5 de Agosto, 2013
De cada vez que num país de importância geoestratégica para o
Ocidente, e com quem o caldo anda entornado, sobe ao poder um novo
líder, os vários analistas recebem “informações fidedignas” que vêm
nesse homem (ou mulher) um homem moderado.
Em vésperas da tomada de posse do Presidente Hassan Rohani – e quando já se falava dele como um moderado - a Câmara dos Representantes dos EUA, certamente para o estimular e o apoiar na sua moderação, aprovou o mais penalizador pacote de novas sanções económicas contra o Irão. Se o Senado as confirmar as dificuldades do país serão ímpares. A diplomática decisão do Congresso dos Estados Unidos acresce às sanções já anteriormente impostas tanto por Washington como pela União Europeia. A economia iraniana está a ser estrangulada como provavelmente nunca nenhuma outra foi e o país está sob uma explícita ameaça de ataque israelita.
Os líderes de países europeus convidados à tomada de posse do novo Presidente boicotaram em conjunto o convite. Contudo, hipocritamente, altos funcionários desses mesmos países, e da Administração americana, procuram fazer passar a mensagem do carácter moderado do novo líder iraniano.
Por muito boas que possam ser as suas relações com o ayatolah Ali Kahmenei não existem quaisquer motivos para que Hassan Rohani procure conseguir junto do líder religioso do país uma abertura, uma mudança política. Por espantosa que possa ter sido a sua eleição à primeira volta não se pode vender a um eleitorado esmagado pelas sanções estrangeiras a ideia de cedências em troca de uma mão cheia de nada. Acontece que os moderados só o podem ser se tiverem condições para isso. E essas condições não são apenas a sua vontade pessoal, a disponibilidade interna. Essas condições passam essencialmente pela manifestação extrema de abertura. Passa, em síntese, por os Estados moderados abrandarem, no mínimo, as suas posições radicais.
Não vale de nada nem serve ninguém descobrir moderados entre os adversários se aquilo que se pretende é a sua rendição.