terça-feira, 12 de abril de 2016

Volatilidade eleitoral


Benjamim Formigo |
12 de Abril, 2016


Junho será o limite para Trump conseguir 60 por cento, ou seja, 1.237 delegados à Convenção Republicana, para ter a candidatura oficialmente apoiada pelo Partido Republicano.
Dois grandes prémios jogam-se a 7 de Junho: Nova Iorque e a Califórnia. Contudo, nas últimas semanas, depois da desistência de Jeb Bush e do candidato preferido do“establishment” republicano, Mário Rubio, a concorrência Donald Trump aumentou, com os votos moderados a caírem para o discreto John Kasich e o radical do “Tea Party” Ted Cruz.
Com a opinião pública por formatar, os republicanos vão-se reunir em Julho em Cleveland, Ohio, para escolherem entre os mais votados nas primárias. Aqui, o voto popular conseguido nas primárias pode – e já sucedeu – ser alterado pelo sentido do voto das centenas de “grandes eleitores”, os homens do partido que têm a última palavra e podem alterar o sentido do voto e, até,convencer delegados a alterarem o seu voto. O que é válido para os republicanos é para os democratas, que passam pelo mesmo sistema final de escolha.
Do lado democrata, a corrida parece estar a começar. Há algumas semanas ninguém duvidava de uma vitória de Hillary Clinton. Nas últimas semanas, o carisma de Bernie Sanders e a sua estrutura política levaram a uma recuperação considerável do senador. Clinton ganhou até agora mais Estados e mais delegados. Contudo, Sanders parece ter entrado no seu território, ganhando sete dos oito Estados em disputa nas últimas semanas.
O dia 19 de Abril será crucial para os democratas. Em disputa vão estar os delegados por Nova Iorque – e não são poucos – seguindo-se uma linha de disputas a partir de 26 de Abril que deixam tudo em aberto. Sobretudo porque um dos dois grandes prémios, Nova Iorque, pode cair para qualquer um dos candidatos. O mesmo se poderá dizer da Califórnia, mais liberal e eventualmente mais próxima de Sanders. Sem falar nos “super-delegados”. Segundo uma sondagem da Associated Press, Sanders conta apenas com 38 “super-eleitores” e Clinton beneficia dos restantes. Mesmo que Bernie Sanders tivesse a maioria de delegados, Hillary bate-o nos tais “super-eleitores” ou “super-delegados”, a tal “mainstream” do Partido Democrático, que até pode agradar à Califórnia com uma meia centena de votos no Colégio Eleitoral.
No entanto, nas sondagens é Sanders quem ganha a todos os candidatos republicanos, enquanto Hillary apenas ganha a Donald Trump. Resta saber se é possível confiar nas sondagens num processo tão complicado como o dos EUA, sem contar com a volatilidade dos seus eleitores.