21 de Maio, 2013
Numa só edição do diário francês “Le Monde”, com data de 21
de Maio, o editorial insurge-se, com toda a razão, pela inércia de uma
solução na Síria, e na página três o destaque da abertura vai para a
situação em Cuba.
O direito ao trabalho está consignado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Como tudo o que está consignado em declarações universais a importância que lhes é dada pelos “media” e pelos políticos torna-se contextualmente relativa. Se referi o nome do “Le Monde” foi apenas por se tratar do mais recente que me passou sob os olhos.
Na Europa ou nos Estados Unidos, em plena crise, o leitor, o público é constantemente bombardeado com declarações, posições, notícias, artigos de opinião sobre Cuba, a Síria, o Irão, em síntese, os demónios dos desenvolvidos, enquanto em África, na Ásia e até na América do Sul a situação das populações é incomensuravelmente mais grave pelas necessidades de sobrevivência, pela constante agressão, pela violência.
Mas a agressão é de um modo geral referida quando se traduz em violência por parte dos não aliados dos países desenvolvidos.
As crises que se multiplicam e mantêm, estão a levar ou já levaram para a miséria milhões de pessoas em todo o mundo, nasceram de geração espontânea, não têm responsáveis, sejam Estados, empresas ou indivíduos. Espantoso analisar a evolução dos “media”, mesmo os mais liberais, até tradicionalmente de esquerda, que passaram a olhar o umbigo e a esquecer os outros. No fundo, reflectem o individualismo instalado, uma cultura justificada por uma pseudo competitividade que não é mais do que a lei do vale tudo e do mais forte.
Se os Direitos Humanos colidirem com os interesses económicos e/ou os financeiros, passam a ser uma relíquia de intelectuais do Maio de 68 ou de militantes de esquerda de passo trocado com este maravilhoso século XXI. A geração do pós-guerra (II Guerra Mundial) está a retirar, depois de alguns líderes saídos dessa geração terem aberto as portas à lei da selva que se instala à custa dos desfavorecidos, sejam trabalhadores nos países desenvolvidos seja todo o Terceiro Mundo a que agora, por mero interesse de relações publicas, se passou a destacar como economias emergentes.
Direitos Humanos, claro que sim, mas desde que não afectem os interesses instituídos.