sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Obama um Presidente


Benjamim Formigo
30 de Novembro, 2011

Para começar, se os americanos estivessem calados não diziam disparates mas isso não os impedia de fazer asneiras. Os que primariamente me consideram antiamericano estão redondamente errados.
Barak Obama despertou a imaginação de milhões de pessoas em todo o Mundo. Obama era a novidade mas não é menos verdade que o Mundo estava farto de George W. Bush, tão farto quanto lamentava a partida de Bill Clinton. Barak Obama no final do seu primeiro mandato não é mais do que um Presidente dos Estados Unidos pior e com menos imaginação que o ultimo democrata da Casa Branca: Bill Clinton.
Se “à vol d’oiseau” fizermos um balanço do mandato Obama teremos um colossal desapontamento. A política no Iraque ou no Afeganistão não mudou a não ser para colocar o ênfase em operações mais secretas que as acções encobertas da época Reagan. Guantânamo não conheceu qualquer modificação nem os prisioneiros têm outro tipo de tratamento ou passaram a beneficiar dos direitos liberdades e garantias de qualquer cidadão em território americano.
A economia continuou a ser desgovernada e a crise financeira que atinge hoje o Mundo foi gerada, nasceu e cresceu nos Estados Unidos. Obama agiu como pode, sem grande imaginação nem determinação e atirou com o ónus para cima dos europeus que, incapazes também se deixaram embrulhar e não fazem nem ideia como é que vão resolver a questão deixando que se comece a instalar o princípio do “salve-se quem puder”.
A crise financeira transformada agora em profunda crise económica continua a gerir a política internacional sem que surja uma liderança forte que lhe consiga fazer frente. Não surge porque essa liderança não existe e essa culpa não é só dos americanos, como é evidente. A liderança Obama – a liderança que sempre se espera de um Presidente dos Estados Unidos – não surgiu. Pelo contrário, Barak Obama foi arrastado literalmente por Sarkozy para uma aventura na Líbia. Mas antes disso a Administração americana deixou-se apanhar de surpresa (ou assim pareceu, o que ainda seria mais grave) na Tunísia, no Egipto, no Iémen e noutros Estados Árabes, seus aliados ou não. Washington pode ter sido surpreendido mas os Estados Unidos não podem ser ultrapassados por aliados como Sarkozy. Sendo a potência dominante devem assumir a liderança e evitar males maiores, o que nem sempre os americanos têm conseguido com sucesso.
No Egipto deixaram cair o seu principal aliado árabe no Médio Oriente, Hosni Mubarak. No Egipto as coisas não tinham corrido tão mal como na Líbia porque depois de a Casa Branca ter tirado o tapete a Mubarak foram os militares quem assumiu o poder, de forma alegadamente transitória. Uma transição que a Junta Militar procurava empurrar mais para a frente procurando um espaço de manobra político que permitisse reduzir a força da Irmandade Muçulmana e a subida ao poder, através de eleições de mais uma força islâmica.
Ora, com a multidão na rua Washington veio colocar publicamente reservas às decisões dos militares egípcios, eventualmente para reduzir o sentimento anti-americano no Egipto. Sem sucesso. Esse sentimento não será mitigado pela atitude americana. Mas se a simpatia é recusada não é menos verdade que se gera um sentimento de força contra os militares que derrubaram Mubarak.
A pouco tempo de eleições presidenciais nos Estados Unidos e com alternativas republicanas nada apelativas resta esperar que sendo o segundo e último mandato de Barak Obama, ele tenha reservado para os seus últimos quatro anos a liderança que faltou nos primeiros.