11 de Setembro, 2015
A corrida eleitoral portuguesa foi relançada na quarta-feira
após o debate televisivo entre os dois líderes políticos candidatos ao
lugar de Primeiro Ministro: Pedro Passos Coelho, dirigente da
coligação PAF (Portugal à Frente) e António Costa, secretário-geral do
Partido Socialista.
Por seu turno Pedro Passos Coelho, no poder, beneficiava estando quieto dos sucessivos tiros no pé dados pelo maior partido da oposição e esperava que a detenção de José Sócrates se viesse a reflectir negativamente na campanha. O factor Sócrates não se tem mostrado um problema. Em contrapartida, a imagem de inflexibilidade do Primeiro Ministro Passos Coelho e o programa de austeridade a que submeteu o país nos últimos quatro anos pareciam esbater-se face ao receio de saltar para o desconhecido. Favorecia o PAF a imagem de Paulo Portas, líder dos democratas cristãos, antigo jornalista, homem extremamente inteligente, de excelente trato, terra a terra e com uma imensa capacidade de comunicação só superada porventura pela sua ambição, legítima diga-se em abono da verdade. O PAF subia dia a dia nas sondagens que quarta-feira colocavam PS e PAF ombro a ombro sem maioria absoluta para qualquer dos lados.
Novos partidos apenas o de Marinho Pinto, antigo bastonário da Ordem dos Advogados e do Capitão de Abril, coronel Sousa Castro. Na orla da esquerda PCP mostra-se sólido e o Bloco de Esquerda procura manter no mínimo os deputados que tem.
Neste contexto o debate de quarta-feira entre Passos Coelho e António Costa poderia, e poderá, ser decisivo. Transmitido em simultâneo por todos os canais abertos de televisão o seu impacto não pode ser negligenciado. A opinião generalizada dos comentaristas e as sondagens feitas pelas estações de televisão dão uma vitória notável a António Costa que descolou das águas mornas em que o partido tem feito campanha para se atirar a questões concretas de forma incisiva, remetendo o PM a uma posição defensiva e levando-o a falar mais do programa eleitoral socialista e do passado que das suas próprias ideias e do futuro. A tentativa de fazer jogos malabares com números não resultou. Invocar melhoria no Serviço Nacional de Saúde foi uma imensa asneira quando começa a haver consciência de que se as coisas não correm pior no sector é porque os profissionais, médicos e enfermeiros, trabalham muito para além dos seus horários sem serem remunerados por isso.
Na quinta-feira de manhã tinha havido um “reset” na campanha política. Tudo estava em aberto. A partir de agora o Partido Socialista só pode perder eleições se voltar a ser inábil, incapaz e incompetente desbaratando os ganhos conseguidos a solo pelo seu Secretário-geral. Para o PAF trata-se de no mínimo agarrar o seu potencial eleitorado para evitar uma maioria absoluta do PS. Passos Coelho não é o melhor comunicador e por isso talvez Portas assuma uma nova dimensão. Mas não é certo que os egos não interfiram.
A demagogia desta vez será fatal a quem a usar em doses excessivas, já que não há campanha que se preze que não tenha a sua dose de demagogia. A luta é pela conquista da imensa maioria de indecisos e nos votos do medo. Neste momento as sondagens falam apenas em quem venceu um debate e ainda há três semanas pela frente... e muita aselhice potencial.