  em caso extremo, da União Europeia ultrapassam as  fronteiras elitistas  da Europa rica, ameaçando relações comerciais da  União Europeia, quer no  seu interior quer no comércio com outros  países, em especial as  economias emergentes que sentem já efeitos de  outras crises globais.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EOs europeus não falam, porém, na situação geopolítica  e geoestratégica da Grécia na linha da frente do Médio Oriente e da  Rússia com quem a União Europeia conseguiu criar tensões consideráveis  com a aventura ucraniana.\u003Cbr \/\u003EAs implicações de um afastamento grego, da  eurozona ou mesmo da União Europeia, não passam despercebidas no âmbito  da OTAN neste momento pouco confortável, com a situação no Leste da  Ucrânia e em simultâneo a continuada viragem islâmica do Governo,  tradicionalmente secular, da Turquia. Ancara deixou de ser o aliado  obediente, as ligações hoje são quase conjunturais, com o apoio turco à  oposição armada na Síria, onde o autodenominado “Estado Islâmico”  controla uma considerável parcela de território, ao mesmo tempo que  consegue sustentar um confronto no Iraque e exportar o conflito para  várias zonas de África. Ninguém sabe seriamente se pode contar com a  Turquia que continua a manter uma situação de ocupação militar parcial  de outro Estado da União Europeia – Chipre, o que criou um conflito até  agora insanável com a Grécia. Neste contexto, Atenas tem uma importância  geoestratégica que não pode ser ignorada. E isso mesmo deixou Barack  Obama implícito durante a última reunião do G-7, ao apelar ou recomendar  uma solução de compromisso com o Governo grego.\u003Cbr \/\u003EParis e Berlim têm  também essa consciência, razão pela qual Hollande e Merkel têm estado na  primeira linha a pressionar por um acordo com o Governo do  Primeiro-Ministro Alexis Tsipras, que procura evitar a situação de  ruptura, mas não pode fazer muito mais concessões sem correr riscos  domésticos. Por outro lado, durante um dos últimos picos da prolongada  crise com os seus parceiros europeus, Tsipras visitou Moscovo, onde  manteve longas conversações com Vladimir Putin. Conversações de que  resultaram mais especulações do que informações. Entre as especulações  possíveis, depois de os dois homens terem afastado a hipótese de um  financiamento russo – o que não significa que assim seja – surge a de a  Grécia estar a contar entre as suas opções, no caso de um abandono da  eurozona ou até da União Europeia, com uma conexão ao grupo  euro-asiático, que Putin procura pôr de pé, em oposição ao bloco  económico europeu. \u003Cbr \/\u003EPara todos os efeitos, a crise excessivamente  prolongada com a Grécia tem de ter um final que traga estabilidade  financeira à eurozona e aos sacrossantos mercados que determinam  desastrosamente a política. Na aparência, um acordo qualquer que evite  uma ruptura no final deste mês por a Grécia não pagar ao FMI não parece  estar tão difícil, após as concessões feitas por Atenas. Há demasiados  actores a falar ao mesmo tempo e ninguém acaba por ouvir bem.\u003Cbr \/\u003EUma  saída da Grécia está a ser preparada pelo Eurogrupo, mas a Grécia também  tem a sua estratégia e de momento ninguém do aparelho político da União  Europeia quer ver uma deriva de Atenas. Outra é a posição dos  tecnocratas de Bruxelas, do Banco Central Europeu e em especial do  dogmático FMI, que reconhece em relatório os erros cometidos, mas na  prática os continua.\u003Cbr \/\u003EAo mesmo tempo, o Pentágono estuda o  pré-posicionamento de material de guerra nos países Bálticos,  anteriormente parte da URSS, e em alguns Estados do Leste europeu,  membros da OTAN depois de terem sido parte do Pacto de Varsóvia,  designadamente, Polónia, Roménia, Bulgária e, possivelmente, Hungria,  violando o espírito do acordo de 1997 entre a OTAN e a Rússia."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1057150996074209856"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1057150996074209856"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2015\/06\/uma-crise-na-linha-da-frente.html","title":"Uma crise na linha da frente"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-4996158451193461444"},"published":{"$t":"2010-02-22T17:56:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2016-03-15T17:56:55.961+00:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Euro"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Europa"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Grécia"}],"title":{"type":"text","$t":"A crise financeira grega já está a ser útil à zona euro"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        22 de Fevereiro, 2010\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         \u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EA crise grega pode revelar-se favorável à recuperação  europeia no mercado das exportações e obrigar os governos da União  Europeia a terem uma posição política face à economia de mercado e até  alguma simpatia pelo kenesianismo.\u003Cbr \/\u003EDe ambos os lados do Atlântico,  ainda não há seis meses, os governos não podiam ter sido mais kenesianos  quando injectaram em socorro da banca milhares de milhões de dólares,  euros e yenes para suster a derrocada do dominó especulativo que os  próprios haviam construído.\u003Cbr \/\u003EUma especulação, a crise dos “subprimes”,  que chegou a ter contornos de ilegalidade, levou à falência alguns  bancos em quase todos os continentes. Os depositantes perderam a  confiança na banca, uma instituição só marginalmente mais simpática que o  fisco, e com razão. Os seus depósitos, as suas poupanças foram usadas  de forma irresponsável em fundos de alto risco – reconheça-se de maior  rentabilidade - sem que os travões tivessem sido accionados no momento  necessário.\u003Cbr \/\u003EA bolha do imobiliário sucedeu-se à dos “.com” e agora  para os mais pessimistas podemos estar a caminhar para a bolha da dívida  pública. Para resolvermos já esta questão as dívidas públicas são  colocadas no mercado de capitais como bens seguros e não é o aumento dos  défices dos Estados que os torna insolventes, e, portanto, incapazes de  pagarem aos seus credores. De facto, os Estados são os únicos devedores  que pagam. Claro que isso não impede a especulação com os títulos de  dívida pública, mas apesar da supremacia do poder financeiro sobre a  política, os políticos se e quando o entenderem dispõem de instrumentos  que defendem os seus próprios títulos contra os especuladores: o poder  legislativo, o executivo. Fiquemos pelos mais simples e menos  ficcionais.\u003Cbr \/\u003EA bolha da dívida pública, sendo sempre uma  possibilidade, não é credível e as agências de “rating”, depois da forma  estrondosa como falharam a previsão da crise do sector bancário, já não  têm a credibilidade necessária a condicionar um Estado. Outros  mecanismos vão começar a surgir porque o poder público tem necessidade e  o direito de se proteger – e aos bens dos cidadãos – contra manobras  especulativas e grupos financeiros maiores que alguns Estados.\u003Cbr \/\u003EPara  salvar a banca, que levou o Mundo para o precipício da crise financeira e  depois económica, os Estados recorreram a financiamentos com dinheiros  próprios e empréstimos contraídos no mercado financeiro para injectar  nos bancos e garantir os depósitos dos cidadãos, os fundos que haviam  comprado e evidentemente os próprios bancos, com raras excepções. Um ano  depois descobre-se que essa mesma banca que foi socorrida com dinheiros  públicos, ou melhor, alguns dos seus gigantes, ajudaram a Grécia a  falsificar as suas contas face à União Europeia. \u003Cbr \/\u003EMais, descobre-se  que não foi só a Grécia a recorrer a sofisticados estratagemas que  mostravam contas equilibradas graças a operações financeiras não  contabilizáveis remetendo para o futuro o pagamento dos adiantamentos e  fazendo os pagamentos através de concessões de taxas aeroportuárias,  portagens, etc. Alemanha, França, Itália,\u0026nbsp; Espanha e Portugal – pelo  menos – haviam recorrido a vários tipos de engenharia financeira, para  equilibrar o défice, embora em muito menor grau e na maior parte dos  casos contra a emissão de obrigações da dívida pública.\u003Cbr \/\u003EAqui entram  as agências de “rating” que, ao qualificar os países como se de empresas  se tratasse, obrigam por vezes a seguros de risco que tornam o  financiamento da dívida mais caro. Escandalosamente os financiadores  desses seguros são as mesmas instituições que se envolveram nas  engenharias financeiras menos transparentes.\u003Cbr \/\u003EPara regressar ao  resgate dos bancos, os Estados, ao recorrerem ao crédito privado na  gigantesca operação do ano passado, tornaram mais difícil o acesso ao  crédito para os investidores, muito em particular os que se movimentam  na área produtiva. Estes sentem os efeitos da reacção dos bancos, que se  tornaram subitamente muito cautelosos, têm dificuldade em escoar a sua  produção porque o desemprego se mantém extremamente elevado e não criam  empregos porque não têm necessidade de aumentar a produção.\u003Cbr \/\u003EA crise  mantém-se nos EUA como na UE (dentro e fora da zona euro). Os europeus  têm de ultrapassar o complexo de Maastricht, de rever o Programa de  Estabilidade e Crescimento, de aperfeiçoar os mecanismos do euro, do  Banco Central Europeu e a UE tem de adoptar uma governação mais  económica regulando a actividade. Em boa verdade, só os fundamentalistas  é que ainda pretendem que o mercado omnipotente seja o regulador.\u003Cbr \/\u003EDesta  crise, para os europeus parecem sair sinais contraditórios. Por um  lado, mostra que o défice de três por cento é uma ilusão, que está  desajustado da realidade hodierna. Por outro, mostra que o euro é de  facto uma medida de protecção das economias cujo crescimento a  regulamentação da sua existência cerceia. Finalmente, esta crise  helénica trouxe aquilo que o BCE não conseguia: fazer cair o valor do  euro face ao dólar. Depois de paridades exageradas o euro caiu  finalmente, na mesma ocasião em que a Reserva Federal sobe finalmente a  sua taxa de redesconto em um quarto de ponto percentual. Só um pequeno  empurrão para o euro chegar a um valor sustentável e competitivo: 1.25  dólares.\u003Cbr \/\u003EQuanto às dívidas públicas, depois de um período  deflacionário é chegada a altura de um pouco de inflação que desvalorize  o dinheiro e torne a dívida mais fácil de pagar. As políticas  restritivas têm de ser repensadas pois contribuem apenas para abrandar  as economias e diminuir as receitas fiscais num ambiente de consumo  deprimido, elevado desemprego, poupança e aumento do petróleo. Também  aqui a crise grega, ao deprimir o euro empurrando-o para a marca de 1.25  dólares por euro, o situa numa zona equilibrada para a competitividade  na exportação e um peso suportável na importação de petróleo. E porque  tudo está ligado, é bom que a política se comece a sobrepor. Os  emergentes estão no mercado e se o crescimento nos EUA e na Europa não  se fizer sentir, as economias emergentes podem ser atingidas pela  inflação e um sobreaquecimento que levará os seus Estados à contracção e  a uma menor intervenção no consumo mundial, com um impacto  significativo na retoma da economia do Norte."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/4996158451193461444"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/4996158451193461444"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2010\/02\/a-crise-financeira-grega-ja-esta-ser.html","title":"A crise financeira grega já está a ser útil à zona euro"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]}]}});