9 de Setembro, 2010
Da arruaça nunca veio progresso e as rupturas populares só têm sucesso ou são consequentes se e quando acompanhadas de uma estratégia e se a acção parlamentar não existir, ou seja, se não houver um local próprio, democraticamente constituído para serem debatidos os problemas do país.
Ora que se saiba a oposição não se apresentou no local próprio, o Parlamento, para contestar estrategicamente o Governo. Mesmo que num Parlamento exista uma maioria os partidos nele representados têm assento parlamentar por se terem candidatado. Ao fazê-lo, ao concorrerem às eleições e sujeitarem-se à escolha do eleitorado os partidos, sejam eles quais forem,estão a aceitar as regras da democracia.
Os problemas de um país, de um povo, há muito que deixaram de se resolver na rua. Por isso mesmo acabou-se internacionalmente a contemplação com os autoproclamados movimentos revolucionários, excepção claro às situações onde ainda se vive uma luta de libertação ou os Direitos Humanos são desrespeitados, a oposição encarcerada e a liberdade de expressão não existe. A desobediência civil serve apenas os que não pretendem singrar num clima de estabilidade. Afasta os investidores, nacionais e estrangeiros, e não traz qualquer resultado positivo. Objectivamente apelar à desobediência civil é forçar o confronto. Não o confronto politico de ideias mas obrigar ao confronto entre população e as forças que teriam de procurar manter a calam ou repor a ordem – consequentemente o Governo, que tem a obrigação se zelar pela segurança dos cidadãos.
A falta de imaginação política não se pode tornar sinónimo de inconsciência cívica e irresponsabilidade.