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O carisma do “Comandante” colmatava porém a falta de um estratégia económica usando os rendimentos do petróleo para comprar tudo o que a Venezuela não produzia. Durante uns anos resultou. Tal como no Brasil surgiu uma classe média, que como todas as classes médias se revoltam quando lhe “vão ao bolso”. Com a deterioração da situação económica, o excesso das importações a ausência quase total de produção nacional levou “El Comandante” a introduzir medidas que se tornaram cada vez mais impopulares. Mas era “El Comandante”. Hugo Chavez procurava transferir para o seu delfim o crédito politico que ainda lhe restava e que caía aceleradamente dia a dia.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003ECom as enormes receitas petrolíferas o crude acima dos USD 100 o barril Chavez não usou uma parte dessa receita para fomentar o desenvolvimento do sector não petrolífero e preparar o país para um tempo de “vacas magras” em que, convenhamos, poucos produtores acreditavam ou esperavam, sobretudo com a rapidez que se veio a verificar.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003EConta um diplomata que participou numa das cimeiras latino americanas que numa delas o então Presidente Lula da Silva - cujo país era um dos maiores beneficiários da exportação de bens para a Venezuela – aconselhou Chavez a reduzir a dependência do país das importações e a abrir as portas a empresas venezuelanas que produzissem uma parte do que importavam, mesmo que isso não fosse aparentemente nos melhores interesses do Brasil. Hugo Chavez teria concordado com Lula prontificando-se à criação de empresas estatais. O Presidente brasileiro chamou-lhe a atenção para o facto de não poder depender do Estado para tudo e da necessidade de fomentar, encorajar, a iniciática privada. Ao que parece “El Comandante” teria recusado em absoluto.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003EE assim evoluiu a economia venezuelana dependente do financiamento de um Estado que por sua vez dependia financeiramente de factores externos, designada e principalmente as receitas petrolíferas. A partir de certa altura, após a crise de 2008, o crude começou a cair. O Brasil pela sua diversificação económica só há uns dois anos começou a sentir a crise e ainda manteve o crédito à Venezuela.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003ESem produção própria, desleixando o sector primário, os bens importados começaram a faltar em especial depois de Nicolas Maduro subir ao poder. Maduro caiu sobre a classe média para financiar o Estado e a sua politica económica estatal que por seu turno também não investia em sectores estratégicos. A comida falta nas prateleiras dos mercados, os preços tornam-se proibitivos. A agravar uma crise energética que não pode ser apenas atribuída à seca mas à incapacidade de criar um plano energético nacional menos dependente dos derivados do petróleo.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003EAs manifestações sucedem-se em Caracas e outras cidades venezuelanas. Lideradas por uma classe meia sufocada, um campesinato quase inexistente e um operariado mínimo. Maduro manda os resultados eleitorais às urtigas, contorna o Parlamento e tenta governar por decreto. Uma solução que não parece muito avisada sobretudo quando o\u0026nbsp; país não mostra qualquer sinal de recuperação, perde os seus aliados regionais que assobiam para o ar enquanto Washington coloca toda a pressão sobre Maduro.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003EUma intervenção do FMI com Maduro só poderia ser produtiva se o Presidente assumisse que existem outros caminhos, e de facto o FMI não é o melhor. Imaginem ainda mais austeridade na Venezuela ! O\u0026nbsp; a que deixa uma de três soluções: Nicolas Maduro aceita o referendo, convoca eleições presidenciais e deixa a batata quente a outro, ou pode muito bem ter em mãos uma revolta popular, bem pior do que as manifs de hoje, ou perante a repressão de rua os militares intervêm, se possível palacianamente dando um ultimato a Maduro.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003EA Venezuela não aguenta muito mais a presente situação.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E"},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1673960638144768805"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1673960638144768805"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2016\/05\/politica-social-abana-venezuela.html","title":"Politica social abana Venezuela"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-6137701486650043839"},"published":{"$t":"2011-05-22T18:57:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-04-19T18:57:19.717+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"FMI"}],"title":{"type":"text","$t":"O final de uma era reformista no FMI"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        22 de Maio, 2011\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E                                                                   Se o presidente do FMI não foi (ou está a ser) vítima  de uma conspiração então aquele que parecia ser um dos homens mais  inteligentes da política internacional fez asneira da grossa e tem o  cérebro bem abaixo do crânio e mesmo assim conseguiu iludir o mundo  sobre as suas capacidades.\u003Cbr \/\u003EDominique Strauss-Kahn acredita no  multilateralismo e nos consensos e praticou-os enquanto “patrão” do FMI.  Acreditava que a direcção do Fundo não deveria estar exclusivamente  entregue aos países industrializados e promoveu a altos cargos,  incluindo no seu gabinete, técnicos de países emergentes. Acreditava na  economia europeia, era um dos políticos da geração que fez nascer a  moeda única. Recusava o dogmatismo do FMI e as medidas excessivamente  duras ou punitivas.\u0026nbsp; Era uma figura chave no G-8 ou no G-20, que lhe é  especialmente caro. A sua ausência vai ser sentida na reunião de 27 de  Maio do G-20 em Deauville. Como vai ser sentida a necessidade da sua  constante negociação entre a Ásia, a América e a Europa.\u003Cbr \/\u003EAo tomar  posse no FMI herdou um instituição deficitária e com uma imagem  desacreditada pelo dogmatismo da sua abordagem standard. Conseguiu o seu  equilíbrio financeiro e introduziu novas regras de avaliação e  definição da ajuda aos países membros em necessidade.\u003Cbr \/\u003EEm 2010, um  pouco de surpresa, abriu algumas posições no FMI aos países emergentes.  Brasil, China e Índia ficaram a ganhar com as reformas aumentando as  suas quotas nos quadros e que DSK pretendia ver reflectida no Conselho  Executivo cujos lugares permanentes estão reservados à Alemanha, Estados  Unidos, Grã-bretanha e Japão.\u003Cbr \/\u003ETudo isto, à primeira vista, são  reformas de um homem inteligente, que compreendeu as mudanças e a  evolução desde a crise de 2008. Um homem que entendia os riscos de as  medidas demasiado austeras poderem originar movimentações sociais graves  que poderiam colocar em causa toda a tentativa de estabilização.\u003Cbr \/\u003EO  relatório do Departamento de Polícia de Nova Iorque, revelado na  Internet, só veio alimentar a tese da conspiração: “às 15h 29m uma  empregada do hotel Sofitel, do sexo feminino, raça negra, avisou a  polícia de que tinha sido vítima de uma agressão sexual. A agressão  ter-se-ia desenrolado no quarto 2806 do hotel. Quando a empregada  entrou, o ocupante do quarto, Dominique Strauss-Kahn, caucasiano de 62  anos, saiu nu da casa de banho, manteve-a sobre a cama e inseriu o pénis  na boca. De seguida o homem pagou a conta e entrou num avião em JFK  onde a polícia o foi buscar”.\u003Cbr \/\u003EPara os norte-americanos, a forma como  os franceses, muitos outros europeus e outra Imprensa está a reagir é  quase inacreditável. A descrição é insólita e só contribui para admitir  uma conspiração que liquidasse politicamente DSK. E conseguiu-o.\u003Cbr \/\u003EAs  contradições, incluindo as que foram presentes a Tribunal são imensas. A  acusação chegou a interrogar-se como DSK tinha três mil dólares para  dar pela suite do hotel, argumentou com a sua fuga precipitada – ainda  por cima em primeira classe - deixando entender que só por um acaso a  polícia soube onde o encontrar. Os argumentos da acusação foram aceites.  A saída de DSK sob fiança ou com pulseira electrónica foram  inicialmente recusados pela Juiz que avaliou a detenção. Facto  relativamente raro num sistema judicial que se baseia no habeas corpus.  Para o Tribunal DSK constituía um “risco de fuga” e não há acordo de  extradição entre EUA e França.\u003Cbr \/\u003EDSK havia comprado a sua passagem para  Paris a 12 de Maio e pago do seu bolso a diferença entre a “business  class” (a que tem direito pelo FMI) e a primeira. DSK, meia hora após os  alegados incidentes, pagou a sua conta, saiu do hotel e esteve nas  proximidades a almoçar com a filha. Finalmente foi ele próprio quem  ligou para o hotel pedindo que lhe levassem ao aeroporto telemóvel que  esquecera no quarto. Para um homem em fuga, DSK tem uma inteligência  inversamente proporcional à que lhe granjeou estatuto à frente do FMI.\u003Cbr \/\u003EClaro  que ninguém duvidou que Dominique Strauss-Kahn tinha os dias contados à  frente do FMI. Na sexta-feira, após a sua audiência perante o júri de  acusação, apresentou ele próprio a sua demissão. A decisão que o júri  tomou, colocando-o em residência vigiada, não afecta o desastre que se  abateu sobre DSK.\u003Cbr \/\u003ECandidato putativo às eleições presidenciais  francesas, o melhor colocado nas sondagens para se tornar no próximo  Presidente de França, Dominique Strauss-Kahn já é um cadáver político.\u003Cbr \/\u003EAqui  também surgem outras dúvidas que envolvem um militante do partido de  Sarkozy que colocou na rede social Twitter a notícia da detenção de DSK  antes de ela ocorrer. A linha cronológica dos acontecimentos será, ao  que tudo indica, um dos factores mais fortes da teoria da conspiração,  mas também da defesa do ainda “patrão” do FMI.\u003Cbr \/\u003EDominique Strauss-Kahn  não só tinha a viagem prevista há algum tempo, como tinha uma reunião  no domingo com a chanceler alemã Ângela Merkel para discutir a questão  da dívida grega e a necessidade de reforçar o financiamento à Grécia  evitando que o país tivesse de recorrer já para o ano à banca. Reforço a  que Merkel se opunha. Como se opunha à entrada dos países emergentes  para a chefia do Fundo alegando que isso seria aceitável a médio prazo. A  prioridade era “gente experiente” que pudesse gerir a crise da dívida  europeia. Na passada segunda-feira deveria ter participado na reunião  das Finanças da União Europeia.\u003Cbr \/\u003EAs instituições financeiras estavam  também na mira de DSK que após a crise de 2008 iniciou uma  reestruturação do FMI e pretendia que o Fundo pudesse investigar essas  instituições e exigir-lhes os dados que entendesse necessários. Coisa  que os Governos até agora não fizeram.\u003Cbr \/\u003EA guerra pela sucessão no FMI  já começou e como seria de prever alemães e americanos não prescindem do  status quo. As reformas de DSK dificilmente vão sobreviver.\u003Cbr \/\u003EEm síntese, nos Estados Unidos o melhor é não entrar sem testemunhas num elevador."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/6137701486650043839"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/6137701486650043839"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2011\/05\/o-final-de-uma-era-reformista-no-fmi_72.html","title":"O final de uma era reformista no FMI"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]}]}});