quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Natal da crise


Benjamim Formigo |
26 de Dezembro, 2012
Fotografia: AFP
A crise que desde 2008 assola o planeta, iniciada com a falência do Lehman Brothers e o efeito dominó criado, demonstra que vai entrar no seu quinto ano de crescimento depois de um bom Natal de recessão no mundo.
A crise que desde 2008 assola o planeta, iniciada com a falência do Lehman Brothers e o efeito dominó criado, demonstra que vai entrar no seu quinto ano de crescimento depois de um bom Natal de recessão no mundo. Uns sentem-na mais que outros por estarem mais vulneráveis, todavia a crise tem um movimento ondulatório que se vai estendendo e absorvendo as Nações. Europa e Estados Unidos continuam em recessão. Os crescimentos apontados para estas duas zonas, iguais ou inferiores a 1,5 por cento são de facto tendências recessivas nos dois maiores consumidores mundiais.
Curioso no entanto é verificar que existe uma área da economia dos chamados países desenvolvidos em plena expansão neste período de crise: a indústria de defesa.
De 15 a 17 de Dezembro, para não recuar mais no tempo, a indústria militar norte-americana e europeia facturou e teve encomendas firmes superiores a 1,214 mil milhões de dólares declarados; no mesmo período houve avultadas encomendas de valor não especificado quer no sector aeronáutico quer no naval e guerra electrónica.
Se os fornecedores se concentram na Europa e nos Estados Unidos os compradores distribuem-se com especial incidência no Golfo e na Ásia, em particular a Índia, que garantiu em final de Novembro, com um só contrato, a vitalidade da indústrias aeronáuticas francesa e britânica. Na Europa as aquisições não têm sido elevadas, à excepção da França que contratualizou sem sair de casa a remodelação de equipamentos e novos mísseis; outros europeus a comprar foram nórdicos. Todos eles curiosamente procederam a aquisições destinadas à aviação e marinha e todas de alta tecnologia. Os Estados Unidos continuam a dever uma parte importante do seu ainda fraco crescimento às encomendas do Pentágono.
Em termos globais a indústria de guerra parece ser o sector menos afectado pela crise. Globalmente apenas a Europa parece não sentir necessidade de manter Forças Armadas com poder convincente nem mesmo que isso estimule a sua economia, dando prioridade à austeridade que continuará a acentuar-se no próximo ano. A crise está a ter de facto o seu Natal, a crise e obviamente o complexo militar-industrial.