18 de Fevereiro, 2013
A não desvalorização das moedas nacionais com a finalidade de evitar “concorrência desleal” na realidade não é mais do que uma forma de tentar valorizar o dólar e o euro face às restantes moedas nacionais de referência nas relações comerciais globais.
Uma outra questão que desde Novembro era preocupação não só nas agências de apoio ao desenvolvimento como de grupos regionais, como o parceiro da UE, África, Caraíbas e Pacífico: o corte do financiamento nos programas de desenvolvimento e de auxílio, de emergência ou não.
A União Europeia, pela primeira vez nos seus quase 60 anos de existência, cortou o orçamento 2014/2020 e nesse corte atingiu os fundos de apoio em especial na África subsaariana. Fundos que, segundo responsáveis do apoio não governamental, teriam evitado nos últimos três anos apenas que mais de 50 milhões de pessoas caíssem abaixo do limiar de pobreza em 50 países. Uma decisão tomada pelos Governos europeus ignorando a última sondagem “Eurobarometro”: 85 por cento dos europeus inquiridos defendiam a continuação do apoio ao desenvolvimento e 65 por cento defendiam mesmo o aumento desse apoio.
O Mundo está definitivamente a ser governado não por políticas ou políticos mas pelo défice e por financeiros. De lado, apesar das declarações britânicas e francesas ficou por abordar uma outra situação de extrema importância para os países em desenvolvimento, sejam países pobres ou ricos em matérias-primas: a fuga ao fisco das multinacionais, a forma como as multinacionais se servem de legislação aprovada para favorecer o investimento estrangeiro para gozarem de privilégios criados para as empresas nacionais, designadamente no sector alimentar. Os casos extremos ocorrem na Zâmbia e no Quénia. Mas ocorrem também de um modo geral com todas as empresas estrangeiras que recorrem aos paraísos fiscais subtraindo aos tesouros nacionais rendimentos consideráveis.
Como explicar, tomando o Quénia como exemplo, que nos últimos anos o país tenha recebido um apoio alimentar de 1,6 mil milhões de dólares, do país tenham saído produtos alimentares no valor de três mil milhões e 45.9 por cento da sua população viva abaixo do limiar da pobreza. Ou que na África subsaariana tenha entrado ajuda ao desenvolvimento na ordem dos mil milhões de dólares e o PIB tenha caído 15 por cento (números citados sábado pela cadeia Al Jazeera).
Os cidadãos dos países desenvolvidos ouvem diariamente dos seus políticos a justificação da necessidade de cumprir os compromissos internacionais assumidos, para justificar a austeridade global, todavia os mesmos políticos esquecem os compromissos assumidos internacionalmente ao definirem os objectivos do Milénio: reduzir em 50 por cento a pobreza no Mundo.
Os países desenvolvidos irão gastar em 2020 em apoio ao desenvolvimento menos do que gastaram em 2007. As suas empresas, que “investem” nos países em desenvolvimento, estão cada vez mais ricas manipulando legislações nacionais e recolhendo-se em paraísos fiscais.