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O  poder de decisão mundial reúne dias na mesma sala, debate os assuntos  que domina e que tem uma capacidade única de influenciar, faz um  diagnóstico quase, senão mesmo, consensual, discutem as receitas para  uma saída da situação que se arrasta desde a crise de 2007\/2008, até  fazem declarações públicas e voltam todos para casa sem que um conjunto  de recomendações – que teriam um peso político considerável – seja  elaborado e tornado público. \u003Cbr \/\u003EIsso obviamente forçaria Governos e a  comunidade de negócios a tomar os remédios prescritos ou ignorando-os  assumir a responsabilidade perante o público. O silêncio, pelo  contrário, não ofende ninguém nem coloca interrogações incómodas. No  encerramento do encontro chegou a notícia já esperada de que na Grécia o  Syriza, um até aqui pequeno partido da esquerda radical, havia ganho as  eleições com uma maioria confortável baseando a sua campanha na  renegociação da dívida (e\/ou eventual perdão de uma parte) com os  credores internacionais.\u003Cbr \/\u003EA Grécia é um caso paradigmático do fracasso  do dogma da austeridade que em Davos foi acusado de ser responsável  pelo fosso crescente entre ricos e pobres, o aumento dos pobres e a  estagnação da economia mundial mesmo com preços de petróleo a rondar os  50 dólares o barril, ou seja metade de Junho do ano passado. \u003Cbr \/\u003ENos  países sujeitos à austeridade, por força da imposição da troika (FMI,  Comissão Europeia e Banco Central Europeu (BCE)) ou nos que a  auto-impuseram por estarem à beira de uma situação grave, as taxas de  juro dispararam e a dívida das famílias cresceu em flecha, arrastando  para o fosso uma parte considerável da classe média de quem o consumo, e  portanto o desenvolvimento da economia dependem. \u003Cbr \/\u003EAtenas poderá, se o  Syriza se mantiver fiel às promessas eleitorais, fazer finca pé numa  renegociação da dívida, juntar-se à Irlanda que fala nisso há semanas e  levar consigo outros países europeus menos dominados pelo  neoliberalismo, como a Itália e a Espanha, a França é um caso mais  complicado e Portugal mantém-se, pelo menos na última semana,  irredutível quanto a uma renegociação que a oposição defende.\u003Cbr \/\u003EPior é  que o BCE já vinha descendo as taxas de juro há meses sem que isso se  reflectisse no aumento do consumo, na procura de bens, na retoma  económica; nem a conjugação das baixas taxas de juro com a descida dos  preços do crude estão a ter qualquer impacto positivo na economia  mundial e arriscam arrastar para uma crise financeira os países  produtores em geral.\u003Cbr \/\u003EA recente decisão do BCE conjuntamente com as  descidas das taxas de juro e a queda nos preços do petróleo veio criar  uma janela de oportunidade onde os Governos poderiam usar os fundos de  60 mil milhões de euros que o BCE injectará mensalmente na economia para  investirem em infra-estruturas e outras obras com efeito directo sobre o  emprego, a geração de riqueza, que permitiriam a retoma a médio prazo.  Contudo nem todos os Governos europeus, e designadamente Espanha e  Portugal, estão na disposição de usar aumentando os quadros do Estado e  arriscando o crescimento da dívida, independentemente do retorno fiscal  que os empresários envolvidos trariam tal como os postos de trabalho  criados e o consumo por eles estimulado. Isso permitia também subir as  necessidades de crude e pressionar a subida de preços, o que ao aumentar  a riqueza dos produtores se iria reflectir nas exportações dos países  ditos desenvolvidos.\u003Cbr \/\u003EEm Davos tudo isto ficou claro. Até Christine  Lagarde ou Martin Sorrell concordaram que o dogma do FMI tinha mudado e  que esta janela de oportunidade poderia estreitar o fosso entre ricos e  pobres, fortalecer a classe média e ter reflexos positivos nos países em  desenvolvimento. \u003Cbr \/\u003EConcordaram que o efeito multiplicador positivo na  economia era maior se houvesse um enriquecimento dos desfavorecidos do  que no actual contexto que continua a centralizar a riqueza numa minoria  cujos impostos e consumo não têm impacto relevante na retoma económica  mundial. Não menos importante a coordenação de políticas fiscais que  garantissem uma estabilidade na competição fiscal tornando-se o “know  how” o factor decisivo. \u003Cbr \/\u003EDe igual modo o fim dos paraísos fiscais,  segundo foi dito em Davos, faria entrar na economia 80 mil milhões  (triliões na designação anglo-americana) de dólares que neste momento  estão parados e escapam aos fiscos. \u003Cbr \/\u003EOutro princípio daria o de  recompensar as empresas, porventura por via fiscal, pela sua iniciativa,  resultados, investimentos e criação de emprego – não de postos de  trabalho mal pagos. Segundo Sorrell as empresas têm parados nas suas  contabilidades sete mil milhões de dólares sem estímulo para serem  investidos.\u003Cbr \/\u003EO que se passa na Europa, como o que se passa, em menor  grau nos EUA, tem reflexos que podem ser de longo prazo nas economias  emergentes e em especial nas que dependem em grande medida do petróleo. A  crise nestes países, em especial na Rússia, Venezuela e Nigéria, pode  ter um efeito multiplicador e por isso são muitos os que neste momento  apoiam o fim da austeridade e o aproveitamento da conjuntura para pôr a  máquina em movimento."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/4109639247472474425"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/4109639247472474425"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2015\/01\/politicos-dizem-que-desigualdade-e.html","title":"Políticos dizem que desigualdade é causa da estagnação económica"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-7937046190980647656"},"published":{"$t":"2014-10-27T20:04:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2016-03-29T20:05:14.828+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Economia"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Saúde"}],"title":{"type":"text","$t":"Ébola uma doença que não era rentável"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        27 de Outubro, 2014\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         Em 1976 uma nova doença foi descoberta numa área remota da  floresta  tropical do Congo (Kinshasa). Onde inexplicavelmente surgia  com  persistência uma doença altamente transmissível e com elevada taxa  de  mortalidade.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EUm médico belga que trabalhava na zona decidiu enviar  ao Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, Bélgica, uma amostra de  sangue de uma missionária vítima da doença. Os cientistas identificaram  então um novo vírus com um tamanho invulgar e resistente a todos os  “ataques”. Pela sua estrutura morfológica constataram que estavam  perante o vírus de Marburgo ou uma mutação.\u003Cbr \/\u003EO vírus de Marburgo,  assim chamado porque em 1967 causou uma trintena de mortes em Marburgo e  Frankfurt, na Alemanha e em Belgrado, Jugoslávia, mostrou-se imune a  qualquer tratamento. Ou o doente desenvolvia por si mesmo anticorpos ou o  vírus vencia. Ao que parece o surto teve origem em Marburgo num  laboratório que trabalhava com macacos importados do Uganda.\u003Cbr \/\u003ENos  quase 40 anos que decorreram sobre a sua descoberta o vírus de Marburgo  causou um número de mortes indeterminado e o combate foi sempre através  da contenção das pessoas na zona afectada, os voluntários para o  tratamento eram escassos e os cuidados a prestar assentavam na  hidratação do doente enquanto o organismo resistia. Em paralelo eram  feitas campanhas de divulgação de regras higiénicas básicas; contudo o  factor mais complicado de gerir é ainda o cultural. As regras de higiene  não resistiram até muito recentemente a princípios culturais  centenários em torno da partida de um familiar ou amigo.\u003Cbr \/\u003ENunca houve  preocupação ou interesse em procurar um tratamento ou uma vacina para o  ébola. Ocorria em zonas remotas, em países subdesenvolvidos, e o rácio  investimento – rentabilidade não compensava a enorme despesa de  investigar uma vacina, um medicamento, que pudesse prevenir a doença e  em segunda linha combatê-la no indivíduo afectado. Esta posição das  grandes farmacêuticas está a mudar agora que a epidemia pode em breve  ficar fora de controlo, segundo a OMS, e a ocorrência da infecção nos  países desenvolvidos se vai acentuando.\u003Cbr \/\u003E\u0026nbsp;A forma como a comunidade  internacional tem abordado a situação é preocupante e condenável. Se se  tratasse da expansão da actividade da Al Qaeda ou do autoproclamado  “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” seguramente que os  porta-aviões, os ataques aéreos, os mísseis de cruzeiro já andavam pelos  ares queimando mais dinheiro numa semana que a ONU pede para fazer face  ao surto do ébola que não está longe de causar, oficial e  confirmadamente, cinco mil mortos.\u003Cbr \/\u003EAs duas linhas de investigação em  que os grandes laboratórios estão empenhados são a vacina preventiva e  uma vacina que possa ajudar as pessoas infectadas. Ninguém fala em  números, ou seja, no que irá custar desenvolver em tempo útil uma vacina  e\/ou um tratamento para a doença. Todavia o Banco Mundial prevê, se a  doença não for trvada nos próximos meses, que o PIB da Libéria vai cair  12 por cento, da Serra Leoa 8,9 por cento, perdas extremamente graves  para estes países. Contudo se a epidemia se espalhar a outros países  vizinhos com maior população e economias mais pesadas o Banco Mundial  estima perdas na economia da ordem dos 32,6 mil milhões de dólares.  Números que podem mudar de forma drástica se se multiplicarem os casos  em Espanha, EUA ou outra grande economia. O tratamento tem custos  astronómicos, ninguém sabe quem vai pagar a conta de cinco milhões de  dólares apresentada pelo hospital do Texas onde foi tratada uma das  sobreviventes, uma enfermeira cuja terapia passou\u0026nbsp; na fase final do  Texas para Bethesda. Os Governos não podem manter-se fora deixando aos  privados o ataque à doença, desta vez não podem ficar “hands off” como  muito gostam os seus amigos neoliberais.\u003Cbr \/\u003EEmpresas farmacêuticas dos  EUA, Canadá e Grã-Bretanha anunciaram que terão ou poderão ter 20 mil  vacinas em Janeiro para iniciarem os testes em África. Por seu turno a  Rússia não ficou para trás e fez saber que tem também em adiantada fase  de desenvolvimento três vacinas para o ébola. A concorrência está em  pleno, como gostam os neoliberais. Só que os preços das vacinas vão ter  de ser controlados e para baixo, sobretudo porque os países consumidores  são precisamente os mais pobres e não podem pagar os números  disparatados que hoje se pedem por exemplo por vacinas da hepatite A,  além disso os laboratórios beneficiaram bastante de investigação em  unidades do Estado e em Universidades.\u003Cbr \/\u003ELamentável para lá da  discussão económica e política que decorre nos bastidores, é que os  países com capacidade financeira e tecnológica para intervirem na  prática ainda estão às voltas com projectos, com debates teóricos e  pouco se tem feito no terreno. Só quando um novo caso de ébola surge na  Europa ou EUA se volta às grandiloquentes manifestações de solidariedade  e ao envio de um saco de pensos, ligaduras e uns soros entre dois  mísseis sobre o Iraque e um embarque de armas para a oposição a Hafez Al  Assad."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/7937046190980647656"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/7937046190980647656"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2014\/10\/ebola-uma-doenca-que-nao-era-rentavel_27.html","title":"Ébola uma doença que não era rentável"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-1721126267813742680"},"published":{"$t":"2013-10-14T15:08:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-03-31T15:08:55.468+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Economia"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Estados Unidos"}],"title":{"type":"text","$t":"Facção republicana paralisa EUA e ameaça economia mundial"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        14 de Outubro, 2013\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         Um grupo republicano conhecido como “tea party” paralisou o  Governo dos  Estados Unidos e com isso ameaça a estabilidade da economia  mundial\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EEm particular dos países em desenvolvimento, se nos  próximos dias não permitirem que os republicanos façam um acordo com os  democratas e o Presidente Barack Obama.\u003Cbr \/\u003EO chamado “tea party” não é  um partido nem tão pouco um grupo organizado dentro do Partido  Republicano. Não tem uma agenda política definida.Trata-se de um grupo  não ideológico sem hierarquia que actua de forma independente dentro do  partido onde se instalou progressivamente e consolidou posições, sem  disciplina partidária, defendendo apenas o corte do défice dos Estados  Unidos através da redução da despesa federal, do investimento ao apoio  social, e em simultâneo a redução de impostos. Ao contrário do que se  poderia esperar não tem um líder nem uma estrutura institucional e  estendeu-se por entre os activistas conservadores do Congresso. A sua  designação inspirou-se no movimento “Boston Tea Party”, de 1773, contra o  pagamento de mais taxas à administração inglesa.\u003Cbr \/\u003EA sua influência na  Câmara dos Representantes é tal que o presidente da câmara baixa, o  republicano John Boehner, acabou por adoptar a intransigência do “tea  party” para conseguir manter o lugar chegando mesmo ao ponto de romper,  em Julho passado, um acordo a que havia chegado com o líder da maioria  do Senado, o democrata Harry Reid, sobre a redução do défice federal.\u003Cbr \/\u003EDe  então para cá os republicanos têm condicionado qualquer acordo sobre o  orçamento que deveria ter entrado em vigor a 1 de Outubro à alteração  substantiva – leia-se revogação na prática – do sistema de apoio de  saúde (Obamacare) aprovado por ambas as câmaras do Congresso em Março de  2010.\u003Cbr \/\u003EAo longo das últimas duas semanas tem estado em negociação  legislação que permita a subida do défice federal e a aprovação do  orçamento, sem quaisquer condicionantes e a aprovação paralela de um  projecto da Administração para a redução sustentada do défice federal a  médio prazo, o que conjugado com o crescimento que a economia americana  está (estava) a conhecer possibilitaria o regresso do equilíbrio e de um  superavite, como Bill Clinton conseguiu legar a George W. Bush, que o  tornou rapidamente em défice. Os republicanos no Senado, menos  permeáveis ao “tea party”, aceitaram a proposta que a Câmara dos  Representantes recusaria, lançando a actual confusão. Para os  republicanos enquanto partido, a situação está a tornar-se extremamente  incómoda com a opinião pública cada vez mais contrária ao GreatOld Party  (GOP) (designação tradicional do Partido Republicano). Uma visão  negativa que deixa indiferente os grupos do “tea party” determinados em  enfraquecer cada vez mais o poder do Governo Federal. Nada que não  estejamos acostumados a ver nos filmes americanos onde abundam as  teorias da conspiração de Washington contra os Estados e os americanos  mas algo verdadeiramente preocupante na vida real.\u003Cbr \/\u003EQuinta-feira, 17  de Outubro, os Estados Unidos têm dívidas e compromissos financeiros  nacionais e internacionais para cumprirem e necessitam do Orçamento e do  aumento do défice federal aprovados. Sem isso os EUA não irão pagar aos  seus credores. Desde o dia 1 de Outubro quase um milhão de funcionários  federais está em casa sem emprego nem salário por não ter sido possível  ter um Orçamento para o ano fiscal que então se iniciou.\u003Cbr \/\u003EO  presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, alertou para os riscos da  situação que os EUA estão a viver. O Departamento do Tesouro americano  (Ministério das Finanças) revelou que o dinheiro acaba a 17 de Outubro  se, pelo menos, o plafond da dívida não for aumentado. Isto significa  que o país não irá pagar aos seus credores o dinheiro que pede  emprestado para funcionar. Se isso suceder, sabe-se, e Jim Yong Kim  sublinhou-o, os mercados financeiros mundiais serão afectados e em  especial os países em desenvolvimento.\u003Cbr \/\u003EOs juros internacionais irão  subir e o dólar acentuará a sua queda atingindo todo o comércio mundial.  A quebra de confiança dos investidores cada vez mais nervosos irá  provocar uma contracção no investimento a nível global.\u003Cbr \/\u003ENo passado os  Estados Unidos atravessaram situações semelhantes sem contudo as  repercussões mundiais serem potencialmente tão graves. Em 1995 e em 1996  ocorreram conjunturas análogas e superficialmente a posição dos  republicanos poderia parecer idêntica. A diferença é que em 1995 e 1996  Bill Clinton teve de enfrentar uma crise suscitada, conduzida e  controlada por Newt Gingrich, então líder da Câmara dos Representantes e  da ala conservadora do Partido Republicano.\u003Cbr \/\u003ETodavia nessa altura o  diálogo nunca parou e Gingrich controlava a situação do lado  republicano. Preocupava-se com o partido, tinha uma posição ideológica e  um comportamento político. Levou a crise até conseguir o máximo de  concessões sem se colar a uma posição inabalável nem a temas que sabia  seriam tabus para o Presidente.\u003Cbr \/\u003EQuando sentiu que a opinião pública lhe fugia o líder republicano encontrava um compromisso.\u003Cbr \/\u003EA  diferença de fundo entre Newt Gingrich e John Boehner é que Gingrich  controlava os acontecimentos, liderava-os e dominava o partido; não  tinha um “tea party”, um grupo sem liderança que se comporta como um  partido dentro do partido. Para os mercados, então menos influentes, o  diálogo nunca foi suspenso e os acordos surgiam mesmo que a  Administração tivesse encerrado por duas vezes.\u003Cbr \/\u003EO mais curioso é que  não se está perante uma anomalia totalmente inesperada. Durante a  campanha houve membros do “tea party” que disseram despudoradamente que  com o controlo da Câmara dos Representantes, mesmo sem serem Governo,  poderiam bloquear a Administração, paralisar o país o obrigar a Casa  Branca a ceder.\u003Cbr \/\u003EAté agora mostraram ser capazes de o fazer à excepção  da cedência de Barack Obama, que se mostra inabalável na defesa do seu  sistema de saúde. Embora Obama não seja Clinton, a opinião pública acusa  os republicanos e isso preocupa os dirigentes do partido. Resta saber  se estes terão força e margem de manobra para levar o “tea party” a  jogar em equipa.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E"},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1721126267813742680"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1721126267813742680"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2013\/10\/faccao-republicana-paralisa-eua-e_14.html","title":"Facção republicana paralisa EUA e ameaça economia mundial"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-4218357145747151348"},"published":{"$t":"2011-08-10T18:52:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-04-19T18:53:09.289+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Economia"}],"title":{"type":"text","$t":"Notações minam confiança do consumidor"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo|\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        10 de Agosto, 2011              \u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         \u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EA verdade incontornável na economia, seja nacional ou  global, é que como M. De la Palisse muito bem diria: não há  desenvolvimento económico se os consumidores não consumirem.\u003Cbr \/\u003EAgora  que a declaração incontornável está feita o cronista sente-se bem melhor  para continuar a mergulhar nas profundezas insondáveis desta  globalização. As agências de \"rating\", se bem se recordam, qualificavam  com a nota AAA (os vinte valores lá do sítio) as mesmíssimas obrigações  (afinal hipotecárias baseadas em \"sub-primes\") que estiveram na origem  da crise financeira de 2007, que se prolongou em Setembro de 2008 e  levou o Lehman Brothers à falência. Lançando a actual confusão global.\u003Cbr \/\u003EHoje,  curiosamente, a história economista omite o papel dessas agências na  crise financeira iniciada em 2007 e que se julgava ter atingido o auge  um ano depois. Seria, portanto, duvidoso que elas tivessem adquirido a  influência que têm. Não me peçam explicações. A verdade é que em 2008 se  acreditava ter atingido um nível crítico e que os Governos, com as  intervenções que fizeram, injectando dinheiro no mercado e nos próprios  bancos, estavam a conseguir gerir o rebentar da bolha. Longe disso. As  agências de \"rating\" tinham conseguido um feito notável: serem pagas  pelos vários Governos para qualificarem as suas dívidas soberanas, um  contrato que os Executivos recusavam. Os argumentos eram, porém,  convincentes. A banca gastava imenso dinheiro para fazer uma avaliação  da solidez dos produtos que estavam no mercado, incluindo os títulos das  dívidas soberanas. Como a banca não anda aqui para gastar dinheiro,  fazia recair sobre o investidor os custos da avaliação. A pressão sobre  os Governos começou a fazer-se por parte do poder financeiro.\u003Cbr \/\u003EO  problema é que entre as avaliações que eles hoje fazem e a realidade há  um desajustamento considerável, ampliado pela desconfiança que se  instalou entre os investidores e, ainda mais, pela posição especuladora  dos grandes fundos, sobretudo dos \"edge funds\" sediados em \"off shores\".\u003Cbr \/\u003ENinguém  em seu perfeito juízo duvida que os Estados Unidos não possam pagar os  seus empréstimos. Tive oportunidade de me referir recentemente aos  activos norte-americanos no estrangeiro, que ultrapassam largamente o  valor da dívida.\u0026nbsp;Ninguém no seu perfeito juízo duvida também que a  situação criada pelas agências de notação levou as maiores economias do  mundo a uma situação pré-catastrófica. As dívidas dos Estados não são  novas. O factor novo é a especulação que se faz em torno delas. As  agências diminuem a notação de um país e os especuladores fazem o resto,  arrastando no turbilhão verdadeiros investidores. Claro que, neste  admirável mundo novo pós-tatcherismo e reaganomics, nesta economia do  Nobel Milton Friedman ou, se quiserem, nesta economia \"voodoo\", a  especulação é uma manobra perfeitamente aceitável. Os valores da última  década do século passado e do início deste nada têm a ver com os do  pós-guerra.\u003Cbr \/\u003EA herança do pós-guerra foi a construção de uma rede  social notável na Europa. Um Continente destruído acabado de sair de uma  guerra conseguiu fundos para financiar essa rede – mesmo os Estados que  não beneficiaram do \"Plano Marshall\". Hoje, os Estados não só não  conseguem sustentar a rede social como a destroem, privatizam, entre  outras coisas. Cortar as despesas tornou-se a regra fundamental na  avaliação das agências, que como os bons contabilistas querem livros  equilibrados. O equilíbrio dessas contas passa, normalmente, por um  aumento de carga fiscal. Mas recordemos que o elevado serviço da dívida é  imposto especulativamente com justificação nos \"ratings\". Temos a velha  história da pescadinha de rabo na boca. O Estado não investe para  equilibrar as contas. O Estado tem de aumentar os impostos para  equilibrar as contas. Como os consumidores não consomem, não só por não  terem dinheiro, mas também por serem \"bombardeados\" directa ou  indirectamente, consciente ou inconscientemente, com a ameaça da redução  do \"rating\" soberano. E, se não consomem, o tecido produtivo não vende e  não paga impostos, reduzindo a receita fiscal. O mesmo tecido produtivo  – os tais empresários mesmo – não conseguem sustentar os postos de  trabalho e os Estados não têm dinheiro para pagar subsídios de  desemprego. Na Europa, como nos Estados Unidos.\u003Cbr \/\u003EAssim, hoje nem  sequer resta aos Governos margem de manobra para oferecer benefícios  fiscais aos investidores e aliviar os contribuintes em geral libertando  meios para o consumo.\u003Cbr \/\u003EA crise está para durar. Já nem importa muito saber quando vai acabar, é bem mais preocupante saber como vai acabar.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E"},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/4218357145747151348"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/4218357145747151348"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2011\/08\/notacoes-minam-confianca-do-consumidor_10.html","title":"Notações minam confiança do consumidor"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]}]}});