15 de Setembro, 2014
Barack Obama declarou guerra ao autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
As monarquias do Golfo deram o seu acordo de princípio mas sem se comprometerem com o envio de tropas, pelo menos abertamente. A OTAN deu o seu acordo mas só a Grã-Bretanha e a França se propuseram entrar na campanha aérea que a Casa Branca iniciou em pequena escala há algumas semanas. Obama enviou o seu secretário de Estado ao Médio Oriente com especial atenção no Egipto e na Turquia, cujos apoios seriam senão essenciais pelo menos de grande importância.
O Egipto por ser o centro cultural islâmico cujo regime não tolera extremistas. A Turquia porque, para além da base aérea americana em Incirlik, se faz através da sua fronteira o contrabando do petróleo iraquiano nas mãos do EIIK. O petróleo que os extremistas vendem no mercado negro e com que se financiam agora estima-se que renda cerca de dois milhões de dólares, a que acrescentam um esquema de “impostos” que rondará um milhão de dólares americanos. Por outro lado sem a base de Incirlik os americanos são obrigados a desencadear os seus ataques a partir de porta-aviões tanto no Mediterrâneo como no Golfo Pérsico.
As monarquias do Golfo durante décadas “pagaram” a sua tranquilidade com o financiamento de grupos menos aconselháveis e com isso iam mantendo alguma tranquilidade. No caso do EIIL a situação é bem mais grave que a própria Al Qaeda, que os afastou, pois assenta num radicalismo supostamente sunita que recebe mercenários supostamente convertidos ao Islão. Ao contrário da Al Qaeda os seus operacionais recebem um salário que drena uma considerável parte das receitas. Os raptos são mais manobras de propaganda que de angariar fundos, como os piratas ao largo da Somália. Estão, segundo se sabe, em comunicação com outros grupos, designadamente na África Ocidental. O território sob o seu controlo estende-se desde a fronteira com o Irão até à costa síria do Mediterrâneo. Os Estados Unidos pretenderam, pretendem, excluir da sua aliança a Síria, por razões para eles óbvias, e o Irão por causa do diferendo nuclear. Todavia a entrada de Teerão nesta aliança, mesmo que tácita, permitia uma pressão vinda de Leste sobre os extremistas.
Washington terá de colocar a capacidade nuclear iraniana em fundo, dando maior importância à sua situação geoestratégica e geopolítica. Poder-se-ia argumentar que era um apoio xiita contra os radicais sunitas que lideram o EIIL, é um facto mas contrariado pelo apoio da maioria sunita no Golfo, Egipto e outros Estados do Médio Oriente. Barack Obama teve o cuidado de esperar que em Bagdade estivesse um novo Primeiro Ministro, sunita também, mas com uma visão inclusiva contrária à do seu antecessor. Por fim esta nova situação que se está a criar e que Obama deixará em herança a quem lhe suceder, não se pense que estamos perante um caso de resolução rápida como o Kosovo, que a Europa terá de gerir durante alguns anos e os países no hemisfério Ocidental terão de equacionar.
O primeiro beneficiado provável é o homem que há um ano Barack Obama queria bombardear: Bashar Al Assad. À medida que os ataques aéreos forem bem sucedidos o território deixado pelas forças do EIIL terá de ser ocupado militarmente. Na Síria apenas o Governo dispõe de um Exército capaz de proceder a essa ocupação, a oposição armada não tem condições para o fazer. No Iraque já a situação é bem mais complicada. O Exército regular iraquiano, derrotado no passado por grupelhos do EIIL, não se transformou de um dia para o outro para poder avançar consolidando posições no território desocupado e não é evidente que os curdos tenham capacidade para isso. Já no Leste do Iraque, na zona de fronteira com o Irão, a questão é bem mais complicada, não sendo de afastar a hipótese de o Irão fazer avançar as suas forças garantido a sua própria segurança.
Uma questão fica porém em aberto: a legitimidade. Os americanos têm discutido a legitimidade de o Presidente desencadear uma operação deste tipo, ou seja uma guerra. Internacionalmente porém seria de todo aconselhável que houvesse uma Resolução do Conselho de Segurança sobre esta matéria.