segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Clinton em socorro de Obama



10 de Setembro, 2012

A semana que terminou registou o regresso à política norte-americana do antigo Presidente Bill Clinton que voou até à convenção democrata para apoiar a reeleição de Barack Obama.
A semana que terminou registou o regresso à política norte-americana do antigo Presidente Bill Clinton que voou até à convenção democrata para apoiar a reeleição de Barack Obama. E que regresso! O antigo Presidente conseguiu ultrapassar a audiência televisiva do popular jogo de início da NFL (futebol americano profissional).
Nada de extraordinário um antigo Presidente surgir em apoio de um candidato. Contudo, conseguir bater a audiência da abertura da NFL nos Estados Unidos diz muito sobre a popularidade, credibilidade e sobretudo capacidade de mobilização desse homem. Clinton, porém, não se vai retirar após esta intervenção, esta semana vai acompanhar o Presidente na campanha em Ohio e na Flórida, dois dos Estados chave para uma eleição, e deve manter a sua visibilidade durante as próximas nove semanas nos chamados “swing states”, cujos votos podem ser decisivos pelo seu número de representantes ao Colégio Eleitoral.
Até alguns estrategas da campanha de Mitt Romney concedem que Bill Clinton fez um discurso fortíssimo, emocionado e emocionante, defendendo ponto por ponto a governação de Barack Obama.
Enquanto os democratas se preparam para capitalizar o ex-Presidente, os republicanos fazem o possível por esquecer e esconder o nome e a imagem de George W. Bush. São muitos os que se apressaram a dizer que Obama foi reeleito no momento em que Bill Clinton fez o seu discurso.
Barack Obama, de facto, não foi capaz de acompanhar a oratória de Clinton. Enquanto Clinton demonstrava, de uma forma pedagógica, por a+b, os erros republicanos herdados por Obama, salientando que as ideias de Romney não traziam nada de novo, o candidato democrata teve um discurso em que não conseguiu apresentar propostas ou ideias novas. Falou num tema horizontal caro a todos os americanos – a reindustrialização da América – mas não explicou como o iria conseguir, não explicou como iria controlar o défice, como iria gerir a pior crise económica dos EUA desde a Grande Depressão. Felizmente para ele as palavras de Clinton ainda ecoavam na sala e nas páginas dos jornais ou nas aberturas dos telejornais.
A corrida, passadas que estão as duas convenções, está agora realmente lançada.
Mitt Romney não conseguiu, com a divulgação antecipada do seu “running mate”, reduzir a desvantagem face a Obama, e após a convenção republicana conseguiu, como era esperado, uma redução, mas demasiado ligeira. Agora é a vez de Barack Obama capitalizar na convenção e afastar-se de novo. Pelo menos até ao primeiro debate presidencial, a 3 de Outubro, em Denver.
Os debates presidenciais são eventos que as campanhas não conseguem controlar. Conduzidos por jornalistas independentes e de reconhecido mérito, abertos ao publico, que tem o seu tempo de intervenção, e transmitidos em directo, são muitas vezes determinantes nas decisões de voto.

Sempre a economia


A questão mais sensível que o Presidente tem de responder é sobre a economia: está mal por sua culpa ou não está pior graças a ele? O desemprego está elevado por sua responsabilidade ou as suas medidas sustiveram a espiral de desemprego? Mitt Romney, por seu turno, pode ver-se confrontado com o estado da economia herdado dos republicanos, com as suas políticas neoliberais.
Em termos gerais, a menos que o Presidente que se recandidata tenha uma imagem muito forte – como Bill Clinton e, antes dele, no passado mais recente, Ronald Reagan – a opinião pública americana pode ser volátil até ao último debate presidencial.
Barack Obama não correspondeu, de facto, às expectativas internacionais nele depositadas há quatro anos. Todavia, respondeu de forma mais ou menos decidida à crise financeira lançada pela falência do Lehman Brothers. As medidas que se seguiram não puseram fim à crise. Recusou abraçar o mesmo tipo de medidas que está agora a sufocar a Europa para estancar o défice. Optou por manter a dívida externa a fim de evitar o desemprego, sem muito sucesso.
Comparativamente, os EUA, depois de contaminarem a Europa, estão melhor que o Velho Continente. Resta saber se os americanos sabem e valorizam isso.
Mitt Romney, em contrapartida, tem o apoio dos neoliberais que condenam as decisões regulatórias impostas pela Casa Branca às finanças e que, tal como ele, defendem um “hands off” por parte do Estado e continuam a sustentar os benefícios do mercado. Daí que Bill Clinton, o Presidente dos Estados Unidos que deixou o orçamento com um “superavit”, se permita dizer, sem fugir à verdade (como se isso importasse), que os adversários republicanos apresentam apenas “velhas receitas do século passado”.
Até ao dia 6 de Novembro, o mundo estará suspenso do que se vai passar nos Estados Unidos.
Um Presidente pode mesmo ser eleito sem maioria dos votos expressos, se ganhar o conjunto de Estados que têm 51 por cento de delegados ao Colégio Eleitoral.
As mudanças nas leis eleitorais de alguns Estados colocam dificuldades de voto às minorias, potencialmente favoráveis a Barack Obama. Tudo tem de ser equacionado até meados de Outubro, quando as sondagens traduzirem, mais fielmente, a determinação do eleitorado americano.