13 de Junho, 2010
Israel desta vez não conseguiu a discrição habitual no seu bloqueio ilegal a Gaza. Uma embarcação comercial foi, como se sabe, abordada de maneira bastante infeliz provocando entre os activistas pró-palestinianos uma dezena de mortos e feridos.
A reacção internacional que se seguiu não foi inesperada. O bloqueio israelita afecta a ajuda humanitária enviada para um território palestiniano que, cercado por Israel por terra, não consegue receber os abastecimentos que a sua população necessita. Claro que Israel apresenta razões aparentemente aceitáveis para esse bloqueio: impedir que o Hamas receba armamento. As razões israelitas porém deixam de ser aceitáveis porque o Governo de Natanyahu assumiu um apolítica de avestruz, na linha do que o anterior Governo do mesmo Primeiro-Ministro tinha quando arruinou os Acordos de Oslo e os avanços que os Executivos trabalhistas haviam conseguido.
Benyamin Natanyahu recusa pura e simplesmente o diálogo com os palestinianos e agora com novas razões: o Hamas no poder, não importa que tenha sido através de eleições. Como sempre o Princípio da Física de acção e reacção está presente nas relações políticas. A uma acção do Hamas há uma reacção israelita e vice-versa, quem começou seria discutir o ovo e a galinha. É um facto o desenvolvimento desse Princípio. O Hamas não reconhece o Estado de Israel, pelo menos formalmente e Israel responde do mesmo modo. E de novo entra o dilema do ovo e da galinha e os incontornáveis Princípios da Física.
O Conselho de Segurança aprovou de imediato a condenação do acto israelita mas ficou longe de uma Resolução condenatória. Só a pressão de Obama, clara na rapidez com que a secretária de Estado Hillary Clinton reagiu, levou Israel a aceitar não um inquérito internacional independente mas uma investigação interna com a presença de dois observadores estrangeiros, um dos quais americano. Entretanto continua a manter a mesmo política de bloqueio. A ONU falhou, o tiro foi na água.
Menos de uma semana depois o Conselho de Segurança reúne-se para discutir o nuclear iraniano. Não havia muito a dizer nem a discutir. O Irão prossegue a mesma politica nuclear e prepara-se para o enriquecimento do urânio a 20 por cento aproximando-se cada vez mais da capacidade de ser tornar uma potência nuclear.
Numa região onde já há armas nucleares a mais e violações do Tratado de Não Proliferação que sobrem, a Conselho de Segurança não tinha muitas saídas Senão aprovar a Resolução apresentada pelos EUA, a França e a Grã Bretanha.
Muito embora a economia iraniana esteja excessivamente dependente de técnicos e quadros estrangeiros e do petróleo e do gás natural as sanções impostas não terão grande efeito a menos que os EUA e a União Europeia decidam por embargos nacionais o que é altamente improvável.
Barak Obama teve o cuidado de não fechar as portas a um eventual dialogo com Teerão e também de receber o Presidente palestiniano logo a seguir ao ataque israelita ao barco com auxilio humanitário. Mas não chega. As duas situações só poderão encontrar uma saída quando houver determinação e disponibilidade para dialogar sem condições prévias e com o empenho da Comunidade internacional.
De novo a Física. O segundo principio da termodinâmica está a jogar contra as soluções diplomáticas e a estabilidade uma vez esgotada não se renova.
Se os tiros da ONU forma todos na água não é menos verdade que era altura de os políticos aprenderem Física.