domingo, 16 de agosto de 2009

Os problemas de Obama


Benjamim Formigo |
16 de Agosto, 2009


Duzentos dias depois de entrar na Casa Branca Barak Obama continua a gozar de extrema popularidade ao mesmo tempo que a sua credibilidade em matéria de relançamento económico, direitos humanos, politica internacional vai diminuindo.
Duzentos dias depois de entrar na Casa Branca Barak Obama continua a gozar de extrema popularidade ao mesmo tempo que a sua credibilidade em matéria de relançamento económico, direitos humanos, politica internacional vai diminuindo.
Obama na verdade ainda não cometeu nenhum erro flagrante, mas se não cometeu qualquer pecado também não se vislumbra que tenha feito milagres ou seja capaz de melhorar a herança de George W. Bush.
Ao final de duzentos dias de lua-de-mel, mais que qualquer outro Presidente teve, a Imprensa começa a deixar cair as suas críticas, os democratas seus apoiantes começam a exigir resultados em matéria económica e em política externa.
No Capitólio, a sua promessa de reformular a segurança à saúde pública através de seguros apoiados pelo Estado esbarra com os lobbies das seguradoras que a Casa Branca não consegue vencer, ao mesmo tempo que toca num ponto sensível a muitos americanos: a maior intervenção do Governo Federal em áreas do sector privado.
Nos tribunais começa a ser posta em causa a política da Securities and Exchange Comission – que controla os mercados financeiros – pelo acordo que fez com a banca acerca de informações menos correctas aos seus accionistas. A “inspectora” de Obama em Wall Street ficou sob fogo por permitir a continuação de arriscadas manobras especulativas.
O dólar continua em queda face ao euro e as principais moedas, sem que isso se traduza num aumento de competitividade da economia americana e simultaneamente acarrete problemas acrescidos para os grandes parceiros comerciais dos Estados Unidos e em particular os produtores de petróleo.
Hillary Clinton no seu périplo africano trouxe algumas prendas simbólicas mas nada de concreto para dinamizar a economia dos países em desenvolvimento ou economias emergentes. Declarações de princípio que não mereceram a despesa.
No combate ao terrorismo não há sinais de que no Afeganistão o Poder Central esteja mais forte sete anos depois da intervenção americana. As ofensivas continuam, os resultados escasseiam. No Paquistão é o apoio a um ditador que não consegue controlar os seus próprios homens apoiantes dos talibãs afegãos. No Iraque a presença das tropas americanas não tem fim à vista.
Guantânamo afinal não fecha e os EUA procuram uma operação cosmética: manter os prisioneiros mas noutros países aliados, uma política que trará dissabores a quem aceitar colaborar nela, pois viola as leis de todos os países onde a prisão preventiva tem limites há muito ultrapassados pelos detidos de Guantanamo.
Preso sem culpa formada é inadmissível pelos cânones do direito, seja napoleónico, romano ou anglo-saxónico. Ao fim de quatro anos, a polícia e as restantes agências americanas não conseguiram provas contra os presos. Como é que se pode continuar a justificar a prisão preventiva, dentro dos EUA seria impossível, e por isso a Casa Branca procura transferir o fardo para os seus aliados.
Em síntese, terminada a lua-de-mel, Barak Obama surge como aquilo que de facto é: um homem político de quem se esperou demasiado. Obama não é o primeiro responsável senão por ter fomentado excessivas expectativas e capitalizado nela. O Mundo tem de encontrar os caminhos da recuperação e pensar se desta vez eles não terão de passar por outras economias que não a americana.