9 de Fevereiro, 2012
A possibilidade desse ataque foi acentuada quinta-feira da semana passada por Barak ao afirmar perante a comunidade de informações israelita que se estava a esgotar o tempo para uma intervenção militar que pudesse afectar o desenvolvimento do programa nuclear iraniano. Mesmo que, como foi admitido, a acção militar só atrasasse esse programa e pudesse ter de ser repetida dentro de algum tempo não especificado. O “bluff” não é de excluir.
Na reunião, em Herzliya, o ministro da Defesa Ehud Barak e outros altos responsáveis militares, incluindo o chefe dos serviços de informação militar, General Aviv Kochavi, afirmaram que a janela de oportunidade para um ataque se estava a fechar e Kochavi esclareceu que o governo iraninao teria já suficiente material fissível para construir uma ou duas armas nucleares dentro de um ano.
Para os responsáveis israelitas que se pronunciaram, em especial o ministro Barak, existe uma janela de oportunidade para afectar, não destruir, o programa nuclear iraniano antes de estar consumada a mudança dos laboratórios de enriquecimento de urânio para bunkers nas profundezas de uma montanha perto da cidade de Qom.
O governo israelita esperam uma retaliação iraniana, bem como acções dos gurpos Hezbollah e do Hamas a partir do Sul do Líbano e da faixa de Gaza.
Os Estados Unidos afirmam a sua preocupação por um lado porque Israel recusa aceitar avisar previamente Washington, por outro porque receiam que o conflito provoque o disparar do preço do petróleo afectando a frágil economia mundial. Ao mesmo tempo os americanos sustentam que se manterão à margem do conflito mas que se verão compelidos a intervir se os seus interesses forem atacados ou se populações civis israelitas forem atingidas na retaliação.
Se a primeira é algo debatível não existe qualquer dúvida quanto à inevitabilidade da segunda. Por isso a resposta é: os Estados Unidos irão intervir no conflito.
Israel tem de facto todas as possibilidades de levar a cabo um ataque preventivo adiando o programa iraniano. Se os Estados Unidos da América têm interesse em que isso aconteça não é tão claro, mas os interesses americanos naquela região do globo, há uma eternidade que são ditados pelos israelitas.
A probabilidade da acção militar é mais complicada.
Ehud Barak é de longe o militar mais qualificado de Israel, o mais condecorado e um homem de enorme coragem física e política.
Mas no passado mostrou-se sempre um homem com visão. A sua conduta foi muitas vezes de uma condescendência calculada com limites bem definidos. Teve a coragem de retirar do Sul do Líbano em 1999/2000, quando foi primeiro-ministro trabalhista, cumprindo uma promessa antiga de Israel. Mas nunca hesitou em posições extremamente duras quando foi necessário. Recentemente abandonou o Partido Trabalhista e aceitou fazer parte do Governo de Benyamin Netanyahu, por quem na década de 90 nutria pouca simpatia.
Neste momento o único aliado iraniano na região, o Governo da Síria, está sob fogo e fragilizado.
O Irão está a perder os meios de acesso ao Mediterrâneo e ao Líbano através da Síria.
As sanções económicas contra Teerão têm colocado imensa pressão no país, com falta de alimentos, restrições de divisas, etc.
A população iraniana vive um sentimento de pré-conflito, o que pode ter o efeito contrário do que os Estados Unidos desejariam, uma visão que é discutida e contestada pelos que vêm a população a virar-se contra o regime. Uma visão que a prevalecer, sobretudo no poder israelita, aumenta as probabilidades de um ataque.
Em Israel são muitos os que acreditam que haverá um ataque e também são muitos os que discordam. Na ausência porém de uma alternativa, a tese do ataque preventivo surge com alguma consistência. Israel já sofreu ataques do Iraque durante a guerra do Golfo na década de 90 e contou com a eficiência dos mísseis “Patriot” para detê-los. Será que pode contar com essa defesa mais de duas décadas depois quando as tecnologias evoluíram?
O confronto teria consequências económicas provavelmente menores que se anuncia. No entanto, o facto é que a Marinha iraniana está fora dos portos, onde poderia ser facilmente neutralizável. Fechar Ormuz seria uma táctica suicida do Irão, pois o poderio da 5ª Esquadra naval dos EUA, apoiada pela Royal Navy, a Marinha francesa e a aviação estacionada na península arábica facilmente neutralizariam os iranianos. Uma razão que aumenta a probabilidade do ataque israelita.
Em síntese, qualquer que seja a posição dos Estados Unidos, a menos que o Irão reaja passivamente no caso de ser atacado, Israel poderá contar com importantes apoios exteriores se levar a cabo o que mais ninguém quer fazer: atacar alvos específicos no Irão.