14 de Maio, 2011
A memória da queda de Mubarak começa a ser substituída pelo esquecimento ao mesmo tempo que não abundam as notícias sobre o surgimento, cada vez com mais força da Irmandade Muçulmana.
A queda do Governo tunisino passou à história e o drama humanitário no país é esquecido. Na Líbia a forma como os Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha tenha violado a interpretação da Resolução 1973 do Conselho de Segurança tem sido escondida, excepção feita a alguns artigos de opinião ou análise publicados, apesar de tudo nos Estados Unidos.
Em contrapartida, as notícias apontam para a onda de refugiados que atravessa o Mediterrâneo com destino à ilha italiana de Lampedusa. E depois para a discórdia entre Sarkozy e Berlusconi por este ter aberto as portas e cedido visas Schengen a um bom número de refugiados.
Ao mesmo tempo, as notícias optam por falar numa revisão do código de Schengen sem todavia salientarem que o Tratado de Schengen é um dos pilares da União Europeia, esquecendo mesmo que é contra a cultura europeia aquilo que esse debate pretende concluir.
A própria Comissão Europeia deu luz verde a essa reflexão, um eufemismo encontrado para traduzir o estudo de uma limitação à circulação de pessoas dentro do espaço Schengen. Uma limitação que põe em causa o próprio direito de asilo, que sempre foi parte integrante da cultura europeia. A economia, ou as dificuldades financeiras da União Europeia, determinam um procedimento xenófobo no Velho Continente.
Os Media minimizam a atenção das populações para estas questões e negam omitindo a história e tradições do continente. Como adoptaram facilmente a designação de coligação ou aliança para a força que ataca a Líbia, uma força que de facto não é da OTAN mas da França, Grã-Bretanha e EUA. O comando foi entregue à OTAN apenas para poder formalizar uma “coligação”.
A Resolução 1973 do Conselho de Segurança permite a acção militar “em defesa de populações civis”, contudo são notórios os ataques dirigidos não contra forças que ameacem civis mas centro de comando e instalações onde se presume estar ou poder estar o dirigente líbio.
O facto é que todas estas questões têm sido minimizadas ou as atenções desviadas por acontecimentos secundários.
O papel da OUA e da Liga Árabe no conflito líbio é quase desconhecido. Só a internet permite, com algum trabalho e conhecimento de busca, encontrar a informação.
O ataque a Osama Bin Laden põe em causa a presença de 140 mil soldados estrangeiros no Afeganistão. Simplesmente a morte de Bin Laden não põe termo à actividade da Al Qaeda que se estruturou horizontalmente em células independentes. Bin Laden não podia sobreviver, se isso sucedesse ele teria de ser julgado. Onde?
Em contrapartida o Hamas e a Fatah conseguiram finalmente um entendimento que poderá trazer alguma estabilidade e permitir avanços na Palestina. Israel não deu o benefício da dúvida, mas na verdade o acordo passou quase despercebido.
Os acontecimentos na Costa do Marfim quase não passaram nas televisões de referência como os acontecimentos no Bahrein e no Iémen vão sendo varridos para debaixo do tapete e os da Síria destacados. Com que critérios?
Ao contrário do que defendem muitos liberais, as redes sociais não substituem a informação credível. Pelo contrário, contribuem para uma onda de desinformação conveniente a muitos poderes.