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Esta questão não pode porém esconder a  que a antecede;  quem elabora a lista das execuções sumárias.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EA seguir ao atentado contra as Torres Gémeas, em Nova  Iorque, a 11 de Setembro de 2001 foi elaborada uma lista com algumas  dezenas de nomes de indivíduos presumivelmente implicados de forma  directa ou indirecta no terrorismo antiamericano. Segundo dados da New  América Foundation entre 2004 e 2011, com maior incidência no período da  Administração Obama, houve mais de 250 ataques com “drones”, causando  entre 1.557 a 2.464 mortes. Destas mortes, ou de forma mais elegante  execuções, não se sabe ao certo quantos foram os alvos atingidos e qual o  número de baixas que foram mortes colaterais, ou seja, pessoas que  apenas estavam no sítio errado à hora errada.\u003Cbr \/\u003EBarack Obama descobriu a  forma de atacar o seu inimigo sem expor mais tropas no terreno do que  as que já tinha no Afeganistão, Iraque e sabe-se lá mais onde. As  últimas semanas levantaram uma série de questões sobre danos colaterais  em massa.\u003Cbr \/\u003EOs ataques norte-americanos, franceses e britânicos contra o  auto proclamado “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” (EIIL), em  apoio às forças iraquianas e sobretudo curdas, não são ataques  cirúrgicos nem ataques de “drones”, mas bombardeamentos levados a cabo  por F-18, Tornados e Mirages com armas de precisão discutível, mesmo que  no terreno exista um sinalizador que “pinta” com laser os alvos a  atingir.\u003Cbr \/\u003EEstes ataques podiam ter ocorrido há muito mais tempo,  quando o EILL ainda não cercava cidades ou levava a cabo uma guerrilha  urbana. Quando as colunas do EILL se deslocavam em campo aberto nem  haveria danos colaterais a considerar; quando estavam prestes a ocupar  posições do Exército iraquiano apoderando-se do moderno material de  guerra fornecido pelos EUA tratava-se de bombardear posições mais ou  menos delimitadas em posição ofensiva. Os danos colaterais poderiam ser  do próprio Exército iraquiano sujas baixas apenas poderiam ser  minoradas.\u003Cbr \/\u003ENem nada disso foi feito nem o EILL é uma invenção  recente. Na verdade nasceu no Iraque durante a Guerra do Golfo em 1999 e  foi adquirindo expressão primeiro ligando-se à Al Qaeda e, em 2003,  assumindo-se como o mítico Estado Islâmico do Iraque e do Levante,  opondo-se ao sectarismo xiita do primeiro-ministro cessante do Iraque,  incapaz de levar a cabo uma política inclusiva, privilegiando grupos não  sunitas que apoiavam Saddam Hussein.\u003Cbr \/\u003EEm paralelo, ao contrário de  Bush pai, o filho desencadeou uma guerra que não só visou destituir  Saddam Hussein como deixou que o seu Exército, assente em sunitas, fosse  desmembrado e perseguido. O autoproclamado “Estado Islâmico” recebeu o  apoio deste grupo refugiado no Norte do Iraque, não muito longe do  Curdistão iraquiano.\u003Cbr \/\u003ESe tudo isto não chegasse depois do descalabro  que foi a intervenção na Líbia e no Egipto, para não ser fastidioso, as  chamadas potências europeias entram em conflito com a Rússia, com o Irão  e decidem apoiar a oposição ao Presidente sírio Bashar Al Assad. O EILL  esfregou as mãos de contente com o novo material que recebeu à pala de  ser anti-Assad, tornou-se mesmo muito activo e começou a sugar  militantes de outros grupos, esqueceu Damasco por instantes e virou-se  para o estabelecimento de um arco estratégico da Síria quase ao Irão  passando pelo Curdistão iraquiano, bem junto à fronteira com a Turquia.\u003Cbr \/\u003EO  apoio aos iraquianos contra o EI é porém manifestamente inferior ao  prestado aos curdos, a quem de facto se devem as poucas vitórias contra  os extremistas e praticamente nulo apoio contra o EIIL na Síria. Duas  razões: por um lado o Qatar, que só tem influência pelo seu petróleo,  recusa qualquer coligação que possa beneficiar Assad, como seriam os  ataques ao EIIL. Por outro a Turquia recusa qualquer apoio aos curdos  iraquianos, receosa do exemplo de um Curdistão iraquiano às suas portas e  as consequências que isso poderia ter nos curdos turcos, que há dezenas  de anos lutam pela independência ou pelo menos autonomia.\u003Cbr \/\u003ENum caso  como noutro as cidades curdas sob fogo do autoproclamado “Estado  Islâmico” são também danos colaterais e de grande dimensão; não só  porque se o apoio vier combate-se nas ruas das cidades cujos arredores  são agora palco de combates, ou se não vier são danos colaterais, não de  ataques menos cirúrgicos, mas de interesses políticos duvidosos.\u003Cbr \/\u003ESe  existem danos colaterais que possam ser aceitáveis, a dimensão que estes  estão a atingir, pelo atraso e tibieza da intervenção, a exclusão da  Síria, o afastamento do Irão para não ferir as susceptibilidades do  Qatar e as sauditas, são danos demasiadamente grandes, não serão danos  colaterais, mas a ignorância do direito a ser defendido e da obrigação  de defender. Mesmo depois da asneira na Líbia, Egipto e por aí fora.\u003Cbr \/\u003EAgora não há danos colaterais."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/7869193968572596799"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/7869193968572596799"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2014\/10\/a-aceitacao-de-danos-colaterais_14.html","title":"A aceitação de \"danos colaterais\""}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]}]}});