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\/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        6 de Outubro, 2010\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         \u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EO problema de Chipre, cuja divisão se consumou pela  força em 1974, vai sendo varrido para debaixo do tapete das Relações  Internacionais e torna-se cada vez mais um problema na União Europeia  perpetuando o desrespeito pelo Direito Internacional. Ankara tem a chave  da solução, mas a solução não lhe agrada.\u003Cbr \/\u003EA República de Chipre não  é, ao contrário de uma errada visão popular, um país sem recursos que  vive a expensas dos organismos internacionais. Chipre, ou melhor, a  República Cipriota, é um contribuinte líquido da União Europeia – o que  significa que paga mais a Bruxelas do que recebe -, é um dos mais  prósperos Estados da União e tem tido um importante papel sempre que uma  crise mais grave provoca grandes convulsões no Médio Oriente. E é um  país dividido artificialmente desde que a Turquia ocupou, pela força das  armas, a parte Norte da Ilha, alegadamente em socorro da comunidade  cipriota turca que sempre havia vivido integrada com os cipriotas da  religião ortodoxa grega.\u003Cbr \/\u003EA divisão de Chipre começa antes da invasão  de 1974, com a colaboração de radicais cipriotas turcos que incentivam,  pelo medo, a separação da comunidade muçulmana criando as condições para  que os militares turcos, aproveitando as interrogações e receios  gerados pelo golpe dos coronéis na Grécia, invadissem a Ilha, lançando  uma guerra de ocupação que ainda hoje, apesar de acordos de paz, obriga à  presença de uma força da ONU.\u003Cbr \/\u003EAs conversações que de novo se  reataram no final do mês passado, a tempo da Assembleia-Geral da ONU,  não são um sinal de que uma solução pode estar à vista. Desde a invasão  que várias rondas de conversações fracassam.\u003Cbr \/\u003EA chave para a questão  de reunificação está, por um lado, na retirada dos mais de 40 mil  militares turcos da zona ocupada de Chipre e dos colonos que a Turquia  enviou da Anatólia e que hoje ultrapassam a população cipriota turca  numa proporção de 2 para 1. A chave reside não tanto no Governo turco  mas na sua incapacidade de levar os militares a aceitarem uma solução  dentro do Direito Internacional e das Resoluções relevantes do Conselho  de Segurança.\u003Cbr \/\u003EOs militares turcos não escondem, porém, que Chipre é  estratégico para o controlo daquela zona do Mediterrâneo e que essa é a  razão de fundo para ali permanecerem, tal como a Grã-Bretanha, antiga  potência colonial, que apesar de conceder a independência a Chipre,  manteve o direito a duas instalações militares estratégicas. \u003Cbr \/\u003EAssim  sendo, em termos da OTAN, já existem bases de apoio da aliança que  tornam a presença turca uma redundância, se aceitássemos o argumento.  Permanece, porém, o facto de Chipre ter levado a cabo uma guerrilha para  a sua libertação. A Turquia não deu qualquer apoio a essa guerrilha  contra os britânicos, e nunca os chamados cipriotas turcos estiveram  ameaçados. Portanto, existe uma agenda turca que nada tem a ver com os  interesses estratégicos da OTAN (de que a Turquia faz parte) nem da  União Europeia, a que pertence Chipre e onde Ankara se quer integrar,  mas nos seus termos.\u003Cbr \/\u003EA integração da Turquia na União Europeia, só  por si é cada vez mais duvidosa. A dúvida aumenta na mesma medida em que  se mantém a ocupação militar de Chipre e a falta de respeito pelos  Direitos Humanos. Complica ainda mais uma solução justa – que poderia  passar por uma federação com Governo único e centralizado – além da já  falada ocupação militar, os colonos da Anatólia e a intransigência turca  em controlar as conversações.\u003Cbr \/\u003EA solução não pode ser uma solução  turca. Os cipriotas turcos no Norte não beneficiam do bem estar e  desenvolvimento da República Cipriota. Existem famílias divididas,  propriedades ilegalmente confiscadas pelas autoridades turcas e que  estão a ser colocadas à venda no mercado internacional levando os seus  legítimos proprietários a impugnarem os “negócios” em Tribunal Europeu. A  situação é um anacronismo, não só em si mesma, mas porque recorda a  divisão alemã, o muro de Berlim que atravessou Nicósia, os “check point”  da Guerra Fria, as visitas familiares nas zonas de passagem.\u003Cbr \/\u003EA  Turquia não pode impor ao Governo reconhecido da República Cipriota uma  solução de facto criada pela força das armas, quer seja uma imposição  directa quer seja através da manipulação dos dirigentes cipriotas da  auto-proclamada “república cipriota turca”, só reconhecida por Ankara. \u003Cbr \/\u003EChipre  é um berço da Humanidade e do Pensamento. A actividade humana remonta  ao século X a.C. Ali se situa Bizâncio e nasceram Afrodite e Adonis. Ali  se cruzaram egípcios, fenícios, gregos, cristãos, muçulmanos, persas,  romanos (sem respeito cronológico). O Império Otomano tomou conta da  ilha onde então 44 mil muçulmanos conviveram com cem mil cristãos.  Depois da Guerra entre a Rússia e a Turquia, em 1877, a Ilha foi cedida à  Grã-Bretanha como um protectorado que impedisse o regresso otomano. Ou  seja, a cedência a Londres nunca foi de soberania. \u003Cbr \/\u003EA Comunidade  Internacional também não pode fechar os olhos ao papel humanitário  desempenhado pelo Governo de Nicósia sempre que uma crise no Médio  Oriente fica fora de controlo causando milhares de refugiados."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/6450284584049452041"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/6450284584049452041"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2010\/10\/a-ultima-divisao-europeia-em-chipre.html","title":"A última divisão europeia em Chipre"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]}]}});