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|\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        19 de Novembro, 2015\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         Mesmo antes de anunciada a aliança, eventualmente de  circunstância,  entre Hollande e Putin, já Moscovo fazia cair sobre  posições do Estado  Islâmico o seu poder militar.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EMísseis de cruzeiro lançados do Mar Cáspio e  sobrevoando desta vez a Turquia, fizeram-se seguir por bombardeiros de  longo raio de acção, aumentando consideravelmente o poder militar da  dezena e meia de caças bombardeiros franceses que retaliavam pelos  atentados de Paris. A acção militar ordenada por Putin seguiu-se à  admissão pelo Kremlin de que o avião de passageiros destruído no Sinai  foi alvo de um atentado.\u003Cbr \/\u003ENum movimento sem precedentes, Vladimir  Putin deu instruções para que a frota russa do Mediterrâneo coordene as  suas acções com a frota francesa, por forma a maximizar o efeito dos  ataques. Não foi, certamente, por acaso, que os russos se juntaram neste  preciso momento. Três factores devem ser considerados: o atentado à  aeronave civil russa, a cimeira do G20 na Turquia e as vantagens  diplomáticas desta aliança com a França. Na Turquia, à margem do G20  muito trabalho diplomático deve ter decorrido. Não existe precedente no  sobrevoo não autorizado de mísseis de cruzeiro russos sobre a Turquia,  com que Moscovo não mantém tradicionalmente boas relações, sendo  retribuído por Ancara. Alem disso, os parceiros europeus dos EUA falam  cada vez mais numa união de esforços contra o terrorismo, incluindo a  Rússia, com quem as relações ficaram especialmente tensas depois dos  acontecimentos na Ucrânia.\u003Cbr \/\u003EFrançois Hollande tem uma cimeira marcada  em Moscovo com Vladimir Putin para 25 deste mês, escassas 24 horas  depois de se encontrar em Washington com Barack Obama. Não é claro se o  encontro com o chefe da Administração americana já estava marcado ou se o  foi depois de assente a reunião com Putin. Em qualquer dos casos,  parece estar a formar-se finalmente uma aliança militar e diplomática  contra o Estado Islâmico, considerada há muito essencial para a  resolução da questão síria. Ainda não é evidente se o Irão terá algum  papel e qual, já que é a Guarda Revolucionária iraniana quem mais tem  combatido os terroristas, em conjunto com as milícias curdas e o que  resta do Exército regular sírio. \u003Cbr \/\u003ETambém Merkel pressiona essa  aliança, muito em especial depois de ameaças de bomba na Alemanha. Não  deixa de ser curioso constatar a atitude até agora reservada de Londres,  que na Líbia acompanhou de imediato a acção francesa, bem menos  justificada que as operações que decorrem desde o final da semana contra  os terroristas do Estado Islâmico. Pode-se estar no início de uma  viragem de estratégia, mas com contornos muito complicados, já que dois  dos aliados dos EUA, Arábia Saudita e Qatar, financiam e armam directa  ou indirectamente as forças anti-governamentais sírias, armamento que  acaba por cair nas mãos do Estado Islâmico com demasiada frequência.  Além disso Washington parecia alérgico a Bashir Al Assad, figura que os  russos parecem considerar incontornável numa solução diplomática.\u003Cbr \/\u003EParece uma nova fase que pode mudar alguns aspectos da geoestratégia regional, mas também pode ser o início de um enorme “flop”."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/2301558889049770387"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/2301558889049770387"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2015\/11\/aliados.html","title":"Aliados"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-1184462389292286249"},"published":{"$t":"2015-05-12T19:34:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-03-29T19:35:07.019+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Alianças"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Sec XXI"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Segunda Guerra Mundial"}],"title":{"type":"text","$t":"Tantos anos que pouco mudaram"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        12 de Maio, 2015\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         Na sexta-feira decorreram 70 anos desde que no  quartel-general de  Eisenhower, em Reims, o general Alfred Jold,  comandante do Exército  alemão, assinou a rendição incondicional das  tropas alemãs aos Aliados.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003ENa Europa, África e Ásia 48 milhões de pessoas  perderam a vida no pior dos conflitos que o Mundo conheceu. Mais de  metade foram civis.\u003Cbr \/\u003EPassadas sete décadas os Aliados dividiram-se em  dois blocos, novas potências surgiram na cena internacional e as armas  foram substituídas pelo dinheiro como forma de subjugar outros povos e  regiões.\u003Cbr \/\u003EOs Estados da União Europeia fizeram-se notar pela ausência  em Moscovo como forma de se manifestarem contra o que consideram a  interferência russa na Ucrânia. Os restantes aliados foram incapazes de  se unir como o fizeram no ano passado em plena crise ucraniana, no  aniversário do desembarque na Normandia a 6 de Junho de 1944.\u003Cbr \/\u003EA  verdade é que desde o final da Segunda Guerra Mundial, fruto da Guerra  Fria e da entrada dos Estados Unidos na economia europeia, a História  tem sido reescrita.\u003Cbr \/\u003EApós a invasão da Polónia e a queda de França, em  1940, e da Batalha de Inglaterra entre o Verão e Outono de 1940, Hitler  concebe a “Operação Barbarossa”. No ano seguinte, quebrando o pacto de  não agressão assinado com Estaline, as tropas alemãs viram-se para Leste  em Junho de 1941, numa ofensiva que parecia imparável, e quatro milhões  de soldados alemães invadem a União Soviética.\u003Cbr \/\u003ESe Estaline assinou o  pacto de não agressão como uma forma de ganhar tempo, a verdade é que o  Exército Vermelho não estava totalmente recuperado das purgas  estalinistas. Face a um terreno favorável, a Wehrmacht e as suas 600 mil  viaturas blindadas progrediram rapidamente até aos arredores de Moscovo  e aos subúrbios de Leninegrado. Na sua retirada, o Exército soviético e  os civis queimaram tudo quanto pudesse apoiar os alemães e a sua  logística, obrigando a linhas de abastecimento cada vez mais longas e  vulneráveis.\u003Cbr \/\u003EA Luftwaffe estava desgastada pelas perdas materiais e  humanas sofridas na tentativa de derrotar a RAF e conseguir a supremacia  aérea que permitiria a Hitler tentar o desembarque em Inglaterra. A  resistência soviética beneficiou de um misto de nacionalismo,  historicamente presente no povo russo, e de recusa absoluta à submissão  nazi.\u003Cbr \/\u003ESe a batalha por Moscovo foi um ponto essencial do desgaste  alemão, a maquina militar nazi soçobrou no cerco a Leninegrado \/  Estalinegrado \/ São Petersburgo. Morreram no cerco milhões de russos, em  combate, de fome ou de frio. Qualquer visita ao cemitério histórico é  esmagadora quando se sabe o que ali se passou. Mas morreram também  centenas de milhares de alemães. Com o apoio do general “Inverno”, o  Exército Vermelho lançou uma contra-ofensiva que obrigou à retirada  alemã e se transformou numa guerra de atrito, para a qual os alemães,  desmoralizados, não estavam preparados.\u003Cbr \/\u003EA derrota alemã na Frente  Leste foi, de facto, o ponto de viragem da guerra, foi a desmistificação  da Wehrmacht como a Batalha de Inglaterra fora para a Luftwaffe.\u003Cbr \/\u003EA  entrada dos Estados Unidos na guerra não foi, ao contrário do que se  pretende hoje fazer crer, o factor decisivo da derrota nazi. Sem dúvida  que o desembarque na Normandia teria sido muito complicado sem a força  norte-americana, que\u0026nbsp; pesou no abreviar da guerra e evitou que no teatro  europeu fossem usadas armas atómicas, como viria a suceder na frente  asiática. Milhares de americanos perderam a vida na Europa, o material e  o petróleo vindo dos EUAforam cruciais. Mas a espinha dorsal nazi  estava quebrada desde a derrota em Moscovo e, sobretudo, Leninegrado. \u003Cbr \/\u003EPor tudo isto, “snobar” Putin foi um erro político que em nada contribuiu para a estabilidade e segurança europeias.\u003Cbr \/\u003EA  entrada dos Estados Unidos na guerra na Europa, depois do ataque  japonês a Pearl Harbour, não foi apenas um acto em defesa da democracia.  No seu primeiro encontro com Winston Churchill, o Presidente Roosevelt  levava na agenda uma exigência: a independência gradual dos países do  Império Britânico e das colónias dos aliados e a sua abertura ao  comércio mundial para favorecer as populações locais, promover o  desenvolvimento industrial desses países, melhorar condições sanitárias e  o acesso à educação, limitado pelo colonialismo. Na reunião, a bordo de  um navio ao largo da Terra Nova, Churchill acabou por ceder de forma  tão relutante como dúbia.\u003Cbr \/\u003EO comércio com as colónias era a riqueza da  Inglaterra. Truman sucedeu a Roosevelt e preocupou-se mais com a  penetração económica americana na Europa e Ásia e uma frente unida  contra a URSS do que com a Carta Atlântica assinada entre Roosevelt e  Churchill.\u003Cbr \/\u003ETerminada a guerra nas suas várias frentes, Europa, Leste,  África e Ásia, as independências foram varridas para debaixo do tapete.  Inglaterra e França mantinham as suas colónias em África e na Ásia.  Londres assinou a acta de independência da Índia, a sua “Jóia da Coroa”,  em 1947. O documento dividiu o subcontinente em dois países: Índia e  Paquistão, um hindu outro muçulmano, deixando áreas de definição  complicada como o Punjab e Caxemira. A independência ocorreu, mas o  conflito entre os dois países tem sido uma constante.\u003Cbr \/\u003ENo Médio  Oriente é conhecido o problema criado pela forma como foi constituído o  Estado de Israel. África, o continente mais rico e mais explorado,  manteve-se em luta até à independência do Zimbabwe e da Namíbia e o fim  do apartheid.\u003Cbr \/\u003EEssas foram as mudanças políticas formais. As  dependências económicas, históricas ou criadas mantêm-se em África e na  Europa onde o poder financeiro substituiu as armas, mas em todo o lado  numa situação bem mais pérfida. Na Segunda Guerra Mundial e nas Guerras  de Libertação que se seguiram os campos estavam definidos, os inimigos  ou adversários identificados, característica que se manteve durante a  Guerra Fria.\u003Cbr \/\u003ENo Século XXI o poder deixou de estar nas mãos dos  políticos, em especial nos países desenvolvidos, para estar nas mãos  dessas entidades sem rosto que são os mercados. A independência  nacional, por todo o lado, é um compromisso entre a verdadeira soberania  gerida por políticos nacionais e os limites que a finança e os mercados  impõem ao seu exercício.\u003Cbr \/\u003EO princípio parece ser este: democracia  sim, mas sem exageros que ponham em causa os interesses infiltrados.  Será exagero dizer que os 70 anos não mudaram o Mundo? Talvez, que cada  um o decida."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1184462389292286249"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/1184462389292286249"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2015\/05\/tantos-anos-que-pouco-mudaram.html","title":"Tantos anos que pouco mudaram"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-7869193968572596799"},"published":{"$t":"2014-10-14T20:06:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-03-29T20:07:20.176+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Alianças"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Ataques"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Estado Islâmico"}],"title":{"type":"text","$t":"A aceitação de \"danos colaterais\""},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        14 de Outubro, 2014\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         Os ataques norte-americanos com “drones” em território  paquistanês para  abater talibãs na lista de morte da comunidade de  informações de  Washington levantaram de forma mais acentuada a questão  dos chamados  danos colaterais. Esta questão não pode porém esconder a  que a antecede;  quem elabora a lista das execuções sumárias.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EA seguir ao atentado contra as Torres Gémeas, em Nova  Iorque, a 11 de Setembro de 2001 foi elaborada uma lista com algumas  dezenas de nomes de indivíduos presumivelmente implicados de forma  directa ou indirecta no terrorismo antiamericano. Segundo dados da New  América Foundation entre 2004 e 2011, com maior incidência no período da  Administração Obama, houve mais de 250 ataques com “drones”, causando  entre 1.557 a 2.464 mortes. Destas mortes, ou de forma mais elegante  execuções, não se sabe ao certo quantos foram os alvos atingidos e qual o  número de baixas que foram mortes colaterais, ou seja, pessoas que  apenas estavam no sítio errado à hora errada.\u003Cbr \/\u003EBarack Obama descobriu a  forma de atacar o seu inimigo sem expor mais tropas no terreno do que  as que já tinha no Afeganistão, Iraque e sabe-se lá mais onde. As  últimas semanas levantaram uma série de questões sobre danos colaterais  em massa.\u003Cbr \/\u003EOs ataques norte-americanos, franceses e britânicos contra o  auto proclamado “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” (EIIL), em  apoio às forças iraquianas e sobretudo curdas, não são ataques  cirúrgicos nem ataques de “drones”, mas bombardeamentos levados a cabo  por F-18, Tornados e Mirages com armas de precisão discutível, mesmo que  no terreno exista um sinalizador que “pinta” com laser os alvos a  atingir.\u003Cbr \/\u003EEstes ataques podiam ter ocorrido há muito mais tempo,  quando o EILL ainda não cercava cidades ou levava a cabo uma guerrilha  urbana. Quando as colunas do EILL se deslocavam em campo aberto nem  haveria danos colaterais a considerar; quando estavam prestes a ocupar  posições do Exército iraquiano apoderando-se do moderno material de  guerra fornecido pelos EUA tratava-se de bombardear posições mais ou  menos delimitadas em posição ofensiva. Os danos colaterais poderiam ser  do próprio Exército iraquiano sujas baixas apenas poderiam ser  minoradas.\u003Cbr \/\u003ENem nada disso foi feito nem o EILL é uma invenção  recente. Na verdade nasceu no Iraque durante a Guerra do Golfo em 1999 e  foi adquirindo expressão primeiro ligando-se à Al Qaeda e, em 2003,  assumindo-se como o mítico Estado Islâmico do Iraque e do Levante,  opondo-se ao sectarismo xiita do primeiro-ministro cessante do Iraque,  incapaz de levar a cabo uma política inclusiva, privilegiando grupos não  sunitas que apoiavam Saddam Hussein.\u003Cbr \/\u003EEm paralelo, ao contrário de  Bush pai, o filho desencadeou uma guerra que não só visou destituir  Saddam Hussein como deixou que o seu Exército, assente em sunitas, fosse  desmembrado e perseguido. O autoproclamado “Estado Islâmico” recebeu o  apoio deste grupo refugiado no Norte do Iraque, não muito longe do  Curdistão iraquiano.\u003Cbr \/\u003ESe tudo isto não chegasse depois do descalabro  que foi a intervenção na Líbia e no Egipto, para não ser fastidioso, as  chamadas potências europeias entram em conflito com a Rússia, com o Irão  e decidem apoiar a oposição ao Presidente sírio Bashar Al Assad. O EILL  esfregou as mãos de contente com o novo material que recebeu à pala de  ser anti-Assad, tornou-se mesmo muito activo e começou a sugar  militantes de outros grupos, esqueceu Damasco por instantes e virou-se  para o estabelecimento de um arco estratégico da Síria quase ao Irão  passando pelo Curdistão iraquiano, bem junto à fronteira com a Turquia.\u003Cbr \/\u003EO  apoio aos iraquianos contra o EI é porém manifestamente inferior ao  prestado aos curdos, a quem de facto se devem as poucas vitórias contra  os extremistas e praticamente nulo apoio contra o EIIL na Síria. Duas  razões: por um lado o Qatar, que só tem influência pelo seu petróleo,  recusa qualquer coligação que possa beneficiar Assad, como seriam os  ataques ao EIIL. Por outro a Turquia recusa qualquer apoio aos curdos  iraquianos, receosa do exemplo de um Curdistão iraquiano às suas portas e  as consequências que isso poderia ter nos curdos turcos, que há dezenas  de anos lutam pela independência ou pelo menos autonomia.\u003Cbr \/\u003ENum caso  como noutro as cidades curdas sob fogo do autoproclamado “Estado  Islâmico” são também danos colaterais e de grande dimensão; não só  porque se o apoio vier combate-se nas ruas das cidades cujos arredores  são agora palco de combates, ou se não vier são danos colaterais, não de  ataques menos cirúrgicos, mas de interesses políticos duvidosos.\u003Cbr \/\u003ESe  existem danos colaterais que possam ser aceitáveis, a dimensão que estes  estão a atingir, pelo atraso e tibieza da intervenção, a exclusão da  Síria, o afastamento do Irão para não ferir as susceptibilidades do  Qatar e as sauditas, são danos demasiadamente grandes, não serão danos  colaterais, mas a ignorância do direito a ser defendido e da obrigação  de defender. Mesmo depois da asneira na Líbia, Egipto e por aí fora.\u003Cbr \/\u003EAgora não há danos colaterais."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/7869193968572596799"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/7869193968572596799"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2014\/10\/a-aceitacao-de-danos-colaterais_14.html","title":"A aceitação de \"danos colaterais\""}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-7724746994889598770.post-5915200686716849615"},"published":{"$t":"2014-09-02T20:10:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2016-03-29T20:11:10.337+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"Alianças"}],"title":{"type":"text","$t":"Repensar alianças e dependências"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cheader\u003E     \u003Ch1 class=\"title-section2 serif\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/h1\u003E\u003Cstrong\u003EBenjamim Formigo |\u003C\/strong\u003E\u003Cbr \/\u003E                        2 de Setembro, 2014\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/header\u003E         \u003Cdiv class=\"intro\"\u003E         \u003Cdiv class=\"texted\"\u003E         Desde o final da Guerra Fria, em 1991, o Mundo não vivia uma  tão grande  crise política, financeira e social. Os que viveram os  tempos da Guerra  Fria e olharem em volta verificam, sem dificuldade,  que a situação é  hoje bem mais complexa e menos controlável e,  portanto, maior o risco de  conflito armado de grandes dimensões.\u003Cbr \/\u003E     \u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003EA caótica situação internacional acresce a crise  financeira internacional, sem fim à vista e agora com a maioria dos  sistemas políticos dependentes das casas financeiras e não o contrário. A  situação social é terrível, quer do ponto de vista moral quer da  degradação da qualidade de vida e aumento do fosso social. Para compor o  conjunto África conhece o pior surto epidémico de ébola que ao ameaçar o  Primeiro Mundo veio acelerar a investigação no tratamento e vacinação.\u003Cbr \/\u003ENo  Vaticano, pela primeira vez, surge um Papa preocupado e aparentemente  empenhado mas que pouco pode fazer, a não ser um alerta de consciências  que só terá efeito se conseguir ser transversal. De momento é a única  voz não académica que alerta para os riscos crescentes. Na sexta-feira a  União Europeia fazia de novo voz grossa perante o que se desenha de  facto como o início de uma intervenção militar russa na Ucrânia. A  importância comercial da Ucrânia falou mais forte à UE que o seu peso no  equilíbrio geoestratégico, partindo os jovem turcos que pensam comandar  o Mundo do errado princípio de que a Rússia não poderia aguentar a  pressão das sanções económicas e por isso cederia à agitação criada ou  fomentada, se quisermos, naquela antiga República Soviética. Na véspera o  Presidente Obama deixava claro que um confronto com a Rússia estava  fora de questão. No entanto a retórica europeia encabeçada por François  Hollande, imerso em problemas domésticos causados pelas políticas  financeiras que deram recentemente uma importante vitória eleitoral à  extrema direita, falava num “ponto de não retorno” no conflito na  Ucrânia.\u003Cbr \/\u003EEnquanto isso a situação de confronto com o movimento  radical do Califado do Iraque e do Levante tornou-se transversal desde a  fronteira sírio-israelita até ao Iraque, sendo combatido por  debilitadas forças regulares sírias e iraquianas com apoio dos  guerreiros curdos e apoios aéreos esporádicos dos EUA, que recusaram a  colaboração do Governo sírio na luta contra o movimento radical  islâmico, o qual detém o poder sobre uma larga faixa de território desde  as fronteiras do Curdistão iraquiano até, agora, aos Montes Golãs, onde  atacaram e fizeram prisioneiros militares da força de manutenção de paz  da ONU.\u003Cbr \/\u003EAté 1991 o Mundo vivia dividido em dois grandes blocos, a  URSS com o Pacto de Varsóvia e seus aliados e os EUA com a OTAN e  aliados. Entre os dois estava uma maioria de países que não tinham então  o poder que hoje as suas economias lhes dão e se agregavam no Movimento  dos Não-Alinhados, desaparecido com o final da Guerra Fria, a  pulverização da Jugoslávia e o redesenhar de outras fronteiras. Está  agora claro que dos países desenvolvidos não virá uma solução, de certo  modo eles e os neoliberais que servem os interesses financeiros fazem  parte do problema, Rússia incluída. Contudo não existe nenhuma  organização que agregue outras vontades e dê voz a outras opiniões.  Vivemos a noite do pensamento único, escrevi-o uma vez.\u003Cbr \/\u003EHoje chegamos  ao ponto em que é necessário que, pelo menos os antigos Não-Alinhados,  apoiados pelas economias emergentes, de quem o mundo desenvolvido no  fundo depende, repensem as suas alianças políticas, as suas dependências  financeiras e até a forma de fazer política. A minha geração, a geração  do poder, ainda tem algumas vozes dissonantes mas não se pode contar  apenas com elas, são uma mão cheia e a maioria académicos.\u003Cbr \/\u003EHá que  procurar novas alianças, usar as mesmas armas, os interesses  financeiros, mas controlados por políticos, para começar a mudar esta  situação abominável que é a inversão da importância social colectiva a  favor de interesses individuais. Para um agnóstico as palavras do Papa  Francisco, as suas alocuções, a expressão do seu pensamento fazem todo o  sentido, por maioria de razão o fará para os católicos, e até, como se  viu, judeus e cristãos ortodoxos. O Mundo Islâmico também não ficou  indiferente. O Papa, sabe-se, não é um líder político, mas um Homem que  faz política.\u003Cbr \/\u003EO tempo não é um aliado dos que pretendem deixar um Mundo melhor na sua herança, quanto mais não seja intelectual."},"link":[{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/5915200686716849615"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/7724746994889598770\/posts\/default\/5915200686716849615"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.formigo.pt\/2014\/09\/repensar-aliancas-e-dependencias.html","title":"Repensar alianças e dependências"}],"author":[{"name":{"$t":"Benjamim Formigo"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/16590701185727947611"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"29","height":"32","src":"\/\/4.bp.blogspot.com\/-O2hJtkR7v9s\/Vw0wh-nNYxI\/AAAAAAAAAEI\/gljUorIr9ccMJFwsRGli0og0u_N9mH7VgCK4B\/s113\/image1.JPG"}}]}]}});