30 de Setembro, 2012
Quinta-feira passada, na abertura da Assembleia Geral da
ONU, o PM israelita moderou substantivamente o seu discurso remetendo
uma eventual intervenção militar israelita contra as instalações
nucleares iranianas para meados do próximo ano, ao mesmo tempo que
oficialmente era revelada a nova posição de Israel a favor de mais
sanções.
No final do primeiro trimestre deste ano Israel pressionava a Comunidade Internacional e deixava saber que Maio seria um limite. Todavia uma aventura militar contra o Irão não é o mesmo que fomentar as chamadas “primaveras árabes” e com a situação na Síria em permanente degradação ninguém queria ser arrastado para esse conflito.
Menos do que todos os Estados Unidos que face a uma eventual retaliação ver-se-iam na contingência de intervirem ao lado de Israel.
A Administração Obama foi deixando isso claro e os seus aliados também se colocaram de fora através de um conjunto de sanções de efeitos duvidosos.
Com a aproximação das eleições de Novembro e a vantagem que Obama vai somando nas sondagens face a Mitt Romney desde o início de Setembro, passadas as convenções, Netanyahu achou por bem moderar o seu discurso mais em linha com a Casa Branca.
Esta mudança deixa porém ver mais uma situação em que a opinião pública internacional estava a ser enganada.
Quando no primeiro trimestre deste ano se dizia que o programa nuclear iraniano seria invulneravelmente deslocado para instalações subterrâneas, sabe-se agora que esse prazo, segundo fontes oficiais israelitas, só se esgota entre a próxima Primavera e Verão. Sabe-se de fontes americanas que o enriquecimento de urânio para fins militares está ainda longe.
Fontes israelitas argumentam agora que as sanções devem ser aumentadas pois estarão a causar graves distúrbios na economia, contudo é mais duvidoso que esteja a desestabilizar o regime.
E se estivesse a desestabilizar o regime iraniano seria duvidoso que tal pudesse trazer alguma vantagem no meio da instabilidade que traria à região.
Outra primavera? Em tempo de alteração climatérica ou de ciclos de clima nada há de mais duvidoso.