10 de Setembro, 2013
Crise económica; abrandamento do crescimento nos países
emergentes; evitar que o mundo desenvolvido escorregue de novo para a
recessão arrastado pelas economias emergentes, evitar a crise; mas qual
crise? Alguém me explica?
Apesar da boa vontade e de enfrentar de boa fé um teclado não consigo deixar de pensar, certamente por burrice minha ou caturrices de velho, que o G-20 foi uma farsa que serviu apenas para contar espingardas e fazer manobras de relações públicas em torno da Síria.
Afinal de contas o que é que os Vinte decidiram quanto à ameaça do abrandamento das economias emergentes? A agenda da reunião centrava-se toda ela no abrandamento do crescimento nos países emergentes. As instituições internacionais prepararam documentos sobre a recuperação através do relançamento do consumo evitando os erros que se cometeram na Europa onde as medidas de austeridade desencadearam uma onda de desemprego, redução de consumo e consequentemente dos PIN’s bem como das receitas fiscais.
Ao longo dos dois dias do encontro só se ouviu falar das eventuais retaliações norte-americanas contra a Síria e, em termos económicos, do impacto desses ataques nos preços do petróleo e na retoma dos países europeus. A Alemanha em particular não escondeu os receios de que uma subida do preço do crude levasse à subida dos bens industriais com consequente impacto negativo nas suas exportações, como não o escondeu o Japão nem nenhum dos países europeus ou as instituições presentes. Todavia no final as diversas declarações centraram-se na crise síria passando à margem da ameaça de abrandamento da economia emergente no momento exacto em que os países industrializados começam a conhecer um crescimento positivo, mesmo os que têm estado sob intervenções financeiras externas.
A China desde o primeiro minuto, quase, sublinhou os riscos de uma subida no preço do crude com uma crise no Médio Oriente quando o seu crescimento está em desaceleração. O mesmo para a Índia e Brasil entre outros.
Vladimir Putin fez questão em não tocar na agenda do encontro remetendo a questão que separa a Rússia e EUA para o jantar da passada sexta-feira. Seria pois de esperar que os trabalhos decorressem de forma mais ou menos normal. A verdade é que o público não ficou com a menor ideia do que pensam os líderes mundiais de uma crise económica potencialmente emergente sobre a crise já existente.
O público em geral ficou apenas mais consciente de que os Vinte estão profundamente divididos sobre a crise porventura mais grave que se está a atravessar. O público, ou seja o cidadão eleitor e contribuinte, ficou e sem saber o que os chefes nominais da economia mundial pretendem fazer caso se mantenha ou acentue a desaceleração das economias emergentes.
Afinal há crise?